segunda-feira, 5 de maio de 2014

Batalhas do Novo Mundo #55

capitulo anterior





Livro 1 - Conspiração   (último arco)
Arco VI - Conspiração
Cap. 55 - Maltravan



-Quanto tempo ainda temos? -perguntou Alemão enquanto pegava uma das sacolas.
-Não sei dizer, fiquei surpresa que eles caíram. -respondeu a barda.
Albino e Claudio juntavam os corpos desacordados, enquanto Pedro e Fran amarravam eles. Alemão e Tarlian remexiam as bolsas procurando a joia.
-Aqui! -exclamou a humana. -Vamos sair daqui logo, não sei quanto tempo eles ficarão enfeitiçados. Principalmente Maltravan.
Rapidamente o grupo saiu da loja, deixando os inimigos amarrados na taverna.
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Duas horas depois, loja de instrumentos.
O sulfure foi o primeiro a acordar. Ele olhou para os lado, seus companheiros continuavam inconscientes, cada um amarrado em um canto distante. Ele próprio se encontrava preso por grossas cordas.
Sua raiva era tanta que ele arrebentou as cordas com facilidade. Aqueles malditos o pagariam, principalmente a traidora. Mas a culpa era sua, ele estava tão confiante que subestimou os poderes de Tarlian e por isso foi derrotado. Mas tudo bem, eles não escapariam tão fácil.
Ele subiu as escadas de madeira, deixando para trás seus companheiros desacordados. Ao chegar no andar superior, encontrou o vendedor também amarrado e a loja trancada. Decidiu tentar com o velho.
-Quanto tempo desde que partiram? -perguntou do modo mais afável que conseguiu enquanto desamarrava os nós.
O velho parecia assustado, talvez não confiasse no sulfure.
-Não sei dizer, estive desmaiado também.
Estava mentindo, Maltravan tinha essa facilidade em identificar uma mentira, algo relacionado a seus poderosos ouvidos e os batimentos do velho. A diplomacia não iria funcionar ali.
-Eu perguntei quanto tempo desde que partiram? - repetiu o demônio enquanto agarrava o velho pelo pescoço.
O humano engasgou enquanto era levantado pelo monstro. Seus pés não tocavam mais o solo, e o corpo insistia em pesar para baixo.
-Umas duas horas. -respondeu entre soluços.
-Ah, então você não estava desmaiado. - desdenhou o sulfure, o velho conseguiu visualizar suas presas pontudas - Para que lado foram?
-Eu não sei, não consegui ver.
Outra mentira, sua paciência já estava acabando. Com um movimento ele arremessou o velho contra a parede. O humano gritava de dor, talvez tivesse quebrado o braço direito, exatamente o braço que pelo qual Maltravan o ergueu.
-Qual lado? -a voz do guerreiro mais parecia o urro de um monstro perigoso.
-Eles atravessaram a praça, em direção ao norte. -falou o velho tremulo. -É tudo o que sei, por favor, não me mate.
Maltravan respirou fundo, não esperava resposta diferente do velho. Ele olhou para os lados, procurando por algum tipo de arma, mas não havia nada além de instrumentos inúteis.
-Você tem alguma arma velho?
O frágil humano se assustou com a pergunta.
-Não senhor, apenas materiais para bardos e viajantes.
O sulfure soltou o vendedor no chão e caminhou pela loja. Precisava pensar seu próximo passo com calma, não poderia deixá-los fugir. Ele olhou para o chão, a patética figura humana chorava no solo. Ele se ajoelhou e pegou o homem pela cabeça.
-Onde tem uma loja de armas? Me responda e eu lhe soltarei.
Um brilho de esperança percorreu os olhos do velho vendedor.
-Duas ruas para trás, tem uma loja escondida. O dono é um humano, dizem que veio de Yuden e que todas as armas são criações dele. -ele engoliu em seco, com certo receio de falar. -E então, vai me soltar?
-Claro. -respondeu o sulfure com um sorriso no rosto, com um movimento rápido das mãos ele quebrou o pescoço do velho, deixando o corpo cair morto no solo. -Soltei.
Ele se levantou, com um chute destruiu a porta de madeira. Alguns curiosos pararam, outros mais assustados correram para longe dali, mas Maltravan não ligou para eles. O sulfure deu as costas e seguiu em direção a loja de armas.
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-Sua melhor lança?
-Sim, eu mesmo a forjei quando ainda estava em Yuden. -respondeu o humano.
Bardan era um humano imponente, aproximadamente 1,90 de altura. Seus músculos eram largos, o que o tornava maior. Ele não tinha o olho esquerdo, no lugar apenas uma cicatriz vertical. Uma barba fechada cobria seu rosto, assim como os cabelos desalinhados. Ele vestia apenas um macacão de couro batido, seus pés estavam descalços e nas mãos um pano sujo parecia tentar limpa-las.
A loja estava deserta, apenas os dois guerreiros estavam dentro. Qualquer um que entrasse veria uma conversa normal entre um cliente e o vendedor. Mas não era bem assim. Desde que colocou os pés dentro da loja o sulfure sentiu uma pressão indescritível, ele se sentia uma presa acuada diante de um perigoso predador.
Bardan caminhou lentamente até a porta e a trancou. Ao lado dela tinha uma linda espada dourada presa em dois ganchos. Na lâmina havia uma inscrição em élfico que Maltravan teve vontade de decifrar. O humano a pegou e a balançou com uma maestria impecável.
