terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Resenha O Sincronicídio.


Título: O Sincronicídio.
Autor: Fábio Shiva.
Editora: Caligo.
Numero de Páginas: 520.
Ano de Lançamento: 2013.
Cortesia do autor.
Sinopse: Esta é uma história que vai desafiando o leitor aos poucos, matreiramente, conquistando primeiro sua confiança antes de conduzi-lo a voos cada vez mais altos da imaginação. O SINCRONICÍDIO é um romance policial à sua maneira, que consiste em misturar todas as outras: as refinadas charadas do whodunit são apresentadas em meio a truculentas cenas noir, e o clássico mistério do quarto fechado é servido de modo a atender ao gosto moderno pela escatologia. Ocorre que esta é uma obra de muitas camadas, múltiplas possibilidades de interpretação. Não é exagero afirmar que nunca antes uma história policial foi contada dessa maneira. Quanto ao estilo, a narrativa segue o padrão essencial do folhetim, finalizando cada segmento do texto em suspense, de forma a instigar o leitor a prosseguir com a leitura. Quanto à estrutura, este é um livro que escapa aos padrões, ao se propor como interseção literária entre dois ricos universos semânticos: o xadrez e o I Ching. O SINCRONICÍDIO é dividido em 64 capítulos apresentados fora da sequência numérica, cada qual representado pelo correspondente hexagrama do I Ching, o Livro das Mutações, milenar oráculo chinês. O hexagrama é apresentado ao início do capítulo em uma engenhosa adaptação para o xadrez, que substitui as linhas yang e yin pelas casas brancas e negras do tabuleiro, sinalizando as linhas móveis através de peças que ocupam as respectivas casas. O resultado são verdadeiros “poemas enxadrísticos”, uma curiosidade a mais para o leitor comum e um deleite para os entusiastas do Jogo dos Reis. O livro estruturado dessa forma, ao mesmo tempo em que propicia ao leitor uma apresentação original e atraente para a sua história, revela também afinidade com um alto anseio literário: expressar, através do romance, a totalidade da vida em sua complexidade. Pelo mesmo motivo, à semelhança de obras como Ulisses de James Joyce e Mrs Dalloway de Virginia Woolf, a história toda acontece em um único dia, o dia do Sincronicídio.
Opinião:

O livro é extenso e mistura os nossos pensamentos, numa sequencia de fatos, tem que ficar sempre prestando atenção no que estamos lendo para não perder nenhuma informação importante.

A leitura para mim foi bem demorada, pois além de o livro ser grande as letras não são do tamanho padrão de leitura, e sim menores, o que realmente me desanimou quando o recebi, pois torna a leitura cansativa.

As páginas são bem ilustradas conforme é citado na sinopse, um visual bem diferente para um livro, com pequenas sacadas do jogo de xadrez, com o qual não tenho intimidade nenhuma.

O que me desestimulou foi o jeito da narrativa... Toda o livro é narrado em um dia só, então na minha opinião não precisava ser tão longo. E outra coisa, o passado e o presente dos personagens são contados simultaneamente enquanto ele está numa determinada cena do livro começa a lembrar do passado e assim as duas histórias se misturam, porque pulamos imediatamente pro passado e do mesmo jeito, quando o autor acha que é suficiente o que descobrimos com aquela lembrança, voltamos pro presente. Isso realmente me incomodou porque a história não foi contada em sequencia. 

Óbvio que isso foi feito propositalmente pelo escritor, mas isso me tirou o encanto da leitura. E outra, o livro é uma verdadeira "suruba" entre homens e mulheres... homem x homem - mulher x mulher... mais de dois no mesmo ato... O que me deixou muito desconfortável lendo. Não sou puritana, mas é que tudo tem um limite entre o confortável e o nojento para se ler. Vocês já devem ter reparado bem o que achei do livro, então vou resumir um pouco da história...

Fui apresentada ao detetive Teixeira, um dos melhores investigadores de Rio Branco, que já solucionou vários assassinatos, e nesse dia nada foi diferente, quando ele chega a delegacia é encaminhado para um duplo suicídio num motel, chegando lá começa a investigar e juntar fatos, pelos quis termina se convencendo que aquela cena é uma armação: não se trata de suicídio e sim de assassinato. 

E reunindo todas as pistas, ele encontra algumas semelhanças com um outro caso que investigou há anos atrás. Então sai numa busca pelos assassinos que ele conhece muito bem quem são, pois já teve a oportunidade de ouvir o depoimento deles, só não entende o que motiva os crimes.

No andar da investigação ele descobre uma sociedade secreta (A Fábrica), da qual os assassinos fazem parte, e de onde saiu a ordem para as mortes. E então coisas "estranhas" começam acontecer, ele descobre que as pessoas dessa sociedade tem implantadas no ultimo osso da coluna uma moeda chinesa e ela vária (cobre, prata e ouro) de acordo com o grau e com o tempo da pessoa na sociedade. Todos começam com a moeda de menor valor e são ¨criados¨por alguém de classe maior. Essas moedas podem controlar as pessoas como marionetes, e se tornam pessoas fúteis que só pensam em dinheiro, sexo e crimes.

