segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Resenha O que há de estranho em mim de Gayle Forman.


Título: O que há de estranho em mim.
Autora: Gayle Forman.
Editora: Arqueiro.
Número de páginas: 224.
Ano de lançamento: 2016.
Cortesia da editora.

Sinopse:
Ao internar a filha numa clínica, o pai de Brit acredita que está ajudando a menina, mas a verdade é que o lugar só lhe faz mal. Aos 16 anos, ela se vê diante de um duvidoso método de terapia, que inclui xingar as outras jovens e dedurar as infrações alheias para ganhar a liberdade. Sem saber em quem confiar e determinada a não cooperar com os conselheiros, Brit se isola. Mas não fica sozinha por muito tempo. Logo outras garotas se unem a ela na resistência àquele modo de vida hostil. V, Bebe, Martha e Cassie se tornam seu oásis em meio ao deserto de opressão. Juntas, as cinco amigas vão em busca de uma forma de desafiar o sistema, mostrar ao mundo que não têm nada de desajustadas e dar fim ao suplício de viver numa instituição que as enlouquece.
Opinião:

Britt acha que vai perder um show da banda, pois tem que ir a uma viagem de família ao Grand Canyon. Quando só ela e o pai vão de carro e a madrasta e o irmão mais novo dizem que irão de avião, Britt não desconfia de nada. Quando desconfiou era tarde demais, já haviam segurado ela e levado para uma das salas do Centro de Tratamento Residencial Red Rock.

Red Rock é supostamente uma escola para garotas com problemas, Britt é diagnosticada imediatamente com transtorno desafiador opositivo, o que isso é exatamente ninguém sabe. Teoricamente, Britt foi internada para melhorar seu comportamento, mas Red Rock não é nem de longe uma boa clínica.

São seis níveis, no primeiro que é o que Britt está ela só fica trancada com um material de estudo em seu quarto, sem poder nem depilar as axilas. É lá que ela conhece V. que está no nível seis e diz para ela que só precisa falar com eles para que a passem de nível.

Aos poucos Britt se junta a um grupo de garotas formado pela V., Bebe, Martha e Cassie que buscam apoio uma nas outras, se transformando em uma família lá dentro, tendo em vista que a "escola" utiliza métodos agressivos de "tratamento", exemplificando, fazem uma roda de garotas em que todas tem que xingar uma delas de tudo que é coisa até que essa comece a chorar.

Embora o tratamento seja desumano as garotas aguentam até que algo acontece com uma delas, então resolvem se juntar para tentar terminar com o Centro de Tratamento Residencial Red Rock.

Não vou contar mais da história para não estragar as surpresas da leitura, mas posso adiantar que Gayle continua sabendo o que faz em seus livros, tive outro contato com a escrita da autora no livro Eu estive aqui, o qual tratou do tema suicídio. Deu para notar que a autora gosta de temas fortes.

Britt é em muitos aspectos uma garota normal, a diferença é que sua mãe é doente e no fundo ela tem receio que essa doença passe para ela. Ela tem o cabelo colorido (no começo do livro), participa de uma banda, gosta de tecnologia e tem um temperamento um pouquinho sarcástico, ou seja, uma adolescente normal (eu ainda quero fazer mechas rosas).

Antigamente, todos nós sabemos que existiam clínicas psicológicas de internação horríveis, em que faziam coisas pavorosas com as pessoas, o problema é que ainda existem, a maioria é mais camuflada como o Red Rock, mas tem casos super conhecidos de institutos psiquiátricos que tem condições desumanas.

Por isso quando pensarem na leitura 'Por que esse lugar ainda não foi fechado?" não se surpreendam, pois, por exemplo, em Porto Alegre tem um local mantido pelo Poder Público que não foi fechado, foi dado prazos para se arrumar, mas sinceramente não sei se será feito e não acredito realmente que irão fechá-lo caso não se cumpra. Infelizmente, a maioria das pessoas só se mobiliza pelas causas que lhe afetam ou ao seus familiares, então esses locais continuam abertos.

Gayle trouxe essa realidade medonha junto com uma escrita envolvendo adolescentes que atinge principalmente a faixa etária mais nova, embora não esteja restrito a elas, e eu acho isso ótimo, pois temos que sempre dar temas novos aos jovens para refletirem. 

