segunda-feira, 1 de maio de 2017

Resenha Contos de Meninos e Meninas, Contos de Homens e Mulheres de Marcos Petry.


Título: Contos de meninos e meninas, contos de homens e mulheres.
Autora: Marcos Petry.
Editora: Chiado.
Número de páginas: 154.
Ano de lançamento: 2016.
Cortesia da editora.

Sinopse:
Relatos e vivências de um grupo de habitantes de Belo Lago ora se cruzam ora estão distantes. Todos buscando tirar o melhor em suas vidas... Entre eles uma força quase opressora cresce em silêncio: Misto de medo e apreensão ante suas adolescências, aumentado pela influência de seus gadgets, aos quais acabam atribuindo valores vitais. O tempo pode se revelar um fator chave no entendimento de si próprios e no fortalecimento pessoal... Pode também fazê-lo de maneira efêmera pois, como descobrirão, a tecnologia não pode esperar por eles, nem tão pouco a própria vida!

Opinião: 

O livro se passa numa cidade chamada Belo Lago em meados de 2020, onde a tecnologia basicamente domina a vida não só dos jovens, mas de todos os habitantes da cidade. A obra traz contos de jovens da cidade, que por estarem tão imersos nesse mundo de tecnologia acabam sendo afetado das maneiras mais diversas. Como a mídia pode nos afetar? Ou a comunicação? Ou se afastar disso tudo tão bruscamente? É possível ter o controle desse efeito na vida pessoal? São alguns dos questionamentos implícitos que o livro traz no decorrer dos contos. É demonstrado como cada pessoa ainda está tentando procurar seu lugar no mundo e tentando se definir, principalmente os jovens. O medo e o receio é bem comum nos personagens apresentados, mas também a construção do seu amadurecimento pessoal. Durante o decorrer do livro você pode perceber um certo crescimento dos personagens e também como as suas histórias, apesar de às vezes tão diferentes, conseguem se entrelaçar e voltar ao nosso posicionamento sobre a tecnologia.

O que mais gostei no livro é que traz como a tecnologia pode nos afetar de maneiras completamente diferentes. De uma apresentação musical que não deu certo porque uma amiga resolveu acreditar mais em um estereótipo masculino à pressão que ser alguém nas redes sociais, o livro mostra diferentes facetas que a internet e a tecnologia no geral pode ter. Alguns conseguem se descobrir no meio do caminho, sabendo diferenciar entre o que pode ser útil e agradável e o que pode ser ruim. É importante que realmente saibamos discernir no que a tecnologia realmente tem nos beneficiado nos últimos anos, ainda mais nos tempos atuais em que é óbvio que não podemos mais viver sem ela. Tudo atualmente está de alguma forma relacionado à tecnologia, se abster completamente dela, atualmente, é praticamente impossível. Cabe a cada um saber como isso pode nos afetar. 

Por outro lado, alguns personagens acabam agindo de forma inconsequente, mas ao mesmo tempo você percebe que é algo muito mais comum do que a gente imagina. A busca pela aceitação da sociedade, padrões de beleza, amizades, tudo isso acaba fazendo com que esses personagens acabem se perdendo de alguma forma pra alcançar tudo isso. Alguns perdem relacionamentos, outros perdem a própria identidade e no fim ficam se questionando se tudo o que fazem está mesmo valendo a pena. A maioria deles, nas redes sociais parecem pessoas extremamente felizes, ou que estão realmente curtindo o momento e o lugar em que estão, mas por trás, isso é tudo mascarado apenas por causa dessa busca incessante por aceitação. Com o tempo essas pessoas não conseguem mais ver os limites dessa linha tênue entre o que é real e o que não é. 

A mensagem mais importante que esse livro quer passar é que esses questionamentos também devem mover a gente. As vezes estamos tão acostumados com a tecnologia que não nos preocupamos como isso nos afeta. E questionar nosso posicionamento em relação à tecnologia (incluindo redes sociais, mídia e etc), também faz parte do nosso amadurecimento e isso é bem exemplificado no livro. Um tema bastante pertinente e às vezes muito pouco debatido pela nossa geração e como isso nos afetará no futuro ou como isso afetará as próximas gerações. 

Não posso dizer que amei o livro, mas achei realmente interessante a temática e a forma como foi abordada. Um dos maiores problemas do livro é que ele é bem confuso e a leitura é um pouco desgastante. Achei que muitos nomes que apareciam eram desnecessários para o desenrolar da narrativa e acabavam deixando a obra um pouco entediante. Também há muitos erros de escrita, de gramática e de digitação, o que acaba deixando o livro ainda menos atrativo. Apesar de alguns contos serem bons, outros se tornam um pouco bobos e meio desnecessários para o enredo do livro em si. 


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Ao receber os sorrisos daquela gente, Cipriana sentiu que fora, de certa forma, encurralada numa bifurcação: "Os likes ou as pessoas reais?". Ficou com um híbrido das duas coisas... Ela concentrou-se em explicar isso a si mesma como uma forma de afirmar a nova posição. Pela primeira vez em muitos anos Cipriana imaginou a maior parte das situações pela qual passou a vida a fora e aqueles com quem ela dividiu seus momentos... "Certamente não foram 500." Ponderou. 
[...] Não pode deixar de querer distância... Talvez não quisesse distanciar-se da amiga, queria estar longe dali quando aparecesse o primeiro zumbi. [...] Ao terminar suas séries e desaquecimentos, ela retornou à realidade. E foi como estar olhando para um quadro estático: Eram as mesmas caras de outrora que a contemplavam munidos de seus telefones. "Fale... Espante eles! " Seja influente!" "DIGA ALGUMA COISA!" - Gritou sua consciência. "E que escolha eles terão?"
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Um comentário:

  1. Lais!
    Além de ser um conto de autor nacional, acho importante as questões que ele aborda no livro, porque realmente ficamos tão envolvidos com a tecnologia e nem percebemos o quanto isso nos afeta de uma forma ou de outra.
    “Conhecer os outros é sabedoria. Conhecer-se a si próprio é sabedoria superior.” (Lao-Tsé)
    Cheirinhos
    Rudy
    TOP COMENTARISTA DE MAIO 3 livros, 3 ganhadores, participem.
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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