quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Resenha A garota que tinha medo.


Título: A garota que tinha medo.
Autor: Breno Melo.
Editora: Chiado.
Numero de Páginas: 280.
Ano de Lançamento: 2014.
Cortesia do autor.

Sinopse:
Marina é uma jovem que faz tratamento para a síndrome do pânico. Às voltas com o ingresso na universidade, um novo romance e novas experiências, Marina tem seu primeiro ataque de pânico. Sua vida vira de cabeça para baixo no momento mais inapropriado possível e então psiquiatras e psicólogos entram em cena. Acompanhamos suas idas ao psiquiatra e ao psicólogo, o tratamento farmacológico e a psicoterapia. Ao mesmo tempo, conhecemos detalhes de sua vida amorosa e sexual, universitária e profissional, social e familiar na medida em que elas são marcadas pela síndrome. Um tema atual. Uma excelente obra tanto para conhecimento do quadro clínico como entretenimento, narrada com maestria e de uma sensibilidade notável.
Opinião:

A garota que tinha medo conta a história de Marina, uma garota que estudou muito para os vestibulares, namorava garotos que conhecia pela internet, aprontou na faculdade e... tinha crises de pânico.

O livro começa quando ela ainda não tinha crises de pânicos e demonstra o que na sua vida a levou a ter, além disso a obra é escrita como se fosse ela que tivesse contanto depois de ter superado as crises.

Eu achei um bom livro, pois consegue transmitir o que deve ser as sensações pelas quais a pessoa passa, durante a crise e depois da crise, não tendo sido "editado" para ficar mais light, falando até da vontade de ir ao banheiro que ela sente após os episódios.

Além de falar sobre a crise em si, também mostra como as pessoas em volta lidam com isso, algumas ainda sendo muito preconceituosas.

Eu dividiria o livro em alguns pedaços: vida da Mariana antes das crises de pânicos - vida da Mariana quando começa a ter e não sabe o que é - quando ela descobre o que é e não começa a se tratar - quando começa a se tratar - e o depois, quando já melhorou.

O maior problema do livro para mim foi a própria Mariana, pois ela é aquela garota "crente" de igreja, "Deus vai me salvar" e tem muito de coisas religiosas no livro, porque ela se apega a isso, pessoalmente, eu detesto religiões, acredito que você pode acreditar em Deus, mas não no que pessoas humanas falam, então isso me incomodou muito na leitura.

Mas no tópico que foi retratar a vida de alguém com síndrome de pânico acredito que o livro se desenvolveu muito bem, digo acredito, pois eu mesma não tenho a crise para poder afirmar.

O material do livro não é aquele que aparenta ser duradouro, e a capa eu tive uma relação de gosta x não gostar, quanto a diagramação está muito boa.


O fato é que não nos contentamos em quebrar a cara uma única vez, e procuramos novas oportunidades de cometer os mesmos erros. Somos repetitivos em nossas ações, ainda que cada ação pareça nova devido às variantes. Em essência, nossos atos se resumem a meia dúzia. Deve ser por isso que marquei mais um encontro com um rapaz indiscutivelmente belo, que talvez não voltasse a me telefonar no dia seguinte ou quando afinal se cansasse de mim. Eu queria quebrar a cara mais uma vez e talvez apenas por sorte não a quebrasse.
O carro era dela, não meu. Eu o havia apanhado às escondidas e tive a sensação de ter furtado uma carteira. Embora contasse dezoito anos, diante de minha mãe era como se tivesse nove. Ela me sufocava com cobranças e eu procurava lhe agradar, mesmo que fosse com prejuízo de mim mesmas. Assim fui crescendo sem perceber e assim cresci. Eu mal me via como um ser à parte, com necessidades e vontades próprias. Eu era um braço ou uma perna de minha mãe, que ela comandava. Mas o desgaste desse braço ou perna era meu.
Joana, Maitê e eu começamos a ajudar com a Biblioteca Paulo VI. Era nossa "penitência" e, particularmente, meu prazer. Na unidade de nosso campus, por onde começamos, estavam alguns romances que eu havia lido por gosto, romances que os alunos de Letras deveriam ler antes de tudo por obrigação. E eu até mantinha um blog literário em que publicava resenhas de livros.
Eu costumava ler os últimos lançamentos das grandes editoras. Mas aqueles que estava ali, na biblioteca, eram os clássicos nacionais e estrangeiros. Geralmente eu não me dava bem com eles, sequer com o primeiro capitulo de Dom Quixote.
Eu estava cada vez mais impaciente, irritada e chorosa. Salvo as pessoas mais próximas, que eram poucas, ninguém facilmente me tolerava ou compreendia. Eu me sentia "O Chaves do Oito" ("Ninguém tem paciência comigo"), quando na verdade precisava ser "O Chapolin Colorado" para vencer meus medos ("Não contavam com minha astúcia"). Até que uma coisa estranhíssima aconteceu comigo. Foi o mais estranho de meus dias estranhos.
Desliguei o telefone e me perguntei o quanto eu sofreria se o amasse de verdade. Ou será que já o amava verdadeiramente sem me dar conta? Eu era péssima para chegar a qualquer conclusão em definitivo, porque estava sempre remoendo isto ou aquilo e costumava ver o pior lado das coisas.
Nos despedimos pela segunda vez e finalmente sai de seu consultório. Por algum motivo, eu confiava nele. Era um homem idoso que usava bengala, mais velho que o Dr. House e menos mal-humorado; e fazia questao de se levantar sempre que eu entrava pela porta ou nos despedíamos.

