segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Resenha O Ser-se de Júnia Azevedo.


Título: O Ser-se.
Autor: Júnia Azevedo.
Editora: Circuito.
Número de Páginas: 200.
Ano de Lançamento: 2014.
Cortesia da Autora.

Sinopse:

Nesta instigante poética sobre o ser se encena a densidade abissal da experiência, assim como as matizações intensivas do corpo, de forma que personagem se pluraliza e se desdobra ao infinito, pois o ser se declina na reflexividade e se conjuga como processo. Dai o antinaturalismo radical que perpassa esta narrativa apaixonante, pela qual o sujeito se enuncia na multiplicidade do devir, modulando que é pelos acordes sublimes de Fernando Pessoa. - Joel Birman.
Opinião:

O Ser-se é uma história narrada por X que percorre uma busca incessante de ser-se por inteiro e de aprender a se amar, tudo se passa em dois cenários o Rio de Janeiro e Lisboa. E X nos conta tudo isso através de muitas linhas e pouquíssimas falas, mas as falas não fazem muita falta já que a personagem parece conversar conosco e a leitura se torna dinâmica. 

Tudo começa com a traição do homem desconhecido a quem X muito amava, então ela começa a busca por ela mesma, chega a perdoar o amado e eles tentam mais uma vez, e em meio a tudo isso podemos ver as oscilações dela entre a tristeza e a felicidade (na maioria tristeza).

Uma peculiaridade desta obra é que não nos são apresentados os nomes dos personagens, bom... de certa forma o são. A protagonista é X, o homem que ama é Y (mas também é conhecido por homem desconhecido, homem do cavanhaque e mais tarde de Hermann) e um amigo é Z. Mas isso não interfere na história, ainda assim é possível ter uma visão dos personagens.

X é uma mulher bastante melancólica e você acaba aguardando ansiosamente pela parte em que ela será feliz, mesmo que seja um pouquinho. Ela narra a história a partir de muitas figuras de linguagens, analogias e devo confessar que algumas são muito interessantes, enquanto outras chegam a ser meio nojentas.

X parece além de ter problemas consigo mesma, repelir de certa forma a família e acho que falta um pouco de compreensão da parte dela em questão a isso, mas mais para o fim da obra ela parece lidar um pouco melhor com isso apesar de a família continuar não sendo algo muito presente em sua vida ou uma de suas prioridades.

As minhas partes preferidas do livro, com certeza foram todas as que X passou em Portugal, na cidade de Lisboa, pois nela foi feliz e foi possível ver um lado mais leve da personagem, principalmente quando ela foi sozinha sem o homem desconhecido.

Apesar de toda a melancolia do livro e de muitas vezes o livro desanimar por isso, vale a pena continuar pelas partes mais alegres e além disso muitas coisas ditas pela personagem fazem com que haja uma reflexão do leitor sobre a vida. O livro deve ser lido atentamente, pois muitas coisas podem ser confundidas, ou pode se deixar passar despercebidas. Acho também que a obra pode ser bem proveitosa para pessoas da área de psicologia ou aqueles que ainda pretendem se formar nessa área.

Não gostei muito da capa, achei uma pouco estranha e muito escura. A capa escura realmente combina com o livro, mas não entendi qual a relação da figura presente nesta com toda a história. Não encontrei nenhum erro de português no livro, pelo contrário, até acrescentei novas palavras ao meu vocabulário. O livro é leve e fácil de carregar e o design é bonito.


Não vou sofrer, não vou chorar. Agora sou minha mãe e, como a melhor mão que poderia ser, vou tratar-me como gostaria de ser tratada. Aqui não há mais vítima. Aqui começa uma eu de pernas firmes e alicerces sólidos.
Acabo de descobrir o que me basta para ser feliz. Me basta uma cidade desconhecida, com muitos lugares para conhecer, uma biblioteca e um notebook para escrever. 
O amor é delicado como um passarinho selvagem. Se usamos armadilhas para capturá-lo, perdemos o que ele tem de mais belo: a liberdade de usar plenamente suas potencialidades.

3 comentários:

  1. Pamella!
    Gosto de livros que levam a pessoa a se voltar para análise interior.
    Imagino que X deve ter passado por muitas experiências para se tornar tão melancólica.
    A capa é uma boneca de barro, muito feita aqui no nordeste.
    “Vós, que sofreis, porque amais, amai ainda mais. Morrer de amor é viver dele.”(Victor Hugo)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
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  2. Eu confesso que também não gostei da capa, mas o enredo, que é o mais importante, parece que vale a pena.
    Bjs, Rose.

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  3. Olá!!
    Olhe eu particularmente detesto quando a capa não tem haver com o livro, não entendi o porque de não ter nomes os personagens achei super estranho isso , ja li livros que não é citado o nome mais daí colocar letras achei estranho. ão sei se leria, mais quem sabe um dia.
    Bjocas

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