segunda-feira, 7 de abril de 2014

Batalhas do Novo Mundo #51




Livro 1 - Conspiração
Arco V - Senhores da Noite (último capítulo)
Cap. 51 - A Dama da Noite


Alguns séculos atrás.
A caravana élfica seguia abatida pela mata, em busca de algum lugar para acampar. Ninguém falava nada, a derrota ainda ecoava na cabeça de cada um deles. Principalmente do general Berforam.
O líder élfico era o mais abatido de todos. Anos servindo a deusa élfica e a proteção de Lenórienn, o bravo comandante era o maior exemplo de devoção e amor. Mas agora ele estava diferente. Seus lindos cabelos cor de ouro pareciam palha morta, seus profundos olhos verdes não transmitiam o mesmo brilho de outros anos. Quando ele finalmente falou, sua voz sempre jovial agora mais parecia um sussurro fúnebre.
-Ela nos abandonou. Ela é fraca.
Os soldados se entreolharam.
-Vamos acampar aqui. -ordenou o líder. -De nada adianta continuarmos essa viagem inútil.
Um grupo começou a erguer as barracas, enquanto outros cuidavam da fogueira e das comidas, Berforam permaneceu quieto em sua carroça durante todo o tempo. Mas tudo começou quando a comida ficou pronta.
-Obrigado pela comida, Glorienn, mãe dos elfos. -falou uma senhora idosa.
Aquilo pareceu uma bomba. Berforam saltou com sua espada em punho.
-Nunca mais repita isso. -berrou. -Ela nos abandonou. Glorienn é uma deusa patética. Onde ela estava quando os goblinóides destruíram Lenórienn?
-Mas ela mandou seu avatar nos proteger. -comentou um soldado.
-Avatar? Aquele lixo não durou nem mesmo uma hora contra Ironfist. -poucos notaram a sombra que se formava em torno do líder. -Se aquele realmente é o poder de Glorienn, então ela não é digna de nossa devoção.
Berforam caminhou decidido até a carroça dos tesouros. De dentro ele retirou uma estátua de um metro da deusa élfica, toda de prata com detalhes dourados.
-Se a deusa élfica é tão ridícula, eu me recuso a servi-la. -e com um golpe ele decepou a estátua, então ele voltou seus olhos para o céu sem estrelas e gritou. -Eu lhe amaldiçoo Glorienn, que você sofra a dor que todos nós sentimos.
Um raio cortou o céu negro e destruiu uma árvore próxima, ao mesmo tempo uma pesada chuva caiu. A aura negra tomava conta de Berforam, alguns elfos perceberam os olhos do general se tornarem negros. Então a fogueira se apagou e tudo ficou mergulhado nas trevas, não que isso seja um problema para os elfos.
-Comandante, atrás do senhor. -gritou um dos elfos.
Berforam se virou rapidamente, de trás das árvores surgia uma linda mulher. Sua pele branca era pura e destoava de seus longos cabelos tão negros quanto seu vestido. Ela exalava um aroma perturbador, algo que misturava medo com tristeza. Imediatamente todos reconheceram sua visitante.
-Não despreze quem lhe ama tanto Berforam. -falou a bela dama. -Neste momento Glorienn está aos prantos em seu reino. Vocês não conseguem compreender a dor que ela está sentindo.
O elfo ergueu sua espada em direção à mulher.
-O que você sabe Dama Negra? Todos vocês são iguais, vivem em seus planos sem voltar seus olhos para nós. -a escuridão tomava conta do elfo. -Estou mentindo Tenebra, deusa das trevas?
A deusa se aproximou calmamente do general. Ela colocou suas mãos no rosto do bravo guerreiro.
-Eu estou aqui por que me importo Berforam. Deixe-me curar suas feridas e cuidar de vocês.
Sua voz era doce e reconfortante. Um a um os elfos foram se ajoelhando diante da deusa. Tenebra permanecia em pé diante de Berforam, aos poucos o elfo se acalmava e seus cabelos dourados se tornavam escuros. Por fim o general se ajoelhou aos pés da mãe das trevas.
-Minha vida é sua, minha senhora.
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-Parem com isso Berforam. -pediu a deusa.
Morn não conseguia acreditar nisso, durante toda a jornada eles encontraram com a dama negra por diversas vezes e ele nunca a havia reconhecido. Sardo estava igualmente surpreso. Vëon e Laurëa se aproximaram dos companheiros.
-Tenebra! -sussurrou o orc. -Como nunca notamos?
-Ela não quis, simples assim. -respondeu o feiticeiro ajudando o orc a levantar.
-Ela nos enfeitiçou todo esse tempo para que não a reconhecêssemos. -completou Laurëa.
A deusa caminhou até a cadeira onde estava Berforam, o elfo se afastou para que ela se sentasse. Os olhos da deusa percorreram todos os cantos do saguão, e alguns tiveram certeza que ela via até suas almas.
-O que eu lhe falei Berforam?
