domingo, 26 de julho de 2015

O Livro dos Negros de Lawrence Hill.


Título: O Livro dos Negros.
Autora: Lawrence Hill.
Editora: Primavera Editorial.
Número de páginas: 408.
Ano de lançamento: 2015.
Cortesia da editora.

Sinopse:

O Livro dos Negros conta a história de Aminata Diallo, uma das personagens femininas mais fortes e marcantes da ficção contemporânea. Aminata foi sequestrada, ainda criança, na África, e vendida como escrava na Carolina do Sul. Após a Revolução Americana, ela foge para o Canadá e escapa da vida de escrava para tentar uma nova história em liberdade. O livro traz uma história que nenhum ouvinte e nenhum leitor esquecerão. O nome “O Livro dos Negros” se deu devido ao documento histórico, mantido por oficiais navais britânicos, ao fim da Revolução Americana. O documento oficializou os negros que serviram ao rei na Guerra e fugiram para Manhattan, no Canadá, em 1783. Apenas os negros que estivessem no Livro dos Negros poderiam escapar e conseguir sua liberdade. Aminata Diallo percorre toda uma longa trajetória com a finalidade de conseguir entrar no livro dos negros e conquistar sua liberdade. A obra, marcante e inesquecível, tornou-se uma miniserie de sucesso nos Estados Unidos. Dirigida e escrita por Clemente Virgo (The Wire) e protagonizada pela atriz Aunjanne Ellis e Cuba Gooding Jr., vencedor do Oscar em 1996.
Opinião:


O livro dos negros retrata a história do povo africano que foi retirado do berço da sua cultura, do seu habitat, para torna-se escravo na Europa.

Mais especificamente, o livro conta a história de Aminata, jovem africana que foi traficada para o EUA colonial juntamente com milhões de africanos.

A narrativa é descrita pelo olhar de Aminita, que relata todas as atrocidades que o seu povo viveu, em uma época que os negros eram levados para os mais diversos cantos do mundo para tornarem-se escravos de brancos. 

Através de navio negreiros, conforme informado no livro, os africanos eram transportados em condições subhumanas para tornarem-se escravos. Aqueles que atravessavam o Oceano já poderiam considerar-se vencedores, porém, muita coisa ruim ainda estaria por vir.

Aminata sofreu abuso sexual, apanhou, teve seu filho vendido, perdeu aqueles que ela mais amava, mas manteve-se forte. Uma jovem com uma inteligência aguçada, sempre aprendera rápido as coisas. Era parteira, lia e escrevia.

Porém, um branco, mais especificamente um judeu, mudará a história dessa menina que tornou-se símbolo do fim da escravidão pelos aboliocionistas (brancos). 

Ela conseguirá sua liberdade, voltará para o continente africano, porém, ao descobrir que seria novamente vendida como escrava foge da ilha de Serra Leoa e vai para Londres para lutar juntamente com os Abolicionistas pelo fim da escravidão.

Assim, esse é um pouco da longa história dessa garota, que tornou-se uma mulher culta, referência de inteligência, que lutou com todas as suas forças pela sua liberdade.

Por fim, para aguçar mais ainda a vontade de ler, O livro dos Negros, é uma ficção que em algumas partes o autor usou fatos reais, que faz com que possamos mensurar o tamanho do sofrimento sofrido pelos negros escravizados.


Os homens não conseguiam ficar em pé a menos que se inclinassem, acorrentados aos pares, no corredor estreito por onde eu passava. Em suas pranchas ásperas, não havia espaço para sentar. Alguns estavam deitados de bruços, outros de frente. Estavam algemados pelo tornozelo, o direito de um com o esquerdo de outro. Através de orifícios nesses ferros corriam correntes tão curtas que, com o consentimento de um dos homens, seu parceiro conseguia mover-se apenas alguns centímetros em direção ao balde em forma de cone, que coletava os excrementos.
Perto da plataforma, havia um grupo de africanos; alguns mal conseguiam ficar de pé, enquanto outros tinham pus saindo das feridas nas pernas. Parecia que para cinco deles o beijo da morte seria muito bem-vindo. Senti um nó na garganta, e olhei para o chão, evitando cruzar meu olhar com o deles. Eu estava alimentada, e eles não. Tinha roupas, e eles, não. 
Jurei não dar-lhes o prazer da minha dor. Mas, na minha vez, rendi-me à sua rudeza e seu fedor. Arrastaram-me para o local da marcação. O ferro de marcar era curvo, como um inseto gigante. Quando o levaram na minha direção, defequei. Miraram um dedo acima do meu mamilo direito e pressionaram-no contra minha pele. Senti o cheiro da carne queimando.

2 comentários:

  1. Que capa sensacional! Eu não conhecia o livro e ao começar sua resenha, estava achando que era uma história real. E podia ter sido, né? Parece ser bem forte, porém muito realista. Acho que me emocionaria lendo esse livro, tanto pela tristeza que a Aminata passou, mas também pela conquista a qual fez parte. Parece um livro digno de 5 estrelas mesmo.

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  2. Fédon!
    Gosto quando o autor usa fatos reais inseridos na ficção porque dá maior credibilidade a história.
    Aqui me parece que a protagonista, após muito drama na história, consegue superar as dificuldades...
    Muito bom!
    “Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida.”(Desconhecido)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
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