terça-feira, 26 de abril de 2016

Resenha Os Humanos de Matt Haig.


Título: Os Humanos.
Autor: Matt Haig.
Editora: Jangada.
Número de páginas: 312.
Ano de lançamento: 2016.
Cortesia da editora.

Sinopse:
Quando um visitante extraterrestre chega à Terra, suas primeiras impressões da espécie humana são pouco positivas. Ao assumir a forma do professor Andrew Martin, da Universidade de Cambridge, o visitante está ansioso por cumprir a tarefa macabra que lhe foi incumbida e voltar rapidamente para seu planeta. Ele se sente enojado pela aparência dos humanos, pelo que eles comem e por sua capacidade de matar e guerrear. Mas, à medida que o tempo passa, ele começa a perceber que pode haver mais coisas nessa espécie do que havia pensado. Disfarçado de Martin, ele cria laços com sua família e começa a ver esperança e beleza na imperfeição humana, o que o faz questionar a missão que o levou à Terra.
Opinião:

Admito que não estava esperando que esse livro fosse "uau!", mas só bonitinho. Ocorre que assim que comecei a ler ele se enquadrou no termo "uma grata surpresa". Imaginem uma análise da raça humana feita por um extraterrestre em formato de livro para outros extraterrestres. Com muita leveza o autor consegue te fazer rir e mesmo assim parar e analisar como a humanidade faz coisas doidas.

O livro começa com o extraterrestre explicando que vai contar para outros de sua espécie sobre a experiência que teve na Terra. Ele chega à Terra pelado, no meio de uma estrada, e seus risos vão começar por aí. Ele (seu verdadeiro nome nunca é dito, não sei nem se existe no planeta dele) ocupa o corpo do professor Andrew Martin.

Enquanto ele vai caminhando pela referida estrada as pessoas vão cuspindo nele e falando palavrões/acusações, mas ele acha que cuspir é um cumprimento, então começa a cuspir nas pessoas também. Depois ele acaba parando em uma loja de conveniência e lendo uma revista Cosmopolitan, a consequência é que acaba achando que o objetivo da humanidade é ter o máximo de orgasmo que conseguirem.

Mas o objetivo dele é exterminar todos os dados da descoberta do real professor Martin sobre a Hipótese de Riemann, bem como matar todas as pessoas com quem o professor tenha comentado sobre isso.

No início ele acha tudo muito estranho,  mas no decorrer da obra começa a ver que a humanidade não é capaz somente de destruição, ao mesmo tempo que vai se apegando a família do Martin. Isobel é uma esposa que desistiu da carreira para cuidar da família e não encontrou nenhum apoio no marido, permanecendo em um casamento falido. Gulliver é o filho adolescente deles que tem tendências ao suicídio. Também tem o cachorro da família, o Newton, que é uma graça.

Só que não adianta ele se apegar a família, pois tem ordens superiores para cumprir e se não cumprir pode vir outro extraterrestre para cumpri-las.

Sabe como é mais fácil você ver os fatos quando olha de fora? Esse livro da um olhar sobre a humanidade de fora e de dentro, ao mesmo tempo. Primeiro, ele acha todos os costumes estranhos e os humanos propensos à violência, mas no decorrer da convivência vai vendo que a humanidade é capaz de coisas boas.

O final do livro não é um término bombástico, mas acho que foi bem feito, pois qualquer outro final ficaria forçado.

Adorei a obra, pois embora seja leve me fez refletir sobre a humanidade. Tenho a mania de ser bem pessimista e bem otimista quanto a ela.  Tem dias que eu penso que só tem crueldade, estão sempre fazendo algo pior e que é possível qualquer tipo de maldade. Tem dias que eu vejo que tem pessoas boas, talvez em minoria porque falta educação a muitos, mas existem e meu namorado e amigos são a prova disso. Então sua conclusão sobre a humanidade sempre vai mudar dependendo do ponto de vista que analisar.

A capa está ótima. Admito que a primeira coisa que me chamou atenção no livro foi a capa (adoro cachorros e adoro azul). 

 

