segunda-feira, 10 de março de 2014

Batalhas do Novo Mundo #48




Livro 1 - Conspiração
Arco V - Senhores da Noite
Cap. 48 - Sangue e Magia



Os olhos do garoto eram cruéis, desprovidos de qualquer compaixão ou medo. Se alguém lhe conta-se, Rathafal não acreditaria que aquele era o mesmo chorão de minutos atrás. Realmente não era. Ele conseguia perceber isso, aquela era outra pessoa. Uma pessoa sem nenhum pudor.
-Cuidado! -gritou Caladon as suas costas.
O elfo voltou à realidade a tempo de evitar a lâmina que passou rente ao seu pescoço. Com um salto ele se afastou do garoto que calmamente se levantava como alguém que estava dormindo.
Uma das mãos sangrava por ter parado a lâmina da espada negra, mas Sardo não se importava com isso, ele estava livre. A outra mão segurava sua adaga de prata, um presente que recebera de Cavendish na noite em que fugiu. Ele adorava aquela sensação da frágil lâmina brincando em seus dedos, agora conseguia entender por que o demônio amava aquelas armas.
-Quem é você? -berrou Rathafal, um filete de sangue escapava de seu pescoço.
Sardo ignorou o elfo, ele encarava o brilho da bela arma em sua mão, enquanto um sorriso malicioso deformava seu rosto. Sem nenhum aviso ele simplesmente arremessou a adaga contra o elfo. Rathafal precisou se atirar no chão para evitar a lâmina que acertou uma estátua de pedra e a destruiu. O poder daquele garoto era inacreditável.
-Meu nome é Sardo. -falou o ladino enquanto se aproximava do elfo e lhe acertou um chute no rosto.
Logo depois o garoto saltou para o lado a tempo de evitar duas bombas que explodiram próximas a seus pés. Na porta Caladon parecia nervoso.
-Não se meta verme, depois cuidarei de você. -esbravejou Sardo
Era a primeira vez que Caladon via Rathafal com medo, e isso era algo que o estava deixando apavorado. Ele era conhecido como estrategista dos seis comandantes, não era um lutador como Rathafal e Albino.
-Levante-se, vamos enfrenta-lo juntos. -gritou tentando animar seu companheiro.
-Não adianta, a mente dele está apavorada. Sabe que os mais fortes e poderosos são os primeiros a perder o controle quando algo da errado? -começou Sardo, algo estava diferente em sua voz. -Você não acha Rathafal? -o elfo concordou com a cabeça. O garoto se aproximou e ajoelhou-se diante do inimigo, com as duas mãos ele segurou a cabeça do cansado elfo. -Você quer lutar não é? Quer ver o sangue de seu inimigo em sua lâmina? -Rathafal apenas concordava com a cabeça, ele realmente queria aquelas coisas. -Então vá e acabe com esse maldito que ousou nos enfrentar.
O comandante élfico virou seu rosto em direção a Caladon. Ali estava seu inimigo, aquele maldito havia invadido a casa dos elfos negros e merecia a morte. Ele se levantou, pegou sua espada e caminhou em direção ao novo oponente.
-Não fode Rathafal. -gritou Caladon enquanto sacava duas varetas de metal.
O ataque do primeiro elfo foi veloz, mas o segundo também era treinado e conseguiu segurar a pesada espada com seus bastões.
-Acorde Rathafal, o que diabos você pensa que esta fazendo? Sou...
Ele não conseguiu concluir, pois uma dor tomou conta de seu corpo, Sardo havia se aproximado e desferido um golpe próximo na costela do elfo e quando o ladino preparava o novo ataque, Caladon explodiu mais uma de suas bombas, obrigando os inimigos a saltarem para longe,
Com um chute rápido ele conseguiu acertar o atordoado Rathafal, e com uma fúria implacável partiu em direção ao humano.
Sardo tentou se proteger do ataque de um dos bastões utilizando o braço, mas no momento do contato sentiu seus ossos serem destruídos pelo pesado metal. A outra haste vinha em direção a sua cabeça, o ladino preferiu não arriscar seu outro braço e atirou-se para o lado, deixando que o bastão destruísse o solo.
-Esses bastões são finos, mas não quer dizer que são leves. Foram criados para que aumentassem minha força. -Caladon caminhava a passos firmes em direção a seu inimigo, mas algo mudou tudo, de repente Sardo começou a rir, primeiro um sorriso malicioso, depois uma gargalhada cruel. -Está maluco? Do que vo...
Novamente uma dor destruiu seu corpo, era como se sua alma tivesse se partido. Ele olhou para baixo e viu uma lâmina negra saindo de seu peito.
-Porque Rathafal? -falou enquanto seu corpo caia morto.
Sardo tentou se levantar, a dor em seu braço era horrível. Caminhou lentamente até seus inimigos, Rathafal permanecia imóvel, esperando por novas ordens. O ladino sabia que tinha pouco tempo antes que o encanto acabasse.
-Me de sua espada e se ajoelhe. -ordenou ao elfo que rapidamente obedeceu. Era difícil preparar o golpe apenas com um braço, mas mesmo assim utilizou toda sua raiva ao atravessar o peito do elfo. -Essa é por Thargon maldito.
Rathafal sentiu a dor percorrer seu corpo até acertar seu cérebro, e talvez essa dor tenha trazido o elfo de volta. Ele viu sua espada cravada em seu próprio peito, viu também o corpo morto de Caladon ao lado e seu inimigo de pé a sua frente. Uma fúria tomou conta do elfo que tentou arrancar a espada, mas um chute de Sardo cravou ainda mais a espada negra, finalizando o serviço.