20 comentários:

  1. Cath's, eu gostei da temática do livro. O li tem um tempinho já, mas consigo lembrar de cada frustração de Mariana. Uma pena que você não tenha gostado tanto.
    Não me lembro se a personagem é Marina, mas acho que é Mariana mesmo. É porque você disse Marina no início hahaha.

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    1. Acho que é Marina, rsrs.
      Eu gostei da temática e de como o autor aborda, mas certas coisas da personagem me irritou.

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  2. Oie
    Não conhecia o livro, apesar da temática diferente não chamou minha atenção, talvez por ser detalhista demais. Não enho muita paciência com livros assim...
    Bjs

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  3. Hey, Cath's!
    Não gostei muito da capa do livro, acho que poderiam ter caprichado mais. A história não me envolveria tanto, mas seria bom para o meu auto conhecimento, já que não tive, nem convivi e nem conheci pessoas com tal problema. O livro me parece gênero de superação. Não li nenhum assim. Na verdade, já tentei ler e não gostei.
    Obrigada pela dica!!

    Abs

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    1. Sim, podiam ter feito uma capa bem melhor acho.

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  4. Ah, eu gostei da sua resenha e da sinopse porém a capa é horrível! Eu gostei do tema, da história em si, parece me prender bastante e gostaria sim de adquirir este livro! Bjs

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  5. Eu já li um outro livro do autor, mas não gostei muito. Este parece ser melhor, vou anotar o nome para ver depois.
    Bjs, Rose

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  6. A capa não é das melhores. A trama, apesar de tratar de um tema interessante, não conseguiu me chamar a atenção para lê-lo no momento. Quem sabe em um futuro bem distante, né?!?!

    @_Dom_Dom

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    1. Sim, temos etapas até para leituras, rsrs.

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  7. A capa ta bem feinha. O tema do livro é bem interessante, tenho até uma amiga que sofre disso e me fez pensar aqui.

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    1. Tive um amigo que sofria disso também, mas ele melhorou consideravelmente.

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  8. O tema é bem complicado, já passei por isso e sei o quanto é difícil. Talvez eu tivesse um pouco de receio de ler justamente por ter tido algumas crises no passado, porém, elas tinham um motivo real. Em alguns casos, não existe motivo real e o tratamento é bem complicado. Quem sabe num futuro, eu me entregue a narrativa, ai eu te conto o que achei :D

    beijos,

    Amy - Macchiato

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    1. Que bom que melhorou e foi só por um tempo Aymée.

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  9. Não é meu tipo de livro, não curto esses dramas meio auto-ajuda.
    Mas achei interessante as referências ao Chaves, Chapolin e House, faz o leitor se identificar e sentir mais forte o realismo ao colocar elementos cotidianos na trama.
    Sobre a capa, realmente ela é bem fraquinha.
    Acho que essa é uma das poucas vezes que te vejo dar menos de 4 pra algo.

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    1. Ah, eu tenho uns na fila de não parceria que comprei e não gostei muito, mas dai enrolo para ler, pois acabo lendo os melhores, por isso que as notas em maiorias são boas.

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  10. Cath!
    Abordar um tema como a Síndrome do pânico é bem esclarecedor, porque podemos aprender os sintomas e as formas como deve ser o tratamento.
    Meu questionamento ou dúvida, fica por conta da cura no caso da protagonista do livro, justamente por envolver questões religiosas.
    Cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  11. O tema do livro é bem sério, e precisa ser trabalhado com cuidado.
    Parece uma leitura interessante, não sei se leria no momento, ... mas valeu a dica.

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