O tema é forte, a escrita ótima e as personagens melhores ainda, cada uma das meninas tem supostamente um motivo para estarem lá e uma história por trás.

Eu indico o livro, é gostoso e rápido de ler, mas trás um tema que pode lhe fazer refletir e pesquisar mais sobre ele. Quantas pessoas não se encontram ainda sofrendo nesses lugares? Infelizmente, muitas.

Acho que a capa retrata bem o tema, mas não como se fosse uma foto da Britt, ela é cabeça dura demais para deixar tirarem uma foto dessas (eu sei que é uma personagem, não me matem), mas mostra a sensação de isolamento que esses lugares devem impor.




- É que a gente acha que a loucura e a sanidade ficam em lados opostos de um oceano, mas na verdade não passam de duas ilhas vizinhas.
- Porra, novata! - exclamou V. - Centro de Tratamento Residencial, nunca ouviu falar? Chamam de escola, mas na verdade é um manicômio, um reformatório, um campo militar para correção de desvios comportamentais, um depósito de adolescentes desajustadas e rejeitadas pelos pais.
Eu não queria ir a lugar nenhum. Queria ficar ali com o rosto enterrado no pescoço dele; Mas não era isso que ele estava oferecendo e eu não queria arruinar o momento mais romântico da minha vida.
Antes que alguém diga que estou em negação, nunca deixei passar o fato de que, embora não conseguisse internar minha mãe doida de pedra, papai não precisara de mais do que um empurrãozinho da Monstra para me trancafiar num reformatório.

Clique na imagem para aumentá-la.

18 comentários:

  1. Quero ler todos os livros da Gayle Forman, e esse não fica pra trás. Pela sinopse e a resenha é exatamente o tipo de livro que eu leria, entrou pra lista de desejados.

    Abraços :)

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    1. Eu também quero ler mais livros dela, até agora li dois e adorei.

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  2. Cath!
    Quando fiz estágios enquanto estudava psicologia, existiam muitos desses lugares 'escondidos' através de fachadas, era horrível!
    Gosto da autora, os livros dela sempre abordam temas fortes e questionáveis, já li 3 e quero ler esse que deve ser na mesma linha.
    “Saber interpor-se constantemente entre si próprio e as coisas é o mais alto grau de sabedoria e prudência.” (Fernando Pessoa)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    Top Comentarista fevereiro, 4 livros e 3 ganhadores, participe!

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    1. Sim, os dois que li tiveram temas marcantes. Infelizmente, ainda existem locais assim. =(

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  3. A autora parece desenvolver muito bem um tema polêmico e forte de uma maneira que o leitor se sinta à vontade lendo. Parece ter um ótimo enredo e personagens, quero muito ler. Abraços.

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  4. Oi!
    Quando vi o livro da Gayle Forman no lançamento ele não me chamou atenção mas lendo a resenha gostei bastante do livro e fiquei curiosa sobre o que vai acontecer também gostei do tema e das meninas que se unem !!

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    1. No lançamento eu achei que ia rende, mas não sabia bem o que esperar. Mas como conhecia a autora fiquei curiosa e acontece que é muito bom, vale a pena a leitura.

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  5. Caraca eu tô doidinha por este livro! Li tanto á respeito dle...da autora...Quero mto ler ! Parabéns pela resenha, perfeito!

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  6. Que livro interessante, não imaginava que fosse assim. Quero muito ler esse livro.

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    1. Sim, traz um tema importante e é muito bom. ;)

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  7. Eu gosto da escrita da autora, mas confesso que este livro não me interessou muito. Não descarto a leitura, mas ela não será feita agora.
    Bjs, Rose

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  8. Parace um livro bem forte, não li nada da autora, mas tenho vontade só não acho que irei começar com esse, quero um pouco mais leve, mas com certeza ainda lerei esse.

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  9. Tenho vontade de ler desde o lançamento, achei a trama e o tema muito bem desenvolvidos, tenho curiosidade de saber o desenrolar desta historia.

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  10. Ouvi falar muito bem da autora, e faz tempo que estou babando por esse livro hehe,assim que possível vou ler.

    http://themoon-more.blogspot.com.br/

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  11. Estou muito ansiosa para começar essa leitura, além de trazer um tema que nos faz refletir, a capa é maravilhosamente linda.
    Amei sua resenha.

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