segunda-feira, 14 de abril de 2014

Batalhas do Novo Mundo #52




Livro 1 - Conspiração  (último arco)
Arco VI - Conspiração
Cap. 52 - Retorno a Cosamhir



Já havia passado duas semanas desde que o grupo deixou Dagba. Finalmente conseguiam enxergar a grande cidade de Cosamhir no horizonte.
Porém antes de começar a busca pela pedra, eles precisavam encontrar um médico, principalmente para Thargon e Arwen. Durante todo o trajeto de volta, Laurëa utilizou o poder de ressurreição do bracelete, porém a clériga não controlava plenamente a magia e apenas foi capaz de trazer os companheiros de volta e mantê-los vivos. Entretanto sua força já estava no limite.
-Precisamos andar mais rápido. -falou a halfling sobre a carroça. -Thargon está piorando.
-O veneno da lâmina de Rathafal ainda está fazendo efeito. -comentou Albino.
-Não podemos fazer mais daquele antídoto? -perguntou Jacques sacando a espada negra.
-Não, o veneno já se espalhou demais, outra dose do remédio iria atrapalhar. -respondeu Vëon. -Infelizmente fiz o meu máximo.
Morn e Albino trocaram um rápido olhar, só tinham uma alternativa. Eles soltaram os dois cavalos que puxavam a carroça, o elfo montou um e entregou o outro para Jacques.
-Iremos na frente buscar um médico, encontramos vocês no meio do caminho.
Os demais concordaram e a dupla partiu velozmente em direção a Cosamhir.
-Precisarei de uma ajuda feiticeiro. -falou Morn.
Vëon entendeu a ideia do orc. Ele se aproximou do amigo e sussurrou algumas palavras mágicas. Encantar companheiros era uma magia básica, servia como uma espécie de motivação extra para seus amigos em uma batalha, aumentando suas forças e habilidades. O feiticeiro terminou seu encantamento e o orc parecia ter o dobro do tamanho.
Morn se aproximou da carroça e parou onde deveriam ficar os cavalos, então amarrou as cordas nos ombros e puxou o pesado veículo com toda sua força.
Vagarosamente eles seguiram em direção a cidade.
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Assim que chegaram à cidade, Albino e Jacques tomaram caminhos diferentes na busca por um médico. A cidade estava mais movimentada que da última vez que estiveram ali, conforme andavam eles abordavam as pessoas pedindo por um médico.
Não demorou muito para o elfo encontrar o que tanto procuravam. Ele cruzou a cidade até o local que tinham apontado, lá ele encontrou uma modesta cabana, até desconfiou ser o local errado, mas decidiu bater. Um senhor de aproximadamente 60 anos surgiu.
-Em que posso lhe ajudar?
-Meu companheiro está gravemente ferido, precisamos de um médico.
O humano olhou o elfo durante um tempo, parecia desconfiado. Por fim entrou na cabana e buscou uma maleta.
-Vamos.
Eles montaram no cavalo e partiram em direção ao resto do grupo.
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Jacques seguia pela praça principal na busca por um médico, foi quando ele viu a linda garota ruiva cruzando pela multidão. Ele a conhecia de algum lugar, mas não sabia onde, até que Sardo lhe trouxe a resposta.
-É a garota que está com a lágrima. -falou a voz em sua cabeça.
Era verdade, como ele havia se esquecido de algo tão importante, aquela era a garota de quem o outro grupo falara na taverna.
-Vamos segui-la. -falou Sardo.
-Mas e Thargon?
-Albino conseguirá encontrar o médico. Não podemos perder a chance de descobrir onde eles estão escondidos.
Sardo estava certo, se a deixassem escapar eles teriam que começar as buscas do zero pela joia. Albino com certeza encontraria o médico. Decidiu então seguir a garota.
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Uma hora depois.
Ele abriu os olhos com certa dificuldade, sentia como se tivesse dormido por anos. Seu peito doía demais, seu coração batia de forma descompassada como se não estivesse acostumado a bater. Ele colocou a mão no peito, como se tentasse acalmar os batimentos, mas então sentiu a cicatriz.
No mesmo instante as imagens saltaram em sua cabeça, a batalha contra o elfo, a lâmina negra atravessando seu peito e a vida lhe abandonando. O guerreiro deu um salto na cama, como que esperando um ataque iminente. Mas um idoso se aproximou dele.
-Calma aventureiro, deite-se e descanse, está a salvo.
-Onde estou? -perguntou Thargon.
-Ah, vocês estão em Cosamhir. -respondeu o humano enquanto amassava algumas folhas.
-Eu estava morto.
-Ah, estava sim. Incrível o bracelete daquela garota, mas não apenas a joia, se ela não fosse forte suficiente eu duvido que pudesse trazer ambos de volta.
-Ambos?
-O druida, mas acho que você morreu antes e não sabia. -riu o velho. -Fique calmo, ele apenas quebrou o pescoço, isso é fácil de reparar. –ele então ficou sério. -Seu caso foi mais difícil capitão, seu peito foi perfurado por uma lâmina envenenada, lhe manter vivo deixou a halfling e o gênio exaustos.
