terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Resenha O Rouxinol de Kristin Hannah.


Título: O Rouxinol.
Autora: Kristin Hannah.
Editora: Arqueiro.
Número de páginas: 432.
Ano de lançamento: 2015.
Cortesia da editora.

Sinopse:
França, 1939: No pequeno vilarejo de Carriveau, Vianne Mauriac se despede do marido, que ruma para o fronte. Ela não acredita que os nazistas invadirão o país, mas logo chegam hordas de soldados em marcha, caravanas de caminhões e tanques, aviões que escurecem os céus e despejam bombas sobre inocentes. Quando o país é tomado, um oficial das tropas de Hitler requisita a casa de Vianne, e ela e a filha são forçadas a conviver com o inimigo ou perder tudo. De repente, todos os seus movimentos passam a ser vigiados e Vianne é obrigada a fazer escolhas impossíveis, uma após a outra, e colaborar com os invasores para manter sua família viva. Isabelle, irmã de Vianne, é uma garota contestadora que leva a vida com o furor e a paixão típicos da juventude. Enquanto milhares de parisienses fogem dos terrores da guerra, ela se apaixona por um guerrilheiro e decide se juntar à Resistência, arriscando a vida para salvar os outros e libertar seu país.
Opinião:

Primeiramente eu vi o nome da autora, Kristin Hannah, e isso já me chamou atenção, embora só tenha lido um livro dela, Amigas para sempre, me apaixonei por este, então eu fiquei empolgada por outra leitura dela. Segundo, o tema, eu adoro livros/filmes passados na Segunda Guerra Mundial, não confundam isso, por favor, com meu ponto de vista pelo horror que foi a guerra, eu sou contra qualquer especie de preconceito e acho que se uma guerra é inevitável o mínimo de dignidade que pode manter é não torturar pessoas.

O Rouxinal conta a história de duas irmãs que quando a mãe morreu eram crianças que foram deixadas pelo pai, que havia voltado da Primeira Guerra Mundial muito diferente do homem que haviam conhecido, aos cuidados de uma senhora em uma casa na França, acontece que essa senhora era horrível.

Vianne, a filha mais velha, logo se casa e assim Isabelle, a irmã mais nova, vai morar um tempo com ela, até esta perder o primeiro filho e mandar a irmã embora.

Isabelle ressente-se da irmã e do pai, o segundo por tê-la abandonado e a primeira por desde que a mãe morreu não dar a mínima atenção para ela e ter se livrado dela assim que teve a chance. 

A obra começa com Vianne e sua filha tendo que se despedir do marido que foi convocado para a guerra, esta se mostra fraca e chega a dar uma agonia, só sabendo negar a realidade e ficar com medo que o  marido volte diferente como o pai. Isabelle, ao contrário, está sendo expulsa de outra escola para mulheres, pois não tem o mínimo interesse em aprender questões de etiquetas, e tenta ir morar com seu pai, que quando os alemãs atacam a cidade manda ela ir viver com a irmã mesmo contra a vontade dela que deseja ficar e lutar.

Porém acontece uns imprevistos e Isabelle acaba conhecendo Gaëton no caminho para a casa da irmã e combinam de lutarem juntos na guerra. Mas quando chegam a casa de Vianne este deixa Isabelle e parte sem ela.

Assim Isabelle vive um tempo com a irmã, o que causa conflitos já que ambas tem pensamentos diversos, mas aos poucos ela acha uma maneira de ajudar na guerra sem que ninguém saiba. Enquanto isso Vianne está nervosa pela falta de alimentos que a guerra trouxe, sobre as atitudes de Isabelle e a respeito do alemão que passou a morar na casa dela contra sua vontade.

Eu não quero dar spoiler para vocês, mas a história começa assim e termina junto com a guerra. A vida das duas irmãs vão mudando muito no decorrer da história, Isabelle amadurece e Vianne passa a ser forte, devido a necessidade.

O livro também não fica preso só há uma narrativa em um local, pois um tempo depois Isabelle volta para a França e passa a salvar pessoas (não vou contar como para descobrirem lendo), enquanto isso Vianne tenta manter sua vida que cada vez fica mais difícil.

Algo que apreciei no livro Amigas para sempre foi como a autora soube montar duas personalidades diferentes em duas amigas e demonstrar como é complicado manter um relacionamento, mas que no final vale a pena. Em O Rouxinol a autora deve um pano de fundo de uma época sombria, onde veio a tona o melhor e o pior das pessoas, e ela conseguiu mostrar a irmandade, medos, anseios e brigas dessas irmãs, ao mesmo tempo que elas vão crescendo e te conquistando.

No começo eu detestei a Vianne e adorei a Isabelle, eu afirmo que no final continuei adorando a Isabelle, mas passei a gostar e simpatizar com Vianne, pois as mudanças nela foram muito mais profundas e por necessidade.

Mas o foco do livro, e que veio bem a calhar nesse momento em que está em alta falar sobre a importância das mulheres, é demonstrar como o gênero feminino sobreviveu a guerra e foi importante, enquanto seus maridos estavam em batalhas ou presos, elas mantiveram vivas as famílias, viram amigos serem deportados e mortos e tiveram que tomar atitudes que nunca imaginaram para tentar salvar pessoas.

