terça-feira, 15 de maio de 2018

Resenha Confissões de Kanae Minato.


Título: Confissões.
Autora: Kanae Minato.
Editora: Vestígio.
Número de páginas: 176.
Ano de lançamento: 2017.
Cortesia da editora.

Sinopse:
Seus alunos mataram sua filha. Agora ela quer se vingar. O mundo da professora Yuko Moriguchi girava em torno da pequena Manami, uma garotinha de 4 anos apaixonada por coelhinhos. Agora, após um terrível acontecimento que tirou a vida de sua filha, Moriguchi decide pedir demissão. Antes, porém, ela tem uma última lição para seus pupilos. A professora revela que sua filha não foi vítima de um acidente, como se pensava: dois alunos são os culpados. Sua aula derradeira irá desencadear uma trama diabólica de vingança. Narrado em vozes alternadas e com reviravoltas inesperadas, Confissões explora os limites da punição, misturando suspense, drama, desespero e violência de forma honesta e brutal, culminando num confronto angustiante entre professora e aluno que irá colocar os ocupantes de uma escola inteira em perigo. Com uma escrita direta, elegante e assustadora, Kanae Minato mostra por que é considerada a rainha dos thrillers no Japão. Você nunca mais vai olhar para uma sala de aula da mesma maneira.

Opinião:

Confissões é um livro um pouco perturbador.  Aparentemente, as coisas no Japão funcionam de maneira diferente daqui e comecei a ficar com receio desse formalismo forçado que transparece na obra.

O foco da história é uma turma que tinha como professora Yuko Moriguchi. Nessa turma havia dois alunos em especial, o Naoki e o Watanabe. Esses dois estavam magoados com a professora, um porque ela não lhe auxiliou quando pediu e outro porque ela não deu muita importância para sua invenção.

Então Watanabe tem uma ideia e se aproxima de Naoki, convencendo-o a escolher uma vítima. Naoki escolhe a filha de Yuko, Manami. Assim se forma o plano de que quando Manami fosse na quadra de esportes da escola dar comida pela cerca para um cachorro eles entregarem uma bolsa que iria dar um choque na garotinha. Ocorre que Watanabe planejou uma choque para matá-la.

Quando o plano, em parte, da certo, Watanabe vai embora e deixa Naoki com o corpo de Manami. Naoki para se safar do crime resolve jogar o corpo na piscina. Acontece que a menina estava viva e o que a matou foi o afogamento e não o choque.

Por conseguinte, quando Yuko descobre tudo ela não fica nem um pouco feliz, é óbvio, e resolve se vingar. Conta toda a história para a turma e diz que colocou sangue com HIV no leite de Naoki e Watanabe, bem como que está se retirando do colégio.

O livro começa com o ponto de vista de Yuko, mas depois passa para os dos seus alunos e vai mostrando a visão deles do acontecimento, bem como o desenrolar de tudo que acontece depois.

Não tenho uma opinião bem formada sobre esse livro, mas posso dizer que desde o início detestei Yuko. Para ela todo o sistema é falho e isso justifica sua vingança pelas próprias mãos. Imagine se todos fizéssemos isso, as injustiças multiplicariam. Sem falar que ela não tem talento nenhum com crianças e eu odiaria deixar filhos com ela. 

Naoki e Watanabe também não se safam. Um é mimado e não sabe lidar com a família que é perfeitinha e outro não se recuperou do abandono, mas invés de encarar armou toda uma confusão desnecessária e que tirou a vida da única do livro que pareceu valer a pena: Manami.

Fiquei com uma imagem bem ruim do Japão, se o livro segue a realidade. E, honestamente, a palavra que melhor descreve a obra é perturbador.

Como é um livro curtinho você termina de ler logo e a leitura, em questão de escrita, é fácil. O problema é todos os transtornos dos personagens. Realmente me aborrece que existam pessoas que nem eles, que pensam somente em si mesmos.

Minha dica é essa: se quer um livro perturbador, que vai te deixar desconfortável,  procure esse.

Manami me perguntou só uma vez sobre o pai. Eu disse que ele trabalhava muito, que trabalhava tanto que não conseguia visitá-la. O que, no fundo, não era mentira. Depois de abdicar do direito de ser o pai de Manami, ele se afundou no trabalho como se o resto de sua vida dependesse disso. Mas o sacrifício dele acabou não fazendo sentido nenhum. Manami não está mais com a gente.

Ele não apareceu na escola no dia seguinte, nem no outro. Mas para nós, a ausência dele era natural - tão natural quanto o fato de fingirmos que Shuya não existia, mesmo ele estando conosco. Parecia a melhor solução naquele momento.

Meu marido disse que devíamos contar tudo para a polícia. Ele enlouqueceu? Falei que Naoki seria acusado como cúmplice, mas, para ele, era o correto a fazer, inclusive para Naoki. Aco que é o melhor que podemos esperar de um homem - um pai - nesse tipo de situação, e nesse ponto comecei a me arrepender de ter contato a história para ele. Como sempre, cabe a mim cuidar de Naoki.

Será que foi suficiente? Será que vão desconfiar de mim? E se eu sair correndo e não contar para ninguém? Quando alguém é eletrocutado, eles procuram alguém para culpar. Não ia demorar para chegarem a Watanabe, e se vierem até mim...

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