quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Resenha A décima sinfonia de Joseph Gelinek.


Título: A décima sinfonia.
Autor: Joseph Gelinek.
Editora: Primavera Editorial.
Número de páginas: 422.
Ano de lançamento: 2008.
Cortesia da editora.

Sinopse:

O ponto de partida da trama acontece quando o mundo da música clássica fica perplexo diante da notícia de que o maestro Roland Thomas encontrou – e reconstruiu – o primeiro movimento da mística décima sinfonia de Beethoven. Entre os convidados de um concerto particular, encontra-se o jovem musicólogo Daniel Paniagua que, encantado com a qualidade excepcional da música, questiona se o músico de Bonn vencera a “maldição da décima” – crença de que os grandes músicos redundam em fracasso ao ultrapassar a marca da nona obra. O enredo se complica com o assassinato de Roland Thomas, encontrado, horas depois do concerto, com a cabeça decepada e um pentagrama tatuado no crânio. Pelo profundo conhecimento da vida e obra de Beethoven, Daniel é chamado pela polícia para ajudar a desvendar o caso. Auxiliado por uma juíza e um sagaz inspetor de polícia, o protagonista enfrenta influentes grupos – inclusive descendentes de Napoleão Bonaparte – que têm como único intuito se apossarem do “Santo Graal” da música clássica. As respostas para desvendar o enigma de A décima sinfonia estão no passado confuso de Beethoven, e em um amor proibido e oculto… até agora. Paniagua, como um alter ego do autor, é um modo do mesmo ter cumplicidade com os leitores. Um protagonista cujas deduções estão muito bem explicadas, claras e concisas, sem exageros. No fim do livro, temos quatro capítulos protagonizados pelo próprio Beethoven, uma das melhores partes do livro, que também serve para confirmar as investigações dos personagens. Por fim, uma ficção que passa aos leitores a preocupação com detalhes históricos e curiosidades, e que consegue dar a impressão de que o mundo da música está cheio de mistérios interessantes e com grande potencial fictício.

Opinião:

Como é bom ler um livro que faz com que você queira chegar ao final para saber o desfecho da história. É dessa forma que as pessoas que tiverem a oportunidade de ler A décima sinfonia se encontrarão.

O livro em questão é uma mistura de ficção com realidade, tem crime, tem mistério, tem investigação policial, ou seja, é de tirar o fôlego do início ao fim.

A história se passa na Espanha e na Áustria, e conta o desenrolar de uma busca pelo assassino daquele que fora o responsável por encontrar aquela que, por muitos, é a melhor obra musical já escrita por alguém, A DÉCIMA SINFONIA. Escrita por nada mais nada menos que o gênio da música erudita, Ludwig van Beethoven. Para que vocês – todos que não conhecem a biografia de Beethoven – possam entender o tamanho de tal descoberta, é necessário que possamos explicar qual o contexto em que o compositor se encontrava: Beethoven perdeu a audição progressivamente, porém, continuou a compor suas músicas e de forma magistral, cada nova música superava a anterior em maestria e genialidade. A nona sinfonia é considerada um dos maiores feitos da história, agora imaginem a décima, que fora escrita para o amor da sua vida.

Pois bem, voltando ao livro, após a morte de Roland Thomas - aquele que supostamente teria encontrado o primeiro movimento da décima sinfonia -, que por sinal fora uma morte de filme de terror, pois cortaram a sua cabeça, da mesma forma que cortavam com guilhotina no passado, o autor conseguiu escrever de uma forma que, sucessivamente, você vai ligando e descobrindo os pontos desconexos do crime. Assim, até o fim da história tem alguma informação que você necessita para que consiga achar quem fora o assassino. Mas além disso, a principal busca é pela décima sinfonia. Paralelamente a busca do assassino, entramos numa aventura em busca da maior composição erudita da história. 

E nessa busca, Daniel Paniagua, musicólogo perito em Beethoven, terá um papel de extrema importância, já que será ele que ajudará as autoridades a desvendarem tanto o assassinato como o paradeiro da décima sinfonia. Após a morte de Thomas, Daniel é chamado pela Juíza responsável pelo caso para tentar decifrar um pentagrama tatuado na cabeça da vítima. E aqui, é o ponto nevrálgico em que o leitor deve acompanhar os detalhes narrados, para que, futuramente, entenda quem foi o responsável pelo assassinato.

