quinta-feira, 9 de julho de 2015

Resenha Eu Estive Aqui de Gayle Forman.


Título: Eu Estive Aqui.
Autora: Gayle Forman.
Editora: Arqueiro.
Número de páginas: 240.
Ano de lançamento: 2015.
Cortesia da editora.

Sinopse:
Quando sua melhor amiga, Meg, toma um frasco de veneno sozinha num quarto de motel, Cody fica chocada e arrasada. Ela e Meg compartilhavam tudo... Como podia não ter previsto aquilo, como não percebera nenhum sinal? A pedido dos pais de Meg, Cody viaja a Tacoma, onde a amiga fazia faculdade, para reunir seus pertences. Lá, acaba descobrindo muitas coisas que Meg não havia lhe contado. Conhece seus colegas de quarto, o tipo de pessoa com quem Cody nunca teria esbarrado em sua cidadezinha no fim do mundo. E conhece Ben McCallister, o guitarrista zombeteiro que se envolveu com Meg e tem os próprios segredos. Porém, sua maior descoberta ocorre quando recebe dos pais de Meg o notebook da melhor amiga. Vasculhando o computador, Cody dá de cara com um arquivo criptografado, impossível de abrir. Até que um colega nerd consegue desbloqueá-lo... e de repente tudo o que ela pensou que sabia sobre a morte de Meg é posto em dúvida. Eu estive aqui é Gayle Forman em sua melhor forma, uma história tensa, comovente e redentora que mostra que é possível seguir em frente mesmo diante de uma perda indescritível.
Opinião:

Quando Cody recebe um e-mail da melhor amiga não leva imediatamente a sério, mas acontece que era real.

Meg programou seu suicídio, o local, o veneno, arrumou suas coisas para facilitar a locomoção para quem fosse buscá-las e programou o e-mail com atraso para sua melhor amiga e seus pais.

Sinto informar que precisei dar fim à minha própria vida. Estou adiando esta decisão há muito tempo, e ela é minha e de mais ninguém. Sei que isso lhe causará sofrimento, e lamento que seja assim, mas saiba que eu precisava acabar com a minha dor. Não tem nada a ver com você, mas tudo a ver comigo. Não é culpa sua. Meg.
Por sua vez, Cody está com uma mistura de culpa, raiva e saudade. Culpa, pois havia se afastado da amiga desde que ela passou na universidade e Cody foi deixada para trás na pequena cidade onde viviam. Raiva, porque Meg nunca havia dado sinal de querer se suicidar e não recorreu a ela, até onde conhecia Meg? E saudade, já que esta morreu.

Cody acaba recebendo a missão de ir busca as coisas de Meg onde esta morava, conhecendo assim os colegas dela e também o ex-amigo que ficou uma vez com a garota e é dessa forma que começa a descobrir várias coisas a respeito da melhor amiga que não fazia ideia.

Eu não havia criado expectativas nenhuma sobre a obra e por isso me surpreendi muito, positivamente. Forman te faz viver na pela de Cody, mostrando o horror que fica para quem gostava da pessoa que se suicidou e a necessidade  de achar uma resposta.

Ao mesmo tempo a autora trás os grupos que apoiam suicídios na internet, onde falavam o oposto do que a pessoa precisava ouvir para melhorar e incentivam esta a se matar, dando dicas de como fazer e que meio usar.

Nunca havia parado para analisar essa questão, mas o livro te faz refletir, são pessoas que estão passando por um péssimo momento e devemos ajudá-las, pois com certeza tem pessoas doidas que estão tentando o oposto.

O mais triste é que a história surgiu na mente da autora depois de entrevistar uma família que perdeu uma filha jovem dessa maneira, e Forman ficou se perguntando o que teria sido dessa garota se não tivesse feito isso.

Na sua nota, no final do livro, a autora deixa um site de ajuda, quando estiver depressivo ou pensando nisso, pode acessar e conversar por voz ou chat com pessoas que irão lhe ouvir, o site é http://cvv.org.br/site/divida-com-a-gente.html.


Adorei o livro, pois trás todo esse assunto pesado de uma maneira que vai entender mais sobre ele enquanto a leitura flui, claro que existe dentro um romance, mas até ele prova a dificuldade em se superar a morte de uma pessoa amada.

Eu gostei da capa, pois combina com o livro, imagens de Cody, Meg e Ben e o título da obra também se mostra perfeito.



Em um determinado momento, Ben protege os olhos e olha para além das luzes do palco, como fez da primeira vez que o vi tocar. Mas, desta vez, tenho a nítida impressão de que está realmente procurando por mim.
Tree tinha razão ao dizer que Meg foi deixada na mão. Mas não foi ela quem fez isso. Fui eu. Eu deixei Meg na mão em vida. Mas não a deixarei na mão na morte.
Releio as respostas. O tom é tão casual que é como se estivessem dando conselhos sobre como consertar um carburador. Fico tensa e sinto o estômago embrulhar. Não sei se essas pessoas tiveram algo a ver com Meg. Não sei se o autor da postagem pretendia mesmo se matar ou se chegou a tanto. Mas de uma coisa eu sei: não é tão simples "se recuperar" desse tipo de coisa.
E vê que todas aquelas coisas que achava tão importantes que fossem ditas, na verdade, não eram. Simplesmente não valia a pena dizê-las.



3 comentários:

  1. É incrível como os livros da Gayle são intensos, né? Eu só li "Se eu ficar", mas pelo que leio nas resenhas, todos os livros dela são tristes, porém reflexivos de alguma forma. O tema desse em especial, é realmente bem pesado. Não é em qualquer momento que podemos ler esse tipo de livro, né?

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  2. Cath!
    Pelo visto a autora conseguiu transformar um assunto pesado como o suicídio em um livro policial bem escrito e interessante.
    A realidade traz inspiração de uma forma que nem imaginamos, né?
    “Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido.”(Fernando Pessoa)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
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  3. Muitas vezes a falta de uma expectativa nos trás uma leitura prazerosa, e parece que este foi o caso. Eu gosto da forma como a autora escreve, mas não li este dela ainda.
    Bjs, Rose.

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