segunda-feira, 28 de abril de 2014

Batalhas do Novo Mundo #54




Livro 1 - Conspiração  (último arco)
Arco VI - Conspiração
Cap. 54 - A Canção da Barda



-E qual o seu plano pequena? -perguntou Morn.
Tarlian ainda não tinha parado para pensar nisso. Refletindo agora, ela não fazia ideia de como pegar a joia. Maltravan vivia com a pedra em seu poder, não retirava os olhos dela nem para tomar banho.
-Não sei. -respondeu desanimada.
-Imaginei isso. -falou o orc como se fosse um sábio diante do aprendiz. -Vai ter que ser a força.
Aquelas palavras fizeram o sangue da humana gelar, um combate era tudo o que não podia acontecer.
-Esperem, vocês não podem lutar contra eles.
-Porquê não? -perguntou Gwenh.
-Vocês não conhecem o poder deles, principalmente de Maltravan.
-Mas você não conhece o nosso também. -falou Jacques. -Temos um capitão de Tapista e um general de Tenebra, temos um professor da academia arcana e também Morn que é muito poderoso. Eu também tenho meus truques...
-O Sardo tem seus truques você quis dizer. -cortou Gwenh, e em sua cabeça Jacques teve certeza que seu alterego riu. -Desculpe esse surto de nosso amigo, por favor continue.
-Estou impressionada, vocês são um grupo formidável. Mas... -novamente seus olhos encararam os pés.
-Mas... -falou Morn visivelmente nervoso.
-Mas vocês não são páreos para eles. Talvez para os três primeiros, mas não durariam contra Maltravan.
Todos ficaram em silêncio, pensando na difícil batalha que se anunciava.
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-Onde está Tarlian? -perguntou o sulfure.
Sua voz grossa assustou os companheiros, era cedo ainda, Maltravan não costumava sair de seu quarto antes da noite. E pior, ele parecia de mau humor.
-Ela foi até um pub no centro da cidade. -respondeu Salazir sem retirar os olhos de seu livro.
-Vocês sabem onde fica?
-Próximo a praça principal. -respondeu Hamna.
-Ótimo, preparem suas coisas, estamos indo embora. No caminho passaremos por este lugar e pegaremos ela. -finalizou o demônio voltando para seu quarto.
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Thargon e Laurëa continuavam sentados na barraca de lanches, seus olhos grudados na porta da loja de instrumentos.
-Eles já estão lá dentro a muito tempo. -comentou Laurëa. -Será que não tem outra passagem?
O minotauro pensava na mesma coisa, mas então algo chamou sua atenção. Próximo a eles passou um grupo de quatro elementos. O primeiro era um elfo, visivelmente um mago por sua túnica celeste e o grimório nos braços, ao lado dele um pequeno halfling feio, vestia um poncho verde musgo que lhe cobria o corpo e os braços, havia também um troglodita bárbaro que arrastava um porrete feito com o tronco de uma árvore, era raro ver um caminhando pelas ruas, visto que essa raça odeia o sol.
Mas quem mais se destacava era o sulfure, o guerreiro parecia mais alto que Thargon e Morn, mas era tão magro quanto Vëon. O tronco nu estava coberto por espirais negras, minunciosamente desenhadas em seu corpo, vestia apenas o que parecia ser uma longa saia prateada. Seu rosto era fino, mas incrivelmente belo. De sua testa brotavam dois chifres que faziam uma leve curva em direção ao céu e em suas costas havia duas asas negras, pareciam rasgadas e corroídas, o que para um sulfure é algo de que se orgulhar.
Considerados por muitos como demônios, os sulfures foram caçados e quase extintos. Ainda hoje é raro se encontrar um caminhando tão livremente na rua. Por esse motivo se sabe tão pouco sobre essa raça, mas a única certeza que todos tem é a de que não existe no mundo um sulfure bondoso.
-Não são os companheiros dela? -perguntou Laurëa.
-São. Vamos segui-los com calma. -respondeu o minotauro.
O grupo caminhou em direção a loja sem perceber a presença da dupla de aventureiros.
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O plano já estava definido, atacariam durante a noite na estalagem que a humana havia apontado. Deveriam esperar até o sulfure e embosca-lo com o grupo inteiro, talvez desse modo pudessem escapar.
-Melhor voltarmos para preparar o ataque. -falou Morn.
Todos concordaram, mas quando se levantaram para partir uma onda de pavor tomou conta deles. Lentamente um grupo descia a escada de madeira, seus passos firmes chamaram a atenção de todos na taverna e até mesmo a banda parou de tocar.
-O que significa isso Tarlian? -perguntou a voz cruel de Maltravan.
A garota que parecia assustada segundos antes, agora mostrava um sorriso irônico.
-Ora Maltravan, não era você quem mais duvidava de minha força? Eu resolvi lhe mostrar então, aqui estão nossos perseguidores.
-Está faltando gente.
-Tem mais dois na praça. -respondeu a garota enquanto caminhava até seus companheiros. -Se eles os viram, aposto que devem descer por esta escada em breve.
Quase que imediatamente os pés do minotauro e da halfling surgiram no topo da escada. Quando chegaram ao subsolo, Thargon e Laurëa foram surpreendidos com uma pancada na cabeça.
-Tenho que admitir Tarlian, subestimei você. -falou o demônio. -Seu plano foi muito prático para nós, ousado claro, mas extremamente prático. -os olhos do sulfure brilharam em um vermelho. -Vamos ver seu poder como está.
A garota assentiu com a cabeça e puxou o banjo que levava nas costas. Uma melodia começou a tomar conta da taverna, era um som doce e relaxante. Quando a humana começou a cantar, imediatamente Jacques caiu de joelhos, segundos depois foi Laurëa.
-Ela está tentando nos fazer dormir. -gritou Gwenh.
O elfo partiu em direção a barda, mas uma barreira invisível barrou sua passagem. Ele não teve tempo de entender o que era, pois um pesado porrete lhe acertou na cabeça, acabando com o elfo de maneira rápida.
-Gwenh! -gritou Thargon ao ver o corpo do companheiro tombar morto no solo.
Imediatamente o capitão saltou em direção ao troglodita que havia atacado o elfo, mas novamente uma barreira invisível impediu o ataque.
-O mago! -esbravejou.
Mas então ele sentiu sua garganta apertar violentamente. O guerreiro olhou para trás e encontrou o halfling rindo, era como se o inimigo segurasse algo com força. Thargon precisou forçar a vista para identificar o fino fio que saia das mãos do halfling e davam a volta em seu pescoço.
-Maldito, como não consegui sentir isso. -gritava o minotauro enquanto tentava arrebentar o fio.
-Não adianta, nem mesmo um gigante conseguiria arrebentar esse fio. -falou o adversário com sua voz esganiçada.
Morn correu para ajudar o companheiro, mas um soco o arremessou contra as mesas. O sulfure se aproximou do orc calmamente.
-Vocês são fortes, devo parabeniza-los por isso. -sua voz era assustadora. -Até mesmo guerreiros experientes caíram diante da canção de calma da Tarlian. Mas vocês três não só aguentaram como também atacaram, estou impressionado.
O orc se levantou com certa dificuldade, aquele soco o deixou meio tonto. A sua frente ele viu Thargon finalmente sucumbir ao esganamento e cair no solo. Só restava ele.
-Vamos terminar com isso. -falou Maltravan como se pudesse ler os pensamentos de Morn. -Fique de pé e me ataque.
O orc se levantou e ergueu seu machado, iria atacar com tudo o que tinha. Buscou toda sua fúria e investiu contra o sulfure. O demônio desviou facilmente do machado de Morn, mas o orc com sua incrível agilidade acertou um chute no estômago do adversário. Todos pararam, aquela era a primeira vez que Maltravan era acertado.
-Chega! -falou o demônio abrindo suas asas negras.
A velocidade do adversário aumento, Morn só conseguia enxergar borrões na taverna escura. Até que ele sentiu as duas estocadas no peito, Maltravan havia usado os chifres. Lentamente o orc caiu de joelhos, a sua frente o sulfure surgiu. Nas mãos ele carregava uma linda espada de prata, ele a ergueu sobre a cabeça preparando o golpe final, para Morn não havia mais opção além de esperar. A espada desceu em um arco perfeito no pescoço do orc, o corpo morto caiu seco enquanto cabeça tombava para o outro lado. Todos na taverna riam com a situação.
Ao fundo, a música de Tarlian terminava.
Continua...
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N/R: Buenas leitores de BdNM.
Reta final de batalhas pegando fogo, agora faltam apenas 9 capítulos para o surpreendente final deste livro 1.
Vou deixar aqui os links para download de todos os pdf's dos arcos anteriores, lembrando que o download é gratuito:

