sábado, 16 de julho de 2016

Resenha O Ciclista Mascarado de Neil Peart.


Título: O Ciclista Mascarado.
Autor: Neil Peart.
Editora: Belas Letras.
Número de páginas: 352.
Ano de lançamento: 2016.
Cortesia da editora.

Sinopse:
Pedale com o roqueiro Neil Peart em uma extraordinária jornada de bicicleta por estradas de chão batido, encontros com milícias armadas e crises estomacais na África Ocidental dos anos 1990. Graças a esse meio de transporte – rápido para ir de uma cidade a outra em apenas uma manhã e lento o bastante para perceber a alegria das pessoas humildes pelo caminho – a longa jornada proporciona surpresas, choques culturais, momentos de fome, sede e conflitos internos. Este é o livro de estreia de Neil Peart, compositor do Rush, a lendária banda de rock canadense, publicado originalmente em 1996 e só agora traduzido no Brasil. O clássico indispensável para quem está disposto a viver, como o ciclista mascarado, uma emocionante e desafiadora aventura sobre duas rodas.
Opinião: 

O Ciclista Mascarado trás a narrativa de Neil Peart, baterista e compositor da banda Rush, sobre sua aventura em Camarões na África Ocidental. Neil foi para Camarões em um grupo com mais 4 pessoas e guiados por David (o guia) se aventuraram sobre duas rodas pelo país. Passaram por diversas cidades e se hospedaram nos mais diferentes lugares, tiveram que superar adversidades, passar por indisposições estomacais e intestinais, lidar com pessoas que não eram tão simpáticas...

Através deste livro podemos ter muitas visões sobre a África, nem tudo são flores e nem tudo é ruim. Como em todo lugar no mundo, existem pessoas mais hospitaleiras e também aquelas que não fazem a mínima questão de ser educadas. Algumas até atiravam ofensas contra Neil e seus companheiros de viagem, outros lhe sorriam e diziam palavras bonitas. Apesar de odiar o fato de chamarem a eles de "homem branco" certas vezes com desprezo, ele tentou analisar todos os motivos para algumas pessoas serem assim e percebeu que poderia ter muito a ver com o passado e a colonização do lugar.

Uma coisa muito bacana sobre o livro é que o autor sempre faz análises, por mais que tenha brigado com os colegas de viagem e que esteja chateado, quando a raiva passa ele para e analisa e vê que talvez as outras pessoas não estivessem tão erradas assim, que aquela era forma de pensarem e que estavam tão certos quanto ele.

No livros somos apresentados aos colegas de viagem de Neil e acabamos conhecendo um pouco sobre eles. David, o guia que amava pedalar e apreciar os momentos assim como Neil. Leonard, veterano de guerra que trabalhou no Vietnã, um homem bom que sempre tenta ver as coisas boas, o único negro da excursão e sempre causava espanto nos africanos por ser um americano negro e não saber a que tribo étnica ele pertencia. Annie, uma mulher gentil, sorridente e que sempre fazia de tudo para ajudar a todos. E Elsa uma senhora de 60 anos que sempre ficava para trás, reclamava e não conseguia ver nada de bom em absolutamente nada.

Neste livro, pude conhecer uma África diferente da que eu conheci lendo o livro Outros Céus. Uma África onde havia miséria, falta de água, falta de saneamento básico, alguns policiais e militares do exército corruptos, pessoas que fazem de tudo para conseguir um pouco de dinheiro... pouco se foi visto sobre a savana africana que está sempre em nossas mentes quando pensamos neste continente. Apenas ao fim da viagem fizeram um passeio onde puderam ver elefantes, girafas, antílopes, entre outros animais.

Apesar de ter gostado bastante da leitura e das reflexões que Neil fazia, em alguns momentos a leitura ficava lenta e um pouco monótona. O que fez com que eu em alguns momentos lesse mais devagar que em outros. Uma coisa que não gostei muito e que deu aquela desanimada na leitura, é que ele colocou um apelido em uma comida típica do local que consistia de arroz e um molho de carne, que ele chamou de "arroz com porcaria em cima" e ainda disse "Nos países do Terceiro Mundo, a pobreza é a mãe da invenção.". Achei este comentário um tanto quanto preconceituoso, afinal em cada lugar no mundo existem suas comidas típicas que podem ter sido criadas pela necessidade ou apenas porque foram lá misturaram os ingredientes, deu certo, gostaram e quiseram comer sempre. Existem tantos pratos diferentes em todo mundo e nem todos vão agradar ao paladar de todos, mas não é por isso que você pode chamar aquilo de porcaria e ainda dizer que é invenção por causa da pobreza. Contudo, mesmo tendo feito esse comentário que eu achei preconceituoso, o autor afirmou em várias partes do livro que gostava daquele prato e depois de ler todo livro, penso que esse foi apenas um comentário infeliz feito por ele sem maldade alguma.

A diagramação do livro está muito boa e organizada. As folhas são amareladas e ao fim dos capítulos sempre tem alguma foto das aventuras de Neil pela África. Eu gostei da capa, acho que as cores combinaram e o estilo caiu muito bem para o tema do livro. A qualidade do livro é inquestionável.





Mais tarde, soube que essa palavra de lindo som, ashea, significa "sinto muito", ou solidariedade, e essas pessoas maravilhosas estavam expressando sua compaixão por mim. Fiquei comovido com tal pensamento. Que contraste em relação a todos aqueles gritos de "Homem Branco!". Em meio ás dificuldades da vida, essas pessoas realmente sentiam pena do meu esforço. Ashea. Isso.
Sempre eram as mulheres que faziam alguma coisa - ir à igreja, carregar coisas sobre a cabeça, trabalhar nos campos, coxinhas nas lancheiras, vender nas feiras. O que os homens faziam durante esse tempo todo? (Eu acho que o mínimo possível.)
Pareciam não haver vagabundos, nem loucos, nem exércitos de moradores de rua em Camarões, e talvez isso se deva ao fato de que os laços de família sejam fortes na África. Os condenados e os desequilibrados eram mantidos em casa.
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2 comentários:

  1. Gostei do enredo, uma história real que nos traz muitas reflexões sobre o povo e o modo de viver da África, que muitas vezes é interpretada mal pela mídia, e percebo que o autor foi compreensível ao invés de julgar, o que considero válido, achei desnecessários as piadas com a cultura do povo, mas espero ler o livro, mesmo que algumas partes sejam lentas

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  2. Adorei a resenha do livro, não conhecia o livro. Eu gosto de ler biografias. E interessante porque e uma coisa real e uma coisa que voce vai ler e pensar "nossa, aconteceu!" e isso eu acho incrivel.
    Com certeza pegaria pra ler mais pra frente!
    Beijos

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