Teixeira está se infiltrando no meio dessas pessoas que querem recruta-lo, será que eles iram conseguir? A única coisa que posso dizer pra vocês é que o livro é todo narrado pelo próprio assassino do detetive, mas dentre tantos mistérios, porque será que ele vai ser morto? Porque finalmente conseguem que ele entre para a fábrica ou porque ele consegue acabar com essa sociedade do crime?



“Para que o enredo funcione, contudo, resta ainda que alguém se apresente. Esse alguém deve representar, necessariamente, a força igual e contrária à força do herói. É preciso que exista, em resumo, o antagonista. Somente ao enfrentar seu adversário é que o herói se justifica.
Pois muito bem, para cortar caminho: esse alguém sou eu. Eu, o narrador. Eu, o observador onisciente. Eu, o adversário. Eu. Eu. Eu.
E é por isso que me propus a contar essa historia, a história do ultimo dia de Alberto Teixeira. Porque essa também é a minha história.”

24 comentários:

  1. Sobre essa narração "multi-temporal" embaralhada, eu até acho legal, é um pouco difícil de acompanhar a leitura, mas ajuda na trama. Semana passada terminei Battle Royale, e o livro também tem essa leve embaralhada, pois é contado pelo ponto de vista de vários personagens, cada um com sua história e seu passado.
    Já sobre a questão dos sexos, comentei com um amigo esses dias como tudo que tenha uma temática "tensa" no Brasil parece apontar sempre pro sexo. Um filme, uma série ou até mesmo um livro precisa ter ao menos uma cena de sexo, de preferencia selvagem ou violento, pra dar mais impacto.
    Não entendo o porque disso, alguns autores até conseguem fazer virar natural, mas é raro, maior parte das vezes é algo forçado e sem influencia nenhuma na trama.

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    1. Flávio, realmente me senti constrangida com algumas cenas impostas pelo autor. Isso torna a leitura muito complicada.

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  2. Letras pequenas me desanimam muito! Além de cansar muito as vistas, parece que torna tudo mais chato... odeio isso!
    Abs.

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  3. Letras miúdas com um enredo deste não dá muito certo, com certeza fica cansativo.
    Bjs, Rose

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    1. Foi uma aposta muito alta a do autor... não me cativou... :*

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  4. Eu até que achei o livro bem interessante, pois me amarro nesse gênero. O problema é que não gosto muito de livros extensos e com letras pequenas não ajudam muito. O que me incomoda também é esse "samba do crioulo doido" com o tempo. Se o autor conseguir fazer um bom trabalho, tudo bem, caso contrário, fica complicado de se acompanhar.

    @_Dom_Dom

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    1. Samba do crioulo doido, asauhsauhas muito boa a comparação... mas é exatamente o que você disse, se tornou complicado a leitura.

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  5. Pri!
    Livro é questão de identificação e entendo demais seu ponto de vista.
    Na minha opinião gostei da inteligência de como o livro foi escrito, uma trama bem intrincada e um mistério a ser resolvido.
    Quanto ao sexo... bem, como falei é uma questão bem pessoal, uns não acham nada demais, outros tem uma visão mais pudica e se chocam.
    Agora as letras realmente são difíceis de serem lidas, foi o maior pecado do livro.
    Sucesso Fabinho!
    Desejo uma maravilhosa semana!!
    Cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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    1. Bju Rudy, sempre adoro seus comentários... E como eu mesmo disse, não quis bancar a pura, mas é que tem coisas que realmente passam dos meus limites morais.

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  6. Não importa se as letras são pequenas... se o livro for bom, não é prejudicado. Sofri por anos com as leituras dos livros do Stephen publicados pela objetiva... e nunca deixei de ler haha. Bom, eu gosto do gênero, talvez a sua falta de intimidade tenha a "amedrontado" um pouco... eu fiquei curiosa para conhecer essa narrativa mais a fundo.




    beijos,

    Amy - Macchiato

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    1. A história em si, da investigação me deixou muito animada em ler o livro, a questão de ser muito puxado as relações sexuais é que deixaram a desejar na leitura.

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  7. Nossa, tantas páginas pra um dia só de história. Não me atraí muito pelo livro, primeiro por conta dos pontos que você levantou e também a história em si não me chamou a atenção.

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  8. Pri, que estranho isso. Um livro todo narrado em apenas um dia. Eu nunca tinha visto isso, mas sei lá, né. Uma curiosidade que me bateu em ler o livro, mas não iria com tanta sede ao pote.

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    1. É um livro pra ir devagar mesmo... Aceitando a história aos poucos... :D

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  9. Hey
    Achei o livro interessante e bem estranho ao mesmo tempo. Não gostei do fato de a letra ser pequena. Mas, acho que vale a pena ler o livro.

    abs

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  10. Realmente não é um livro que leria =/
    Tem vários pontos negativos, como o fato de ter muitas cenas de sexo, eu não gosto disso =/ A história não me chamou a atenção.

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    1. Não tenho nada contra cenas de sexo, desde que sejam bem contadas... E essas me deixaram muito desconfortável. Não por existir o sexo gay, mas pelo jeito em que ele é narrado.

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  11. Oi
    Confesso que já não gostei muito da sinopse... Estranho um livro tão longo se passar em um só dia, até gosto dessas voltas ao passado, mas quando tem demais acaba ficando cansativo. Enfim, a leitura não me interessou.
    Bjs

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