terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Resenha O Véu de Luis Eduardo Matta.


Título: O Véu.
Autor: Luis Eduardo Matta.
Editora: Primavera Editorial.
Número de páginas: 560.
Ano de lançamento: 2009.
Cortesia da editora.

Sinopse:
Araci Quintanilha, é a proprietária da Casa Quintanilha de Leilões, no Rio de Janeiro, que vive dias de expectativa com a aproximação do leilão onde uma misteriosa tela a óleo, chamada ‘O Véu’, será posta à venda. O quadro que foi condenado por várias lideranças muçulmanas em todo o mundo por retratar uma mulher seminua usando o véu islâmico, tem uma trajetória marcada pelo sucesso, pela polêmica, pela intriga e pela tragédia. Diversas pessoas morreram por sua causa - inclusive o próprio pintor, Lourenço Monte Mor, vitimado por um incêndio em sua casa, jamais esclarecido. Obscuros segredos do passado ligam o quadro ao assassinato, em 2005 na Arábia Saudita, de Abu al-Horiah, o líder da Azadi, uma organização extremista iraniana responsável por inúmeros atentados terroristas nas décadas de 1980 e 1990. Tudo levava a crer que a morte de Abu al-Horiah e de seu filho Arsalan, tido como seu sucessor, sepultara de vez a Azadi, mas, tempos mais tarde, começaram a circular rumores de que a organização estaria se rearticulando sob o comando de uma nova líder, conhecida como Umm al-Hakika. Os rumores sobre a ressurreição da Azadi coincidem com a chegada ao Brasil de Mohsen Khajepour, um conceituado intelectual iraniano radicado na Suíça, que acaba assassinado em circunstâncias misteriosas, às vésperas das eleições presidenciais iranianas de 2009. Durante anos acreditou-se que ‘O Véu’ tivesse sido destruído no incêndio que matou Lourenço Monte Mor, mas ele estivera, todo esse tempo, escondido no apartamento de Araci Quintanilha. Quando o seu leilão é anunciado e a opinião pública toma conhecimento de que a polêmica obra sobrevivera, Araci, subitamente, se vê arrastada para um redemoinho vertiginoso de acontecimentos perturbadores onde sua própria segurança é colocada em risco. Ameaçada por terroristas, ela é obrigada a fugir, sem perceber que uma conspiração de proporções gigantescas está em curso. E que o misterioso quadro, que guardara consigo durante anos, esconde um terrível e fantástico segredo, que poderá mudar tragicamente a geopolítica do mundo. Nesse thriller eletrizante e envolvente em que os bastidores do rico mercado de arte se mesclam às entranhas sórdidas da turbulenta política do Irã, os destinos de três mulheres se cruzam na busca pela verdade e pela liberdade.

Opinião:

Ao iniciarmos a leitura de livros de suspense o que mais esperamos são aquelas histórias que nos "prendam" desde o começo e façam com que estejamos a todo momento buscando quem matou quem, quem foi a pessoa responsável por determinado evento, o que poderíamos esperar daquela situação.

É nesse contexto, que podemos afirmar para àqueles que buscam uma leitura com essas características, que "O véu" irá te levar a um mundo na qual apenas observamos pela televisão.

Com um início fulminante o livro descreverá, de plano, um mistério ao redor de uma pintura chamada "O véu", em que abalará toda uma comunidade muçulmana. Considerada por esta religião como um atentado ao seu povo, a história demonstrará do que é capaz um povo que tem sua honra desrespeitada e manchada. Mais do que isso, uma organização terrorista surgirá como a principal responsável por buscar acabar com esse quadro e com todos aqueles que tentam, de alguma forma, possuir ou expor o quadro.

E ficam claros os objetivos desta organização, que o pintor responsável pela criação de "O véu", será o primeiro a sofrer com a impiedade da Azadi. Todos acreditarão que a obra tenha sido destruída no incêndio que culminou com a morte do seu criador, porém, quando a Casa de Leilões Quintanilha, situada no Rio de Janeiro, informa que a obra estará à venda, todos os acontecimentos em torno da obra voltam a tona, fazendo com que o leitor viva uma incessante aventura e busca pelos responsáveis por todos os acontecimentos em torno de O véu.