-Minha senhora, a situação mudou, perdemos Rathafal e Caladon, Pytia também foi derrotada.
-Querido, você acha mesmo que eu não iria cuidar de nossos feridos?
Sua voz parecia a de uma mãe que ensina algo obvio para seu filho. Ela se levantou e caminhou até a direção de Gwenh. O elfo largou suas armas e se ajoelhou enquanto a deusa o abraçava, ele conseguia sentir uma paz inacreditável, queria aquela sensação para toda a eternidade.
-E então meu querido, o que você deseja?
Era a primeira vez que alguém lhe perguntava algo, ele também não havia pensado muito nisso. O que ele realmente desejava? Olhou para Berforam, seu mestre, aquele que o tinha ensinado tudo o que sabia. Ele se virou para seus antigos companheiros, havia criado uma afeição por eles diferente da que sentia pelos demais elfos.
-Minha senhora, eu lhe amo e devo minha devoção a você. Também sou grato ao mestre por tudo que me ensinou. -ele respirou fundo, procurando as melhores palavras. -Mas neste tempo que passei com eles, aprendi muitas coisas. Se a senhora me permitir, eu gostaria de seguir viagem com eles por mais tempo.
A deusa se afastou e voltou para o trono em silêncio. Por fim ela levantou o rosto e olhou para os outros elfos.
-Azazel, por favor, vá com Elleonora e busque os corpos de nossos amigos.
Os dois comandantes ficaram decepcionados de não verem o desfecho daquilo, mas era uma ordem direta da deusa, eles não podiam desobedece-la. Quando eles saíram, Tenebra se virou para os aventureiros.
-Se seus companheiros lhe aceitarem de volta, eu darei minha permissão. Em breve essa aventura de vocês terminará e seu lugar estará lhe esperando aqui. -a sua voz era suave como sempre, mas dessa vez havia um pouco de receio. -Agora podem ir, peguem seus companheiros mortos e partam em sua jornada.
Os aventureiros concordaram com a cabeça, eles se levantaram com dificuldade. Laurëa cuidava do ferimento no braço de Sardo, Vëon pegou o corpo de Arwen. Morn tentou carregar o de Thargon, mas estava tão ferido que mal aguentava o próprio peso. Então Gwenh se aproximou e o ajudou a carregar o companheiro morto.
Ninguém falou nada, não era preciso. O grupo estava unido novamente.
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Odisseia, Plano de Valkaria.
A deusa caminhava em direção ao palácio de Odisseia. Era noite no plano feudal criado por Valkaria, aquele reino era lindo, sem duvida era o plano mais próximo de Arton.
Tenebra entrou no grande salão leste, onde a deusa da ambição recebia suas visitas. Na ampla mesa havia mais dois deuses além da dona do palácio. A mãe das trevas se sentou próxima à mãe das magias.
-E então? -perguntou Valkaria.
-Gwenh resolveu voltar à viagem, mas a luta contra o orc foi violenta, mais alguns minutos e eu não conseguiria para-la. -sua voz era triste, como a de uma mãe que perdeu seu filho, então ela se virou para um dos deuses. -Você criou um monstro Hynnin, ele derrotou meu mais poderoso guerreiro.
-Eu falei que ele era poderoso. -provocou o deus da trapaça. -Não sei por que fui chamado aqui.
-Nós queremos discutir o que fazer sobre isso. Estamos todos preocupados com nossos discípulos. -falou Wynna
-Pois eu não estou, sei do que meu escolhido é capaz. -desdenhou ele.
-Não me provoque trapaceiro. -esbravejou Valkaria dando um soco na mesa.
-Eu não ousaria. -desdenhou Hynnin se levantando. -Tenebra já resolveu lá embaixo, pronto. Quem tiver algum problema sobre esse caso, eu recomendo que vá falar com o grande motivo disso tudo.
No mesmo instante ele desapareceu, deixando as outras três deusas sozinhas. Ninguém falou nada e quase uma hora depois Tenebra e Wynna também partiram para seus reinos.

Apenas Valkaria ficou no palácio perdida em seus pensamentos. O tempo estava acabando.
Continua...

3 comentários:

  1. Você escreve muito bem. Queria saber escrever assim :)

    Beijos.

    http://livrosleituraseafins.blogspot.com.br/

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    1. Muito obrigado pelo elogio Ana.
      Pode parecer, mas eu não tenho facilidade para escrever.
      Alguns capitulos levaram até 3 semanas para serem escritos. :/

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  2. Voltei, fiquei março inteirinho sem tempo e estou me atualizando ainda :c
    Estou toda atrasada alguns capítulos, o bom é que agora da pra ir lendo um atrás do outro...

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