sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Cine FB. - Os Cavaleiros do Zodíaco: A Lenda do Santuário.





Título: Saint Seiya - Legend of Sanctuary.
Título PT: Os Cavaleiros do Zodíaco - A Lenda do Santuário.
Duração: 93 minutos.

Sinopse:
Na luta para defender Atena e colocá-la em seu lugar de direito, os Cavaleiros de Bronze lutam para superar o Mestre do Santuário e os poderosos Cavaleiros de Ouro, guardiões das 12 casas.
Opinião:

Buenas, aqui estou eu para comentar um filme que destruiu minha infância.
Eu tenho 24 anos, sou da geração que assistiu Saint Seiya (ou Cavaleiros, como preferirem) na extinta Manchete, muito antes do pessoal imaginar o que eram animes e mangás. Então quando saiu ano passado (ou 2012, não lembro) a notícia de que a obra ganharia um filme eu fui um dos primeiros a comemorar, ainda mais quando anunciaram que ele abordaria o arco do santuário e seria exibido em vários países, incluindo o Brasil.
E eis que chegou a data, e já vamos começar com o primeiro grande problema: os cinemas. Assim como aconteceu com o Dragon Ball em 2013, os cinemas simplesmente (com o perdão da expressão) cagaram para o filme. Dos principais shoppings de Porto Alegre, apenas 4 passavam o filme, cada um com apenas 2 sessões, e filmes após as 18h (uma tinha o filme as 23h). Quem leva o filho no cinema de noite?? Filmes infantis devem passar durante a tarde. Aparentemente a baixa bilheteria da primeira semana obrigou os cinemas a mudarem os horários, passando ele para a tarde.
Outro problema é que o filme não foi passado em 3D em nenhum cinema. Quem costuma assistir filmes em 3D sabe que a diferença entre um filme criado para esse tipo de projeção é diferente do normal. Algumas cenas pediam o 3D para darem o efeito que queriam. Mas ok, essa parte é mais um gosto particular que um grave problema, embora aponte um certo descaso realmente.

Deixando esse problema com os cinemas, vamos para o filme.

Quem gosta de animes e mangás sabe que o arco do santuário de Saint Seiya é considerado um do maiores (se não o maior) arcos de toda a história. O enredo e o motivo são perfeitos e as batalhas épicas. E a produção de um filme sobre ele poderia ser considerado um acerto. Porém como colocar em um filme de 90 minutos uma história que corresponde a 73 episódios (de 114) e 18 volumes (de 28)??
O inicio começou promissor, a bela arte do filme é bem impressionante e a fuga de Aioros é uma cena impactante. Mas não demora muito para que as boas cenas comecem a dar espaço para aquele tipo de defeito buscando um público bem infantil, com algumas piadas bestas e até mesmo em momentos desnecessários.
Mas não era nada preocupante ou que incomodasse muito, até que o filme começa a deslanchar e chegamos na casa de Touro. Deste ponto em diante você pode levantar da poltrona e sair do cinema, porque o filme é estragado completamente.
O primeiro grande defeito é que eles cortaram as partes mais importantes do anime. A casa de Gêmeos, a lendária luta entre Shaka x Ikki ou as batalhas do Shura x Shiryu e Afrodite x Shun, além de fazerem com que a luta de Hyoga x Kamus tenha sido terminada em segundos. Mas tudo bem, realmente algumas coisas precisavam ser tiradas ou o filme teria três horas.
Porém ai começaram as mudanças nos personagens.
Na casa de Câncer temos um fiasco com o Máscara da Morte que mais parece o protagonista maluco de algum filme do Tim Burton, quando na verdade ele era o mais cruel dos cavaleiros. Outro personagem decepcionante é o Shaka de Virgem. No original ele é apresentado como o cavaleiro mais próximo de deus, porém no filme ele não passa de mais um personagem secundário e sem graça. O último cavaleiro de ouro a ser estragado foi Miro de Escorpião, por apenas uma questão inexplicável: o Miro não apareceu. Na verdade existe um Miro de Escorpião no filme, para ser mais especifico, existe UMA Miro de Escorpião, ele foi transformado em mulher. Não me interpretem mal, só que em Saint Seiya não existem "cavaleiras", existem as amazonas que vestem armaduras de prata e utilizam mascaras cobrindo o rosto, dentre os cavaleiros de ouro, não existe nenhuma mulher. Eu sou da opinião que quando você faz uma adaptação de algo, não pode simplesmente mudar para agradar o "politicamente correto".
Mas nada é pior do que os protagonistas. Eles simplesmente destruíram os cavaleiros de bronze, principalmente os de Dragão e Fênix. Hyoga e Shun não ficaram tão destoantes, embora os produtores tenham reduzido demais os poderes deles (e eu ainda não entendi como o Hyoga morreu em Aquário e ressuscitou em Sagitário, não tem lógica). O Seiya se tornou a piada pronta do filme, no começo até é engraçado, mas depois cansa e é desnecessário. O Shiryu se tornou um personagem muito sério, dando explicações completamente sem motivo, sem contar que eles tiraram a tatuagem nas costas dele e quem conhece a série sabe que a tatuagem simboliza a vida do cavaleiro de Dragão, quando ela some significa que ele morreu, e isso foi simplesmente ignorado no filme.