Thargon ficou em silêncio, as palavras do humano lhe assustaram. O médico percebeu seu erro e tentou acalmar o minotauro.
-Calma meu caro, eu lhe conheço sim, mas como disse antes: você está a salvo.
-Como sabe de meu passado?
-Ah, Kagett ficou muito complicada depois da morte da sacerdotisa. Alguns moradores fugiram de lá, muito vieram para o reino de Tyrondir, como aquele louco que encontraram. -o humano caminhou até a estante e retirou um livro que parecia novo. -Este aqui está sendo escrito por mim, contanto sobre essa revolta dos minotauros, eu o chamo de Guerras Tauricas.
Thargon permaneceu em silêncio, aguardando a história do velho.
-Sabe capitão, durante minha vida ouvi várias histórias, mas a minha favorita é o conto que escutei de um bardo sobre o bravo soldado que tentou defender a senhora de Kagett e acabou expulso pelo seu povo.
O minotauro encostou sua cabeça no travesseiro e escutou pacientemente a bela história do velho.
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Eles já estavam seguindo a garota a quase duas horas pelas ruas da cidade.
-Cosamhir não é tão grande assim. -comentou Sardo.
-Como assim?
-Ela não parou em nenhuma loja ou taverna. Tenho certeza que sabe que está sendo seguida.
Pela primeira vez Jacques pensou nisso. A garota andava pela cidade tranquila, dobrava as esquinas aleatoriamente. Seria alguma armadilha? Mas ela não parecia carregar nada além do delicado banjo preso as suas costas.
Com esses pensamentos em sua cabeça o garoto dobrou a esquina e percebeu que estava em um beco sem saída.
-Vadia! -gritou Sardo. -Rápido, nas costas.
Jacques se virou rapidamente, mas a garota já estava com o punhal apontado para seu peito.
-Quem é você? Porque está me seguindo?
Sua voz era delicada e suave, era a mais linda que ele já escutara, nem a doce voz da deusa Tenebra era tão perfeita quanto a dela. A garota estava tão próxima, era a primeira vez que ele reparava nela, era baixinha, pouco mais de um metro e meio, mas não era uma anã e nem uma halfling, ela era humana, apenas baixinha, delicada. Mas seu rosto era decidido, firme e extremamente belo. Seus olhos eram sem dúvida sua maior marca, a dadiva que apenas aqueles nascidos em Collen são capazes de ter, olhos diferentes. O direito era lápis-lazúli, com vários pontos prateados, parecido com o céu, Jacques seria capaz de perder o tempo contanto cada uma daquelas estrelas. O olho esquerdo era verde, um verde poderoso como as florestas de Alihanna, ao redor um delicada aureola dourada delineava a íris, dando um certo ar angelical. Tudo isso somado aos volumosos cabelos em chamas, transformavam ela no mais perfeito ser que o jovem ladino já vira.
-Não vou repetir maldito, quem é você?
Sua voz trouxe o garoto de volta de seus pensamentos, ele não sabia o que responder.
-Não estou lhe seguindo, não se ache. Apenas entrei na rua errada.
-Mentira, eu sei que você estava na taverna a um mês atrás. -ela guardou seu punhal. -Também sei que você faz parte do grupo daquele orc.
Jacques deu um passo para trás, em sua cabeça Sardo soltou um palavrão, aquilo era mesmo uma armadilha? Então a guria abriu um sorriso que simplesmente desarmou qualquer dúvida na cabeça do aventureiro.

-Eu me chamo Tarlian e estive procurando por vocês durante todo esse tempo.
Continua...
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N/R: Olá caros leitores de BdNM.

Como vocês podem ver ao lado do nome do livro, chegamos enfim ao último arco deste primeiro livro. Faltam apenas 7 capítulos.

Bem, vou deixar para vocês o conto que o velho médico comentou neste capítulo. Essa história é na verdade um especial que eu escrevi uma vez e publiquei aqui (e em mais dois blogs de uns amigos). Esse conto nos apresenta o passado de Thargon e como ele foi expulso do exército de Tauron.

Quem quiser dar uma lida pode clicar aqui, é um spin-off de apenas uma parte e se chama "O Exército de Um Minotauro Só".

Até semana que vem. o/

Haag 

2 comentários:

  1. Falta pouco agora né :D

    Beijos.

    http://livrosleituraseafins.blogspot.com.br/

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  2. Que chique *-*, tem ate spin off(mesmo que eu tenha achado ele pequenininho :s ) ...
    Odeio quando o capitulo termina em uma situação como essa(o que acontece regularmente/sempre).
    Da ate pra imaginar a cena como se fosse um filme/seriado, e viesse aquela bomba segundos antes de terminar os créditos...

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