Embora eu goste de ler sobre o tema nunca havia parado para ler como foi exatamente as coisas na França, a rendição, como os alemãs ocuparam as cidades e pegavam os mantimentos, tendo as pessoas que passarem os dias em filas para achar só o que sobrava para comer e em pouca quantidade.

Então esse livro foi apaixonante para mim, pois é ótimo que enquanto lê e se emociona com ele também aprende mais sobre o passado.

Eu poderia falar muitos mais coisas sobre a obra, como fala sobre amor, lealdade, coragem, maldade, amizade, como retrata aquela época tão feia em que as pessoas tiveram que se manter leal ao que acreditavam a tão duras penas, como foi maldoso e horrendo as torturas que sofreram e como é louvável as pessoas que se arriscaram para fazer a diferença, mas a resenha ficaria imensa.

Digo que vale a pena acompanhar a vida dessas irmãs, pois certamente vão se emocionar com elas, além de aprenderem história de uma forma que vão se lembrar sempre, sem ser na escola.

A capa está maravilhosa e o único errinho que achei foi uma vez que colocaram o nome da Isabelle invés do nome da Vianne, mas que não atrapalhou a leitura, pois da para você entender que era a Vianne.




Aterrorizada, desceu a escada, sem respirar, até ver Sophie ainda a salvo no divã. Vianne sentou-se ao lado da filha e a tomou nos braços, deixando Sophie se aninhar como se fosse uma garotinha ainda mais nova. Acariciou o cabelo encaracolado da menina. Uma mãe melhor, uma mãe mais forte, teria uma história para contar agora, mas Vianne sentia tanto medo que já nem tinha mais voz. Só conseguia pensar em uma prece, sem começo nem fim. Por favor.
Beck estava sentado atrás de uma mesa orlada em motivos pretos e dourados - claramente confiscada de uma das mansões da região, Atrás dele, as paredes eram parcialmente cobertas por um retrato de Hitler e uma série de mapas. Na mesa havia uma máquina de escrever e um mimeógrafo. No canto, via-se um amontoados de rádios confiscados, mas a pior imagem era a da comida. Havia caixas e caixas de alimentos, pilhas de carne curada e grandes discos de queijo encostados na parede dos fundos.
- Eu vou encontrá-la - disse ele em voz baixa. - Talvez eu vá a Paris por uma noite e a gente vá a um cinema, vaiar o noticiário e depois fazer um passeio nos Jardins de Rodin.- Como namorados - disse ela, tentando sorrir.Era o que sempre diziam um ao outro, aquele sonho compartilhado de uma vida que parecia impossível de se lembrar e improvável de voltar a acontecer.
Isabelle percebeu que as cortinas de blecaute estavam fechadas enquanto procurava a chave na bolsa. Abriu a porta e entrou no saguão escuro empurrando a bicicleta. Acorrentou-a num canto na parede. Ignorando o elevador do tamanho de um caixão, que sem dúvida não funcionava por conta do racionamento de eletricidade, subiu a escadaria estreita e íngreme que circulava o poço do elevador até chegar ao quinto andar, onde havia duas portas, uma para o lado esquerdo até o prédio e a deles, que ficava no lado direito. Destrancou a porta e entrou.
Isabelle virou as costas para a irmã e se afastou mancando, antes que dissesse algo imperdoável. Cruzou as mãos para parar de tremer. Era por isso que nunca quisera voltar àquela casa para rever a irmã, por isso tinha ficado afastada durante anos. Havia muita mágoa entre as duas.
Será que ela não tinha aprendido nada na vida? Pessoas iam embora. Ela sabia. E as pessoas faziam isso especialmente com ela.

6 comentários:

  1. Cath!
    Adoro também os livros ambientados nas guerras, porque nos faz repensar o quanto somos abençoados por não termos passado pelas atrocidades que aconteceram.
    Gosto demais da autora também, já li dois livros dela e espero poder ler esse também.
    “Desejo a voce e a sua familia um Natal de Luz! Abençoado e repleto de alegrias. Boas Festas!” (Priscilla Rodighiero)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
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  2. ahh que resenha perfeita..gosto de trama que acontecem em outras épocas...acaba que a gente fica sabendo de fatos que realmente foi real ;)

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  3. E eu vim ler a resenha justamente pelo nome da autora! Também me interesso pela Segunda Guerra Mundial, mas assim como você, ainda não vi pelo ponto de vista da França! Então, quero sim, ler O Rouxinol!

    Clara
    @clarabsantos
    clarabeatrizsantos.blogspot.com.br

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  4. Oiii....
    bom amo historias que se passam na segunda guerra mundial.....bom pelo que me pareceu o livro vem dizer sobre uma familia e seu cotidiano durante a guerra...e sobre o crize em que as irmas estao passando....essa foi minha impressao...entao e isso...otima resenha...bjsss...

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  5. Oi!
    Ainda não li nada da Kristin Hannah mais gostei do livro parece uma historia muito bem escrito e achei interessante o contexto histórico inserido ainda mais pelo ponto de vista de duas pessoa com pesamentos diferentes !!

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  6. Oi Cath!
    Eu ainda não li nada da autora, mas quando O Rouxinol foi lançado eu já fiquei com vontade de ler. Também gosto de livros que se passam durante guerras e essa visão da participação das mulheres parece ser maravilhosa.
    Beijos

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