Com capítulos pequenos, que facilitam a leitura e não nos deixam com a sensação de cansaço, o escritor utiliza palavras de fácil compreensão. Porém, para aqueles que como eu não possuem um conhecimento mais aprofundado na música clássica, em alguns momentos, ao utilizar expressões específicas de tal gênero musical, há dificuldade em entender o significado das palavras. Também, devemos observar um erro existente na página 26, linha 24, em que há um erro de concordância, na qual transcrevemos, em negrito: "Sua impressão era de que a reunião com Dúran seria para lhe passar um sabão ou até para de informá-lo de uma suspensão total de cargo e salário". 

Por fim, há que ressaltar a criatividade do autor, que utiliza não o seu nome, mas um pseudônimo, Joseph Gelinek – musicólogo espanhol que fora humilhado por Beethoven em um duelo musical ocorrido em Viena, no final do século XVIII. 

Mas no final conseguimos realizar o milagre e estamos a poucos minutos de ser testemunhas de um feito artístico sem precedentes. Permitam-me recorda-lhes o motivo pelo qual estamos todos aqui. Pela primeira vez na história, e graças à extraordinária disposição e talento da pessoa que tenho aqui ao meu lado, teremos o privilégio de ouvir o primeiro movimento da Décima Sinfonia de Beethoven.
Mas podemos estar certos de uma coisa: se a Décima existe, tem um valor artístico extraordinário. Uma composição de primeira linha, como disse Arnold Schoenberg certa vez: "Parece que a Nona foi o limite. Quem quer ir além está condenado à morte. Parece que se alguma coisa nos fosse ser transmitida na Décima, não deveríamos saber, pois não estamos preparados ainda para isso".
A cabeça, que tinha começado a adquirir uma cor entre azul e esverdeada, apresentava múltiplas abrasões e hematomas na parte da frente, a ponto de apenas os olhos, que estavam entreabertos e conferiam ao rosto a expressão de uma pessoa entorpecida por narcóticos, parecerem intactos. Tanto o nariz como a boca apresentavam ferimentos e cortes que Pontones garantiu terem sido causados por cães de rua. Mas o que foi realmente impactante para Daniel foi descobrir que na parte posterior do crânio, totalmente raspado, Thomas tinha tatuado um pentagrama, minucioso e bem executado, no qual se podiam ler com clareza algumas notas musicais.
Clique na imagem para aumentá-la.

12 comentários:

  1. FÉDON!
    Um livro que tem crime, tem mistério, tem investigação policial, e ainda música clássica tem de ser bom mesmo.
    Fiquei com vontade de ler, principalmente porque foge ao comum das fantasias que andamos lendo.
    “Saber encontrar a alegria na alegria dos outros, é o segredo da felicidade.” (Georges Bernanos)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    Top Comentarista fevereiro, 4 livros e 3 ganhadores, participe!

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    1. Concordo plenamente Rudynalva. Emoção do início ao fim.

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  2. Oii! Parece bem legal! Diferente de td q já li até hj...Adorei! Bjs!

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  3. Amo livros com esse clima de investigação, ainda mais com música envolvida! Fiquei bem curioso, sua resenha está ótima :) Abraços ^^

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  4. Que capa linda, pela resenha acho que é um ótimo livro, me interessei e vou lê-lo em breve!

    http://themoon-more.blogspot.com.br/

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  5. Oi!
    Ainda não conhecia esse livro mas gostei bastante da historia ainda mais essa mistura de mistério, investigação policial e Beethoven o que me deixou bem curiosa, se tiver oportunidade quero ler !!

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  6. Amei a capa a sinopse e a resenha.
    Porém esse livro foge um pouco do meu gênero literário, mas vou dar uma chance por que eu realmente amo investigação policial e mistério.

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  7. Que livro contagiante,me empolgou de primeira. Um assassinato, um suspense, parece ser um livro maravilhoso.

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