-Morre diabo. -falou o garoto enquanto o corpo de Rathafal tombava. -Você está ai Jacques?
-Estou. Não acredito que vencemos. -respondeu a voz em sua cabeça.
-Nem eu. -finalizou Sardo. -Não posso deixa-lo sair agora, ainda temos uma missão a cumprir,
-Eu sei.
O garoto caminhou lentamente até a porta e com muito esforço conseguiu abri-la, revelando um novo corredor de pedras negras, mas iluminado por lindas tochas. Ele deu três passos, mas então parou e se virou, visualizando a galeria destruída, os corpos mortos de Thargon, Caladon e Rathafal. Ele voltou até o lado de seu companheiro e com muito esforço ergueu o pesado corpo do minotauro sobre seu ombro bom.
-Você vai ir até o final meu amigo. -falou para o corpo daquele que morreu o protegendo.
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-Você consegue enxergar algo? -sussurrou Laurëa.
Não, ele não conseguia enxergar nada. Já estavam caminhando a algumas horas e o corredor continuava escuro. Há algum tempo ele notara que as paredes agora eram de madeira e o cheiro se tornara mais doce. Seria um bom sinal?
-Vëon, você também escutou as explosões? -perguntou a clériga.
Ele havia escutado, alguém já estava em uma batalha. E se ele estivesse caminhando à toa? E se seus companheiros estivessem precisando de ajuda?
-Ei veja!
O grito da guerreira trouxe o gênio de volta a realidade. Eles estavam entrando em uma gigantesca biblioteca, ela deveria ter mais de três andares, todos eles cobertos por livros.
-Por Wynna, é maior que a biblioteca da academia. -falou o elfo.
-Um presente de Tenebra para seus amados seguidores. -falou uma voz feminina.
Os heróis ergueram a cabeça, no segundo andar havia uma gigantesca porta de madeira e diante dela duas lindas elfas aguardavam os aventureiros.
-Acho que o destino o trouxe aqui feiticeiro. -falou Elleonora com longos cabelos prateados e voz doce. -O prodígio da academia arcana encontrou logo as duas usuárias de magia dentro dos elfos negros. É ou não é coisa do destino.
Vëon não gostou daquilo. Uma batalha arcana seria complicada demais, principalmente contra duas conjuradoras. Ele sabia que precisava defender Laurëa, ela era a única capaz de curar algum ferido.
-Quer fazer as honras Pitya?
A elfa de cabelos curtos e verdes se adiantou. Ela começou a balançar seus braços como se estivesse tentando rasgar algo. Aos poucos algumas bolas de ar começaram a se formar próximas a garota, então ela parou. Vëon conseguiu sentir seu sangue gelar quando ela fez um movimento como se arremessasse as bolas contra os aventureiros. Uma a uma, as gigantescas bolhas partiram velozmente contra Vëon e Laurëa, mas com um movimento com sua capa o gênio dissipou as três primeiras, e com sua mão esquerda ele absorveu o impacto das outras duas.
-Apenas isso? -falou o feiticeiro. Ele retirou sua capa dos ombros, ficando apenas de regata enquanto segurava a capa na mão direita.
-Hahahaha. -riu Elleonora. -Tudo bem Pitya, você é forte, mas como sexta comandante você ainda tem um caminho a percorrer até o resto de nós. -a outra elfa corou, mas foi ignorada por Elleonora. -Não se ache quareen, agora vou te mostrar porque sou a quarta na hierarquia.
A elfa começou os mesmos movimentos de sua companheira, mas a bolas se criaram mais rápido e o ar dentro delas era mais violento. Ela então as arremessou, Vëon conseguiu bloquear as quatro primeiras, mas as outras duas explodiram ferozmente contra a dupla de heróis.
-Viu, você não pode contra mim. -riu a elfa.
Vëon estava visivelmente preocupado. Ele conseguiria vencer a tal Pitya facilmente, mas aquela Elleonora seria uma adversária mais difícil. O feiticeiro então se virou para Laurëa e algo surpreendeu o gênio. Nas mãos da garota estava se criando uma luz, que mesmo pequena já era cegante.
-Feche os olhos Vëon.
Ele obedeceu. Então Laurëa levantou-se e soltou a explosão de luz branca que cegou a todos.
Continua...
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N/R: Buenas leitores de BdNM.

Ai esta o capítulo 48, que deveria ter saído semana passada. Entretanto era feriadão, e eu só tenho internet no serviço. Ou seja, não deu pra postar.

Agora faltam 11 capítulos para o final deste primeiro livro.
Alguém ai já desconfia do final??

Até segunda que vem. o/

4 comentários:

  1. To perdida!! Comecei a ler pela metade e agora eu tenho que procurar o começo.

    Mais vou ler tudo e depois dizer o que achei.

    Beijos.

    http://livrosleituraseafins.blogspot.com.br/

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  2. Olá, bom, não é um tema que eu gosto e eu, como a amiga acima, estou meio perdida, pois já está quase no final e eu não li nenhuma das outras partes. Mas vu procurá-las.

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  3. Acho que daqui a um ano consigo acompanha os capítulos lançado, estou mega atrasada....

    Meu Mundo, Meu Estilo

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  4. Como falei, estou precisando ler do início...
    O tema é bem legal e bem escrito.

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