sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Resenha A Mamãe é Rock de Ana Cardoso.


Título: A Mamãe é Rock.
Autora: Ana Cardoso.
Editora: Belas Letras.
Número de páginas: 112.
Ano de lançamento: 2016.
Cortesia da editora


Sinopse:

Este é um livro sobre a maternidade e todos os sentimentos loucos que as mães têm em relação a quem de alguma forma criam, seja um filho natural, adotivo, neto ou sobrinho. É sobre família e é sobre as mães também, esses seres que falam uma língua estranha e chata que só entende quem entra para o clube e se torna uma delas. Não se preocupe, não é um livro de lamentações. É o contrário: tem histórias engraçadas, singelas e verdadeiras. Aqueles que leram O papai é pop estão convidados a conhecer o lado mais in/tenso da experiência. A mamãe é rock é um recorte sem filtro dos divertidos e comoventes malabarismos que um casal moderno faz todos os dias para criar suas filhas.

Opinião: 

Mal sei o que falar sobre esse livro, só sentir. Assim como O Papai é Pop 2 (que também conta crônicas dessa mesma família na visão do pai), esse livro me ganhou completamente. A versão de Ana Emília sobre o dia a dia de sua família mostra a versão bem mais intensa da jornada da criação e educação de filhos. Ana mostra de uma maneira bem realista e escancarada que, apesar de ser maravilhosa, a vida de mãe não é só um mar de rosas. Ela explora suas dificuldades, medos e preocupações, sem deixar de mostrar que apesar de todos os problemas, não há dádiva maior do que ter filhos. Além do que é falado nos livros do Papai Pop, a Mamãe Rock deve se preocupar como, por exemplo, comidas orgânicas e veganas, piolhos e material escolar. 

Não é surpresa que me apaixonei logo de cara. Sou louca para ser mãe, é um dos meus maiores desejos. E ver as crônicas do lado materno dessa família, me encantou mais ainda por essa missão que é ter filhos e criá-los. Uma das coisas mais interessantes é que a autora fala de forma bem escancarada o que sente e o que vive. Que nem tudo são aquelas fotos lindas do instragam onde todas as mães são felizes e sorridentes com filhos arrumadinhos e comportados. Ela fala de coisas que ela não gosta, como por exemplo, ficar brincando de boneca o tempo todo com as filhas.

Também fala sobre feminismo e desigualdade social, mostrando como ela passa isso pras filhas e como elas reagem a isso no mundo lá fora. Coisas sobre, como a própria Anita já fala, não existir fraldários em banheiros masculinos, por que o pai e a mãe juntos são chamados de "pais" e não "mães", entre outros assuntos. Ela também mostra como vincular, assim como o Papai Pop, uma relação de cumplicidade, amizade e confiança entre pais e filhos. 

Enfim, realmente amei. Principalmente por o livro lembrar que as mães, esses seres tão singulares, passam por altos e baixos na maternidade, vida pessoal, profissional, etc. Que nem sempre tudo são flores e que ter filhos é algo bem mais extraordinário do que a gente imagina. Super indico pra qualquer pessoa, o livro é realmente maravilhoso. Espero que leiam e gostem assim como eu gostei.


 Obs: Ao invés de deixar apenas pequenos trechos, dessa vez quero deixar uma crônica completa do livro:

LIGAÇÃO DA ESCOLA

O mundo parou, o chão está tremendo, vem aí uma catástrofe. Estão ligando da escola. Você não consegue ouvir mais nada e se lhe perguntarem se você aceita doar os seus órgãos para experimentos científicos em Marte, você vai dizer sim. Agora, já, pode levar.

Poucas situações deixam mães e pais em tamanha tensão. É tão horrível que a gente atende o telefone já na maior fatalidade: “sim, sou eu, fala logo, estou indo praí agora”, antes mesmo que expliquem o motivo. A saber, na maioria das vezes, banal. Às vezes, quando ligam para avisar sobre um princípio de febre, repetem ‘mas tá tudo bem’ tantas vezes que soa como uma mentira. Como se eles mesmos estivessem querendo se convencer daquilo. Desesperador.

Deveria ser proibido ligar da escola. Um e-mail, por exemplo, não assusta ninguém. É o melhor canal instituição-família. Pelo bem da saúde cardíaca das mães, mais e-mails e recadinhos na agenda, por favor!

E quando a coisa for séria, caso de polícia, ou melhor, de hospital mesmo? Como quando (bate na madeira) a criança leva uma bolada e desmaia, cai da escada e quebra a perna ou tem uma convulsão na aula de ciências?

Que tal enviar um psicólogo ao encontro do responsável, medicá-lo e depois conversar? Ou então, as prefeituras terem helicópteros à nossa disposição para este fim? Porque nada pior que uma tranqueira no trânsito quando a gente tem que buscar os filhos na escola com o coração batendo mais de 200 vezes por minuto.

A chance de bater o carro aumenta uns 500%. As seguradoras deveriam nos perguntar “a senhora tem filhos? Eles costumam ficar doentes no inverno? Acontece da senhora ter que buscá-los no meio do expediente? Sinto muito, senhora, mas precisamos fazer um ajuste em sua franquia”.

Talvez eu esteja exagerando. A verdade é que a gente tem que confiar na escola e torcer para que nunca aquele número apareça no visor do telefone.

Clique na imagem para aumentá-la.

4 comentários:

  1. Tenho o livreto desse livro e gostei bastante, acredito que agradará os mais jovens, mas sua resenha está ótima.

    Daily of Books

    ResponderExcluir
  2. Como eu disse anteriormente...Não curti mto, talvez seja a história não sei bem o pq...Quem sabe um dia eu leia...

    ResponderExcluir
  3. Adorei esse trechinho que tu disponibilizou, já dá até para ter uma noção de quão com o livro é, quero ler com certeza.

    ResponderExcluir
  4. Assim como "O papai é Pop 2" não tenho muita vontade de ler esse livro também. Pelo mesmo motivo de ainda não ser mamãe e não me identificar com o tema.

    ResponderExcluir