segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Batalhas do Novo Mundo #39




Livro 1 - Conspiração
Arco IV - Valkaria
Cap. 39 - O Primeiro Companheiro



Deserto de Tapista, três anos antes.
Ele abriu seus olhos calmamente, não sabia dizer quantas horas dormiu, mas o céu já estava escuro e o frio do deserto congelava seus ossos. A fome já estava incomodando, ele precisava encontrar algum lugar para ficar ou acabaria morrendo. Decidiu caminhar pelo deserto, com sorte encontraria alguma caravana.
Quase três horas depois ele foi capaz de visualizar uma grande luz no meio do deserto. Reuniu suas últimas forças e correu até lá o mais rápido que pode. Aos poucos a luz foi se dividindo em outras, até que o humano foi capaz de distinguir a grande construção a sua frente. Era um gigantesco circo.
Ele já não tinha mais forças para correr e ainda estava longe. Tentou dar mais alguns passos, mas desabou no solo inconsciente.
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-Oh, finalmente acordou.
O garoto se sentou. Ele estava em um quarto luxuoso, varias cortinas de seda e artefatos de ouro puro. A sua direita havia uma gigantesca janela, e sentado nela estava um halfling, alto demais para sua raça, vestindo uma estranha roupa de palhaço.
-Onde eu estou?
-Você está no meu circo. -respondeu o palhaço enquanto pegava uma pera. -Lhe encontramos desmaiado no deserto há dois meses.
O jovem não conseguia acreditar no que havia escutado. Era impossível que tivesse dormido por tanto tempo.
-Quem é você? -perguntou ao palhaço.
-Um simples mestre de picadeiro, nada de mais. -respondeu calmamente. -Mas e você? Quem és tu?
O garoto pensou se deveria ou não responder, afinal o palhaço também não havia respondido.
-Sou apenas um ladino de Valkaria. -respondeu de maneira firme.
-E bastante corajoso de me afrontar dentro de meu circo sem nem ao menos conhecer. -riu o halfling. -Sabe que já fui um ladino também? E já treinei vários outros. -o palhaço parou, fitou o jovem garoto. -O que acha de passar um tempo com a gente e se tornar mais forte.
O garoto abriu um sorriso, finalmente sua sorte estava virando.
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Quatro meses depois.
-Você tem que se concentrar seu verme. -gritou o velho com cara de mosquito. -Eu não consigo entender por que o mestre quer que você aprenda uma técnica tão difícil, se dependesse de mim, você estaria lavando o chão.
-Sem progresso Sr. Packard? -falou uma voz jovem que se aproximava.
-Ah, Cavendish. -falou o velho se sentando. -Não passa de lixo. Talvez pior, meu lixo eu consigo reciclar.
-Posso tentar? -pediu o demônio.
-À vontade, só não o mate.
Cavendish se aproximou do humano. Ele estava exaustou e machucado, não seria um bom adversário. O demônio se abaixou e encarou os olhos cansados do garoto.
-Sabe, eu odeio esses métodos antiquados. -falou se levantando.
Ele se afastou alguns metros, para em seguida voltar correndo e acertar um chute no rosto do garoto. Novamente ele se abaixou e fitou os olhos do garoto, mas por uma fração de segundo ele sentiu medo. De repente um soco acertou o demônio no rosto. Os guardas partiram em proteção a Cavendish.
-Parem! -gritou o humano enquanto se levantava.
Os guardas ficaram paralisados, alguma coisa estava estranha ali. Cavendish sorria e Packard aplaudia. O garoto sabia que estava no controle dos guardas, não podia explicar como, apenas sabia.
-Me deem armas. -falou para o primeiro, mas quando o guarda fez menção de ir em sua direção, um chute acertou o garoto pelas costas.
-Não seja tão presunçoso. -falou Cavendish, se virando para os guardas. -Ele já esta pronto, levem-no para a cela.