Além do mais, impossível, com todos os acontecimentos que nos nos últimos meses vivenciamos, não fazermos a comparação da história do Véu com os atentados na França, e com todos os atentados que organizações terroristas reivindicam como sendo as responsáveis.

Por uma religião, ou melhor, por um ideal, ficção e realidade se encontram em O véu, fazendo que em nome de um "propósito maior" pessoas sejam assinadas, pensadores que não comungam da mesma opinião dos extremistas sejam aniquilados, governos maculem para manipular os fatos .

É dessa forma, numa viagem do Brasil ao Irã, que teremos todos os acontecimentos, encontraremos todos os ingredientes de uma narrativa envolvente, na qual a busca pelo final da leitura se tornou o nosso objetivo para que pudéssemos saber o que aconteceria.

Há que ressaltar a fácil compreensão da história, da agradabilíssima narrativa, e do principal, da aventura e suspense do início ao fim.

Araci fechou os olhos, sem conseguir evitar que uma opressiva sensação de pesar a envolvesse. Aquele rosto era inegavelmente sedutor; ele parecia vivo e atento a toda movimentação em torno de si. Os olhos eram grandes, fundos, faiscantes, dois perfeitos círculos verdes, atentos, onipresentes, sinistros, aterradores, que emanavam uma libidinagem feroz sem.
Com as mãos trêmulas, Araci abriu o papel e examinou-o. As palavras estavam anotadas à mão em letras grandes e bem definidas, de modo a não deixar dúvidas: "Liberdade e Vingança.
O senhor mesmo mencionou a revolta da população depois das eleições. O novo governo não terá tanta legitimidade junto ao povo. E o próprio regime saiu enfraquecido. O banho de sangue que está acontecendo no país apressou a morte da República Islâmica, que pode ter começado a desmoronar neste mês de junho de 2009. Não se esqueça de que a Revolução de 1979 foi uma revolução popular. Se foi o povo que colocou os aiatolás no poder, será o povo que irá tirá-los de lá. E não há absolutamente nada que vocês possam fazer para impedir isso. (…)

8 comentários:

  1. Posso afirmar que um dos gêneros que mais gosto e procuro sempre ter contato é o suspense. Ele nos faz pensar, descobrir e tentar desvendar todo o mistério junto com os personagens, nos fazendo ficar mais preso á estória. Achei interessante o fato do livro focar em um quadro que a comunidade muçulmana irá ver como um desrespeito, e acredito que iremos conhecer melhor através do livro, esse povo que ameaçam e matam tantas pessoas na realidade.
    Amo estórias contadas assim e espero poder lê-lo em breve.
    Bjs!

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  2. Oiii...
    bom adoro suspence e procurar que e o culpado...e é isso que o livro tras...eu acho....bom gostei muito...e bom tambem para entendermos mas sobre essa religiao e tudo mais.....parece um livro polemico...quero muito ler....e espero que eu goste.....otima resenha...obg pela dica....beiijocasss...

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  3. Fédon!
    Muito bom poder ver um livro policial, onde podemos identificar a ficção, misturada com fatos reais e ainda mais que nos levam aos países asiáticos, onde as 'guerras' religiosas predominam.
    “Sonhar é acordar-se para dentro.” (Mario Quintana)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    Participem do nosso Top Comentarista de Dezembro, serão 6 livros e 3 ganhadores!

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  4. Livros onde confundimos realidade e ficção são ótimos, deixam a leitura ainda mais interessante.
    Bjs, Rose

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  5. Nunca li um livro em que fale da comunidade muçulmana, achei interessante o tema, espero poder ter a oportunidade de ler pois achei diferente.

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  6. Oi!
    Gosto muito de livros policiais com um bom suspense mesmo sendo uma leitura que não estou fazendo muito, mas o livro me interessou e achei diferente dos que leio !!

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  7. Oi!
    Não sou uma grande fã de livros de suspense, mas gosto de estórias que envolvem religião, então fiquei curiosa. Quando comecei a ler sua resenha também fiz um paralelo com os últimos atentados, principalmente com quando foi destruído um museu há alguns meses...
    Beijos

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