Arco 1 - Vilarejo Koonji - Cp. 01 a 07

Arco 2 - Mercado dos Goblins - Cp. 08 a 13
Arco 3 - A Bela e o Prisioneiro - Cp. 14 a 30
Arco 4 - Valkaria - Cp. 31 a 42
Arco 5 - Senhores da Noite - Cp. 43 a 51
Arco 6 - Conspiração - Cp. 52 - Cp. 53

Lembrando que ao final deste livro 1, irei disponibilizar novamente os pdf's de cada um dos arcos, além de um pdf do livro inteiro. :D

Espero que acompanhem essa reta final o/
E quem estiver perdido, antes de começar o livro 2 teremos um resumão sobre tudo que aconteceu no livro 1. :D

Até semana que vem.

3 comentários:

  1. Já virou mania ficar esperando segunda-feira só pra poder ler mais um capitulo(que podiam ser maiores né ) :s .
    Não sou muito fã de mortes( merecidas ou não),mais gosto do modo como você descreve elas(da aquele friozinho na barriga).

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    1. Esse capítulo deu quase 4 páginas no word, não é pouco. ><
      Fico feliz que esteja acompanhando, esse finalzinho vai ser surpreendente. o/

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  2. Acho que no blog parece pouco porque lemos corrido e no word é mais mesmo kkk

    Gostei do capítulo, esperando a continuação *-*

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