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Já fazia um ano que ele estava preso naquela jaula. As poucas vezes que saia era para entrar em um ringue e enfrentar outro preso. Ao todo havia lutado seis vezes, tendo vencido as últimas cinco. Mas o mais engraçado era o fato de não conseguir se lembrar das lutas, pois sempre acordava em sua jaula com os prêmios pela vitória ao seu lado.
Seu poder de controle da mente estava mais forte, mas ele só conseguia usar em guardas pequenos ou em outros presos. Havia tentado em um dos carcereiros, mas sem sucesso.
-Por Hynnin, o que esta acontecendo comigo?
-Do que você esta reclamando? -falou uma voz.
Ele levantou os olhos, não havia ninguém ali.
-Só me faltava essa, ficar louco.
-Você não está louco, eu realmente estou aqui.
O garoto finalmente percebeu de onde vinha aquela voz. Ela saía de sua própria boca.
Um dos carcereiros se aproximou, aquele com a cabeça de tigre.
-Esta falando com quem?
-Sei lá, devo estar maluco.
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-Vamos seu merda, me ataque. -gritava o carcereiro com cabeça de elefante.
La estava ele lutando novamente, era sua quadragésima e primeira luta. Estava com trinta e nove vitorias e uma derrota. Como prêmio, recebeu o direito de enfrentar o ultimo dos carcereiros e tentar ocupar o seu lugar.
A luta era desparelha, ele estava apanhando desde o começo do combate. Mais um pouco e acabaria morrendo.
-Anda maldito, lute. -falou a voz em sua cabeça. -Eu não quero morrer aqui.
Aquela voz novamente, isso já estava se tornando um incomodo.
-Quer calar essa boca. -respondeu o garoto. -Eu não posso fazer nada.
-Então sai do meu caminho e me deixe lutar.
Deixa-lo lutar? Sua loucura estava começando a piorar, até mesmo pensava ser outra pessoa agora.
Ele se levantou e viu seu adversário investir com um pesado machado em sua direção. Tentou desviar, mas a lamina o acertou em cheio no rosto, deixando um corte profundo do lado esquerdo. Neste momento ele sentiu tudo escurecer.
Agora ele estava sobre seu corpo, conseguia ver tudo o que acontecia ao redor. Viu quando seu próprio corpo desferiu um soco no elefante e depois apanhou uma espada. A luta estava feroz, mas ele estava vencendo. Mas era como se ele não estivesse lutando.
Escutou sua voz mandar o elefante ficar parado e enfiar a própria espada no peito. O inimigo fez a menção de obedecer, mas Cavendish entrou no picadeiro e segurou seu braço.
Logo atrás entrou o palhaço, sua cara era de raiva. Ele encarou o garoto nos olhos e neste momento tudo se tornou branco.
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Ele abriu seus olhos, estava novamente em sua cela. Mas do lado de fora estava Hewlett, um dos três seguranças do palhaço.
-Finalmente acordou. -falou a voz em sua cabeça. -Sabe, se você não acordar, eu não posso fazer nada.
-Mas você controlou o corpo.
-Sim. Mas não sei explicar, estou tão confuso quanto você.
-O que Hewlett faz aqui?
-Não sei também, mas desde nossa luta com o elefante, nenhum outro carcereiro veio aqui. Apenas Hewlett, Packard e Cavendish.
Ele estava confuso com tudo isso, não sabia o que pensar.
-O que é você?
-Não sei, acho que sou uma parte de você. -respondeu a voz. -Sinto tudo que você sente e sei tudo que você pensa.
-Você tem um nome?
-Sim, eu me chamo Sardo. -respondeu a voz. -E você?
Aquela pergunta foi estranha. Fazia três anos que ele não falava seu nome para ninguém. Quando as palavras saíram de sua boca pareciam diferentes do que se lembrava.

-Jacques. -falou o ladino. -Eu me chamo Jacques.
Continua...
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N/R: Buenas amigos,

Último capítulo de BdNM no ano. Eu queria usar esse N/R para agradecer a vocês, foi um ano muito importante para mim, principalmente pelo BdNM.

Terminamos o ano com 39 capítulos publicados, agora faltam apenas 20 para chegar ao final. Espero contar com vocês em 2014.

Feliz ano novo a todos.
Abraços

PS: semana que vem voltam as perguntas. o/

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