sábado, 18 de fevereiro de 2017

Resenha Amor e Amizade de Whit Stillman.


Título: Amor & Amizade.
Autora: Whit Stillman.
Editora: Gutenberg.
Número de páginas: 220.
Ano de lançamento: 2016.
Cortesia da editora.

Sinopse:
Incrivelmente bela, surpreendentemente espirituosa e completamente devotada... aos próprios interesses: Conheça Lady Susan Vernon, a Alma e o Espinho de Amor & Amizade. Viúva, falida e mãe de Frederica, uma adorável garota em idade para se casar, Lady Susan tem uma missão: encontrar um bom marido – ou seja, rico – para a filha e sobretudo para si. Dona de uma eloquência e de um charme sem iguais, Lady Susan flerta com qualquer homem endinheirado que possa salvá-la de sua desgraça financeira, o que lhe rende a fama de “rainha do flerte”. Mas quando suas tentativas de garantir o futuro não saem como o esperado, Lady Susan recorre à gentileza (e ao dinheiro) de seu cunhado, Charles, e vai passar uma temporada em sua propriedade rural para se afastar das fofocas. Lá, ela conhece Reginald, irmão da esposa de Charles, e único herdeiro da fortuna da família DeCourcy. Ao perceber que Frederica está se encantando pelo rapaz, Lady Susan decide que o jovem Reginald seria um belo e abastado marido... para si mesma.

Opinião: 

Baseado nos manuscritos de Lady Susan de Jane Austen, o livro traz um relato mais profundo sobre as habilidades do charme e a perspicácia dessa jovem viúva ainda em busca de ganhar a vida. Lady Susan é a viúva de Frederic Vernon, que apesar de ter sido um cavalheiro rico, não deixou grandes propriedades para sua esposa e filha. Com isso, após a morte do marido, Lady Susan vive às custas de amigos com os quais pode ficar apenas por uma temporada. Depois de um problema na casa dos Manwaring, Susan Vernon vai para a casa do cunhado, Sr Charles Vernon, obsequioso marido de Catherine, irmão do falecido Frederic Vernon. Em busca dos próprios interesses, mesmo que sejam acima do bem da própria filha, Lady Susan se mostra sagaz e egoísta, apesar de muito charmosa e aparentemente apenas uma jovem viúva em busca de conforto para o fim da vida. Ao chegar na casa dos Vernon, apesar de nunca ter se dado bem com Catherine e até tentado evitar o matrimônio de Catherine DeCourcy com Charles Vernon, ela usa uma máscara de gentileza e simplicidade, se envolvendo com os sobrinhos e fingindo nunca ter tido sentimentos contrários a Catherine Vernon.

Não vou me delongar muito com a história, porque ela é muito intrigante. Vai te envolver de um jeito muito irônico. Meus personagens favoritos foram Catherine Vernon e Frederica Vernon, filha de Lady Susan! Catherine, porque ela é a que primeiro consegue entender os joguinhos de Lady Susan e como os outros são tolos por caírem nos argumentos dela. É uma personagem inteligente e continua a prever os próximos movimentos de Susan, também preparando contra-ataque sutil. Já Frederica, mesmo muito negligenciada pela mãe, consegue demonstrar que é uma pessoa completamente afável e querida, ganhando o coração dos DeCourcy. 

Sobre Lady Susan, sinceramente, fiquei chocada com o quanto essa mulher consegue manipular as pessoas ao seu redor! Teve momentos que tive vontade de gritar para os personagens sobre o quão estúpidos eles eram ao caírem nas conversas de Susan Vernon! Terrivelmente mentirosa e ainda parecendo ingênua e sincera. Sua fama de femme fatale é completamente verdadeira, e os homens caem como patinhos por causa de sua língua afiada, beleza estonteante e inteligência. E ainda tem mais dois personagens, Sir James Martin e o narrador (Rufus Martin-Colonna de Cesari-Rocca, sobrinho de Sir James Martin), que acabam enrolados nessa trama. Sinceramente, amei a interação do narrador com a história e como ele tem uma visão distorcida de tudo, chegando a ser extremamente irônico e sarcástico o modo como o autor o utilizou para descrever as "aventuras" da rainha do flerte. Tem momentos que você chega a gargalhar sobre o quanto esse livro é inteligente de forma sarcástica. 

Por fim, o livro tem uma mega reviravolta e você fica muito chocado, incrivelmente pensada por Jane Austen e tão bem descrita de uma lente distorcida por Whit Stillman. Particularmente, fiquei muito feliz com o final. Me surpreendi, mas fiquei muito satisfeita. E no fim do livro ainda há o anexo das cartas que os personagens escreveram durante a trama, vindas do texto original escrito por Jane Austen. E quando você lê, você percebe o tanto que tudo o que aconteceu no livro (mesmo visto de uma pessoa de fora, com uma visão completamente distorcida dos personagens principais) se encaixa perfeitamente, te fazendo entender muito mais. 

O livro, na verdade, é o roteiro do filme homônimo, também escrito e dirigido por Whit Stillman. Pude assistir o filme e gostei muito! Segue exatamente o livro. Então se você não tiver tempo de ler o livro, você pode assistir ao filme! Só que o que mais senti falta no filme foi a presença do narrador. O narrador do livro traz uma visão completamente diferente e muito mais interessante. Mas isso de que o livro é sempre mais interessante do que o filme é história antiga. Indico tanto o livro quanto o filme, que apesar de ser um livro/filme de época, traz assuntos completamente atuais.


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Ao longo dos dias e das semanas seguintes, Lady Susan e Reginald DeCourcy viram-se frequentemente na companhia um do outro, tanto que poderia até parecer que ambos haviam combinado previamente. Eles passeavam pelos arbustos de Churchill e cavalgavam por seus declives. E aonde quer que fossem, se estivesse no raio de alcance de Catherine Vernon, eles podiam contar que estavam sendo vigiados.
- Estou deveras consternada diante dos artifícios desta Mulher desprovida de princípios. Que prova mais contundente de suas perigosas habilidades pode ser dada do que a perversão do julgamento de Reginald, o qual, quando entrou nesta casa, era tão contrário a Susan? Não me surpreende que ele tenha sido tão severamente abalado pela benevolência e delicadeza de suas maneiras; mas desde então, quando faz menção a ela, tem sido em termos de extraordinário louvor [...]. 
Tiranos opressivos da esfera doméstica, como as fêmeas da família DeCourcy, sempre irmão, ao que parece, retratar a si mesmos e a seus favoritos como os "agredidos" em vez de como os "agressores". Todavia, devemos notar, não é Lady Susan que está se dedicando a tecer maledicências contra os outros. 
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2 comentários:

  1. Laís!
    Fico sempre impressionada como a Jane Austin influenciou e influencia os autores, porque muitos se utilizam de seus escritos para criar novas obras.
    Além de gostar de romances de época, poder acompanhar toda trama de Lady Susan e sua manipulações, deve tornar a leitura mais que aprazível.
    “Saber encontrar a alegria na alegria dos outros, é o segredo da felicidade.” (Georges Bernanos)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de FEVEREIRO, livros + KIT DE MATERIAL ESCOLAR e 3 ganhadores, participem!

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  2. Oi Laís!
    Eu não conhecia Lady Susan da Jane Austin, mas achei intrigante saber que esse livro foi baseado em um manuscrito dela.
    Às vezes é divertido acompanhar personagens manipulados, mas em outras eles só conseguem nos despertar antipatia como parece ser o caso de Lady Susan. Mas, que bom que você gostou do final.
    Beijos!

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