-Quanto quer nela? -perguntou Maltravan mesmo sabendo a resposta.
-Não está à venda demônio. -esbravejou Bardan.
-Ok, isso já me poupa o trabalho de te matar. - provocou o inimigo enquanto girava a lança e a apontava para o humano.
O humano foi o primeiro a atacar. Sua agilidade era formidável se comparada a seu gigantesco corpo. Ele tentou uma estocada direto mirando o peito do sulfure, mas Maltravan também era ágil e com a lança desviou o ataque adversário.
Mas só nesse momento ele percebeu seu erro. O humano atacava com apenas uma mão, quando o demônio ergueu a cabeça um poderoso soco lhe acertou. O soco era forte, uma pessoa normal teria desmaiado. Decidiu então lutar mais a sério esse embate abrindo suas asas com certa violência e arremessando o humano contra a parede lateral. Com uma veloz investida, ele atacou o adversário com a lança. Só que Bardan também era ágil, e antes de receber o ataque, o humano apanhou um dos escudos da loja. Quando a lança acertou sua proteção, o humano utilizou a espada para quebra-la ao meio.
Maltravan olhou para os lados, em todas as paredes havia escudos, espadas, arcos, flechas, lanças e outros modelos de armas. Tudo perfeitamente alinhado. O sulfure deu uma risada e se afastou.
-Responda-me: estas armas estão estrategicamente posicionadas para um combate ou foi coincidência você ter caído justo ao lado deste escudo?
-Nada é coincidência demônio. -respondeu o humano se levantando.
-Gostei de você. - falou Maltravan enquanto escolhia outra lança. - E se eu lhe oferecer riquezas além do imaginável? Ou talvez armas exóticas e celestiais que você jamais cogitou existir?
O humano baixou suas armas, aquela conversa interessava. O sulfure, vendo que tinha a atenção do guerreiro, continuou.
-Se junte ao meu bando, precisamos de guerreiros poderosos.
O demônio pegou uma das lanças, largou um dinheiro sobre o balcão e caminhou em direção à rua. Mas antes de sair, deixou um último aviso.
-Estalagem Balbi Gram, em duas horas. Procure por um mago elfo chamado Salazir.
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-Acho que tomamos uma boa distância já. -comentou Claudio.
O grupo estava no meio de uma floresta próxima a entrada na divisa dos reinos de Tyrondir e Deheon.
-O que você acha Tarlian? -perguntou Pedro.
Mas a garota não respondeu, na verdade não havia dito nenhuma palavra desde que saíram da taverna.
-Você pode falar pequena, eles não tem mais como nos achar. -falou o orc se sentando. -Vamos acampar aqui.
-Acho melhor seguirmos até o Monte Palidor e buscarmos uma caverna. -falou Guigs apontando para o pico no horizonte.
-Não, levaremos um dia pelo meio da floresta, melhor pararmos aqui. -finalizou o orc. Ele então se virou para a garota e entregou uma caneca para ela beber. -Tome, vai te fazer bem.
-Obrigada. -respondeu Tarlian, mas logo depois ela ficou paralisada, como se tivesse feito a maior besteira de sua vida. -Rápido, precisamos sair daqui urgente, ele não vai demorar.
Ninguém entendeu a súbita mudança da garota. Seria louca? Resolveram obedece-la, afinal, era graças a ela que estavam vivos.
-Rápido, para dentro da floresta. -gritava Albino. -Tem algo se aproximando muito rápido,
O grupo correu o máximo que pode, mas cinco minutos depois uma ventania atingiu todos do nada.
-Acharam mesmo que iriam escapar? -esbravejou a cruel voz.
Todos sacaram suas armas, prontos para um difícil embate.
No céu, encarando o grupo de aventureiros, estava Maltravan.

Continua...
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N/R: Buenas, 55º capítulo no ar e apenas 4 para terminarmos o primeiro livro da série.

Semana passada, mais precisamente terça-feira 29, BdNM comemorou 1 ano de publicação no blog, obrigado a todos que tem acompanhado. o/

Semana que vem eu volto com o inicio da reta final.

Até lá :D

8 comentários:

  1. Oi, Flávio
    Estou começando a ler, mas pretendo chegar logo a esse capítulo. Até agora estou gostando muito.

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  2. Estava começando a ler,mas preferi parar pra poder começar do inicio e ver se a história me cativa .
    Beijos :*

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  3. Muito legal!! Vou começar do início também!

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  4. Bom falta pouco para eu começar a ler em dias os capítulos, mas eles devem estar incríveis=)

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  5. Vou ver se começo a ler, não adianta eu ler esse capitulo pq nao vou entender nada :(

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  6. Ainda não li nenhum dos capítulos, mas li por alto e achei interessante e intenso.

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  7. Ainda não li nenhum dos capítulos, mas li por alto e achei interessante e intenso.

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  8. Nossa. 1 ano já? =O Gente, que coisa mais linda... imagina a alegria de escrever algo assim por tanto tempo? Muito legal. Parabéns.

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