Mas ai chegou o cavaleiro de Fênix e conseguiu acabar com a minha infância em segundos. O Ikki sempre foi o personagem "bad" do grupo principal, aquele que foi criado no inferno e perdeu qualquer tipo de sentimento. O cara que quando aparece na cena o espectador grita "agora vai essa bagaça!". Mas não, ele ficou desaparecido o filme inteiro, apareceu próximo ao final e apanhou em dois minutos. Sério, um cara sentado atrás de mim foi embora depois que o Ikki apareceu.
Buenas, a resenha esta ficando longa e a C vai querer me bater, então vamos ao último ponto deste fiasco: a luta final.
Ok, o Seiya chega ao Santuário e encontra o Saga lá, eles lutam e o cavaleiro de Pégasos derrota o de Gêmeos e todos ficam felizes, igual ao mangá. Mas vocês acham que depois de todas as bizarrices eles iam encerrar com chave de ouro?? Sabem de nada. Eles acabaram com o final.
Do nada aparece um monstro gigante que enfrenta os cavaleiros de ouro, então o Saga acorda e se transforma num megazorde no maior estilo "vilão dos Power Rangers" e o Seiya veste a armadura de Sagitário e fica parecendo um cavalo.
Sério, eu não sabia o que pensar daquilo tudo. Era algo tão absurdo que eu não consegui assimilar aquela cena. Em todo o universo de Saint Seiya, seja no original ou nas séries paralelas (Lost Canvas, Episodio G ou Omega), nunca havia aparecido um monstro gigante ou coisas do gênero. Então alguém me explica: porque colocar justo no filme????????
Eu sai do cinema decepcionado, não tem outra palavra para descrever o sentimento.

Nota: 0,5 / 5.

Ao menos a arte merece meio ponto, olha a comparação entre o gráfico do anime de 1986 (sim, o anime é da década de 80) e o filme de 2014. Pena que só isso ficou bom.



Seiya de Pégasos


Hyoga de Cisne
Shiryu de Dragão
Shun de Andrômeda
Ikki de Fênix
Saga de Gêmeos

4 comentários:

  1. Oi Flávio, posso imaginar sua decepção, eu sentiria a mesma coisa. A arte ficou muito boa mesmo, e quem vê a de 80, não imagina que seja antiga assim.
    Rose.

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  2. Não é nada fácil,termos tantas expectativas com algo que gostamos,e quando enfim conseguimos conferir,puf !!!
    Nos decepcionamos! :(

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  3. oi flavio!!
    eu gostei muito da imagem do filme mas infelismente nao assisti o filme ainda mas pretendo!!
    http://mergulhado-em-historias.blogspot.com/

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  4. Flávio!
    Acompanhei também os desenhos dos anos 80 e imagino qual não foi sua decepção ao misturarem 'monstro Jaspion' (kkkk) no filme.
    Bom é não ter filhos e não precisar mostrar para eles a decepção que é a versão moderna.
    cheirinhos
    Rudy

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