Os humanos continuaram a abaixar seus vidros e a gritar coisas para mim, acima do ruído de suas máquinas. Às vezes, eles pareciam bem-humorados, conforme cuspiam fluido oral na minha direção, num estilo "orminuque". Assim, eu cuspia de volta de modo amigavél, tentando acertar seus rostos em movimento, o que parecia incentivar mais gritaria, mas tentei não dar importância a isso.Eu disse a mim mesmo que logo entenderia o que realmente significava a saudação articulada tão vigorosamente por eles: "Saia dessa maldita estrada, seu punheteiro de merda!".
A vaca é um animal que vive na Terra, um ungulado polivalente domesticado, que os humanos tratam como um fornecedor único de comida, líquido refrescante, fertilizante e material para sapato. Os humanos criam a vaca e cortam sua garganta, depois a fazem em pedaços, embrulham, congelam, vendem e cozinham. Ao fazer isso, aparentemente eles adquirem o direito de mudar seu nome para bife, que é a palavra mais afastada do termo vaca, porque a última coisa que um humano quer pensar ao comer vaca é na própria vaca.
Cheio de otimismo, eu me dirigi ao homem que cochichava com sua bandeja. O aparente extraterrestre. Conversei um pouco com ele. Perguntei-lhe, bastante esperançoso, de onde ele tinha vindo. Ele respondeu Tatooine, um lugar de que eu nunca tinha ouvido falar. ele disse que morava perto do Poço de Carkoon, a pouca distância do Palácio de Jabba. Ele costumava viver com os Skywalkers na fazenda, mas ela pegou fogo.
1) O termo "notícias" na Terra geralmente significa "notícias que afetam diretamente os humanos". Não havia, literalmente, nada sobre o antílope ou o cavalo-marinho ou a tartaruga de orelha vermelha ou qualquer outro exemplar entre nove milhões de espécies do planeta.2) O noticiário priorizava os assuntos de um modo que eu não entendia. Por exemplo, não havia nada sobre novas observações matemáticas ou polígonos ainda desconhecidos, mas muita coisa relacionada à política, o que nesse planeta girava essencilamente em torno de guerra e dinheiro. Na verdade, a guerra e o dinheiro pareciam ser tão populares no noticiário que este seria mais bem descrito como O Show da Guerra e do Dinheiro. Tinham me alertado corretamente. Esse planeta caracterizava-se pela violência e pela ganância. Uma bomba tinha explodido no Afeganistão. Em outra parte, as pessoas estavam preocupadas com a capacidade nuclear da Coreia do Norte. As chamadas ações de mercado estavam caindo. Isso preocupava muitos humanos, que olhavam para cima, para telas cheias de números, estudando-as como se elas exibissem a única matemática que interessava. Ah, esperei ver algo relacionado à hipótese de Riemann, mas não apareceu nada. Isso poderia ser porque ninguém sabia ou ninguém se interessava por isso. As duas possibilidades eram, em teoria, tranquilizadoras, mas ainda assim eu não me senti tranquilizado.
Prestava-se também para deixar de lado o entendimento. Para parar de observar e começar a viver. Importante era segurar a mão de um ser amado e viver no presente. Passado e futuro eram mitos. O passado era apenas o presente que tinha morrido e o futuro nunca existiria porque, ao chegar até ele, o futuro teria se tornado o presente. O presente era só o que existia. O presente sempre em movimento, sempre mutante. E o presente era caprichoso. Só poderia ser pego abandonando-se.


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10 comentários:

  1. Já estava querendo desde o lançamento, achei muito interessante a premissa, ruim saber que o personagem não se sente bem com os humanos, e os humanos não interagem muito com ele, espero conferir,nunca li nada sobre extraterrestre, também amei a capa

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    1. Vai melhorando a relação com o tempo. Mas nos olhando de fora deve parecer um povo terrível mesmo. Guerra, assaltos, discriminações, assassinatos... Temos nossa enorme quota de horror.

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  2. Oii!
    Que lindo!!! Já tinha lido comentários sobre o livro, tinha me encantado pela história, não vejo a hora de ler!
    A capa tbm axei mto chamativa...adorei!
    Bjs!

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  3. Não conhecia o livro mas a capa é muitooo linda, compraria só por causa dela.
    Mas quando vi a capa não imaginava que trataria de um tema de reflexão, pensei que seria mais uma ficção misturado com comédia(o que parece, na verdade), mas sem nada sério a ponto de nos fazer refletir sobre nós e como o mundo é. Parece um livro que açém de engraçado ensina várias coisas e faz pensarmos no nosso dia-a-dia, gostei bastante disso.
    Também penso assim, fico me perguntando ás vezes como alguns humanos são tão cruéis também, mesmo existindo pessoas boas, são poucas hoje em dia, infelizmente. Mas é como dizem, se você quer que mudem, você tem que ser a mudança(ta, sei que a frase não é assim, mas é algo do tipo hahaha).

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    1. Também adorei a capa. É ficção misturada com comédia, mas acaba tendo muita reflexão envolvida, só que em tom leve.

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  4. Quando se trata de extraterrestres nem sempre me interesso, mas esse gostei, pois de acordo com documentários, esse seria o objetivo dos extraterrestres que é estudar os humanos. Talvez não estamos sozinhos. kkkk

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    1. Se eu fosse um extraterrestre e visse a conduta da humanidade talvez não fosse querer aparecer por aqui não, haha.

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  5. Já queria esse livro desde que vi a capa dele entre os lançamentos da editora, e agora depois de ler sua resenha e conhecer mais sobre a história, quero ainda mais. Tenho que conhecer melhor esse ET e ver quais serão as escolhas que ele fará ao descobrir que os humanos não são tão ruins assim.

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    1. Isso aí. Livro muito bom. Engraçado, leve e divertido, mas que tem reflexões.

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