quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Resenha A Raposa Sombria - Uma Lenda Islandesa de Sjon.


Título: A Raposa Sombria - Uma Lenda Islandesa.
Autora: Sjon.
Editora: Hedra.
Número de páginas: 100.
Ano de lançamento: 2016.
Cortesia da editora.

Sinopse:
Tendo como pano de fundo o rigoroso inverno islandês, uma raposa enigmática conduz um pastor em um périplo de transformação e provações. Perto dali, um naturalista se esforça para reconstruir a vida de uma jovem com síndrome de Down que ele havia resgatado de um naufrágio anos antes. Duas histórias paralelas que se entrecruzam em uma fábula fascinante , repleta de suspense e humor.
Opinião: 

O livro é ambientado na Islândia do século XIX, num pequeno condado rural. A história começa de uma forma dispersa e acompanhando uma perseguição à uma raposa enigmática e misteriosa, de uma maneira que você se sente na pele do caçador. Com o decorrer do livro, Fridrik, um naturalista que por um tempo morou em Copenhague e em outras grandes cidades, também vai contando paralelamente a sua história e a misteriosa história de Abba, uma jovem com síndrome de down, a qual ele salvou de uma vida de miséria e prisão depois de ter naufragado anos atrás. Fridrik também tenta decifrar o mistério de um pacote encontrado com Abba, que apesar de não conseguir falar coerentemente as palavras, protegeu a vida inteira esse pacote. 

No começo, você não entende exatamente a ordem cronológica da história. Porque ela começa a ser contada pelo meio. Mas com o tempo você vai se envolvendo cada vez mais com a trama e começando a compreender o que foi que aconteceu anteriormente até chegar nos acontecimentos descritos no início do livro. Contam-se histórias distintas e que você acredita que não tem nenhuma ligação. Mas ao longo da história, cada pedacinho solto vai se ligando maravilhosamente. 

Particularmente, amei o livro! Ele começa de forma despretensiosa, mas ao longo da história você percebe a profundeza que o autor está querendo retratar. A história é maravilhosa e não tem como não se apaixonar pela Abba e por tudo o que ela faz. E você se envolve com a maneira que Fridrik investiga tanto a história de Abba quanto as coisas que envolvem os acontecimentos recentes do condado. A única coisa que achei ruim foi que o livro é muito curto. Ele é maravilhoso e você fica com um gostinho de quero mais. Mas mesmo assim, a história é completa e finalizada de forma que tudo entra em perspectiva. O livro é ótimo e curto, muito bom de ler. Também traz uma história original e um olhar para Islândia que eu nunca tive muito contato em outros livros. Muito bom conhecer uma cultura tão pouco mostrada em livros atuais. Realmente indico esse livro. Espero que gostem!



O dia já se despedia. O céu já estava escuro o suficiente para que as irmãs boreais dessem início à sua dança dos véus. Com uma leveza urgente, elas agitavam seus encantadores matizes no imenso tablado do céu, trajadas de vestidos dourados e adornadas com seus colares de pérolas, que pendiam ao sabor dos movimentos frenéticos que elas faziam, num espetáculo melhor apreciado, logo após o pôr do sol. Depois, cai o pano e a noite reina soberana.
De tão parecidas, uma raposa-do-ártico e uma pedra confundem-se de forma assombrosa, e quando uma delas posta-se sobre uma rocha, num desses dias de inverno, é um caso perdido tentar distinguir uma da outra. Por isso ela é mais difícil que a raposa branca, que se converte em nódoa negra ou amarela sobre a neve.A raposa cola como um raio em sua pedra, e deixa o flanco aberto para a rajada da neve. [...] Depois, volta a erguer as pálpebras, ajustando o foco para poder ficar de olho no sujeito, que está lá parado feito pedra, coberto pela neve, no ponto mais alto do Rincão dos Ásios.
Não restava nenhuma dúvida de que a infeliz encerrada nos fundos da casa do primo do governador-geral, em Reiquiavique, era um desses inocentes de feições asiáticas, que nada possuíam além do ar que respiravam.Depois de limpar os restos de comida das mãos, ela envolveu com os braços a cabeça do rapaz que chorava num dos cantos do galinheiro, tentando consolá-lo com as seguintes palavras: - Furrúã, Furrúã...  

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3 comentários:

  1. Olá! Não conhecia o livro, fiquei bem curiosa pra conhecer a obra que parece ser mto boa msm...adorei a resenha e a sinopse ...
    Bjs

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  2. Gostei de conhecer o livro embora não sei ao certo se pretendo ler ou não, achei interessante o fato de se ambientar no século XIX, esse detalhe me chamou atenção.

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  3. Amei a sinopse! Me parece uma história bem inusitada e fábulas sempre me atraem.. Só faço uma ressalva a essa capa, não gostei nadinha..

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