segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Batalhas do Novo Mundo #38



Livro 1 - Conspiração
Arco IV - Valkaria
Cap. 38 - Memórias



Cinco meses antes.
-Como assim vocês o deixaram escapar? -gritava o palhaço dando um soco na mesa.
-Na hora de receber a ração ele simplesmente controlou a mente do carcereiro. -falou o velho Packard com sua voz fina.
-Simplesmente controlou? -gritou o líder. -Quem foi o idiota que teve a brilhante ideia de ensinar o prisioneiro a controlar mentes.
Ouve um silêncio na sala, os outros três se olhavam tentando decidir quem falaria, mas foi Hawlett quem tomou coragem.
-A ideia foi sua, mestre. -falou o negro.
-Ah, é verdade. -riu o palhaço se atirando na cadeira. -Cavendish, vá busca-lo. Vivo por favor.
O demônio deu um sorriso, ele estava esperando uma oportunidade de testar o novo "escolhido". Parckard pareceu sentir a fúria assassina de Cavendish e se adiantou.
-Já enviei Shar para captura-lo. -falou o velho.
-Não será o suficiente. -era a primeira vez que o palhaço estava sério. -Quando ele conseguir controlar a outra personalidade desconfio que nem Cavendish poderá enfrenta-lo.
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-Rápido, o carcereiro tubarão já está na nossa cola. -falou Sardo.
-Eu sei, estou correndo o máximo que posso, mas com você gritando na minha cabeça fica difícil. -gritou o humano para si mesmo.
Ele se sentia maluco conversando consigo mesmo, mas não era bem ele, parecia que outra pessoa estava vivendo em sua cabeça agora. Alguém muito perigoso.
-Abaixa! -gritou a voz.
No mesmo instante ele se atirou no chão, rápido o suficiente para evitar uma flecha que mirava sua cabeça. Ele se levantou e conseguiu enxergar seus perseguidores galopando velozmente em sua direção. Eram cinco e tinham o carcereiro Shar na frente.
-Rápido, me deixe sair. -gritava Sardo em sua cabeça.
-Não! Meu corpo, eu que mando.
-Deixa de ser burro. Eu não quero morrer por culpa de um franguinho chorão.
Franguinho? Essa não era a primeira vez que o chamavam disso. Ele sabia que não era forte o suficiente para derrota-los, mas temia perder o controle sobre seu corpo novamente.
Neste momento uma pesada corrente agarrou o tornozelo do garoto, derrubando-o no chão. Seus inimigos já haviam descido de seus cavalos e caminhavam em sua direção. A corrente foi puxada e ele voou em direção ao monstruoso carcereiro.
-É o fim agora maldito. -disse o tubarão enquanto agarrava o pescoço do garoto.
-Anda seu idiota, me deixe sair, você não quer morrer. -falou Sardo novamente, mas dessa vez ele não tinha forcas pra retrucar, apenas respondeu um mentalmente "ok". -Parem! -gritou a voz firme do humano.
Todos os inimigos congelaram e o tubarão soltou o garoto. Sardo se aproximou do carcereiro que tanto sofrimento lhe causara, colocou as mãos no pescoço do indefeso adversário e o estrangulou com um sorriso de satisfação na boca. Ao fundo era capaz de ouvir os reforços chegando.
-Temos que sair daqui, essa voz é daquele palhaço.
Mas Sardo ignorava o humano em sua cabeça, algo maior estava se aproximando rápido. Ele só teve tempo de pegar a espada do carcereiro morto, se virar e deter a pesada espada de seu inimigo.
-Você realmente é bom. -falou Cavendish, acertando um chute no estômago do humano. -Mas ainda não está pronto.
-Pare, vamos fugir, não podemos enfrenta-lo.
-Deveria escutar seu "outro eu", realmente não pode me enfrentar. Seria um desperdício essa luta. -o demônio guardou sua espada e arremessou duas sacolas no chão. -Pegue-as, tem tudo o que você precisa. Suma da minha frente e esteja preparado para nosso próximo encontro.
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-Vai me explicar ou não Cavendish? -falou o palhaço.
Apenas os dois estavam na sala, nem mesmo Packard e Hawlett puderam escutar a conversa. Cavendish até sentia medo.
-Eu tive uma ideia melhor meu mestre. Vai acelerar o desenvolvimento dele. -falou o garoto. -Mas antes preciso que o senhor faça uma coisa. -ele conseguiu perceber que o halfling estava curioso, resolveu prosseguir. -Apague a memoria dele, deixe que recomece do zero com Sardo ao seu lado, será mais fácil se aceitarem.
-Interessante, nunca imaginei que você fosse do tipo que pensa. -riu o palhaço. -Sabe, você até me deu uma ideia muito melhor.
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Atualidade
-Isso não está funcionando. -falou a voz eu sua cabeça.
-Nem notei. -resmungou o humano.
Aquilo estava indo mal, já fazia vinte minutos que a única coisa que conseguia fazer era se defender dos ataques do monstro.
-Você era mais forte antigamente. -falou o elefante. -Tanto que venceu Shar sem dificuldade alguma. Mas agora você não passa de lixo, não entendo como derrotou Taig.
Sardo se lembrou da primeira vez em que enfrentou esse inimigo. Ele realmente havia vencido aquela luta, embora tenha ficado com uma cicatriz no rosto. Só que ele não conseguia entender como tinha sido capaz de vencer e agora só se defendia.
Ele olhou para cima, havia uma sacada onde estavam sentados o palhaço e seus três guarda-costas, pelo olhar deles, estavam visivelmente decepcionados com aquela luta.
Esse pequeno momento de descuido foi fatal. O elefante se aproximou e lhe acertou com uma pesada clava, deixando o ladino quase inconsciente.
-O que faço com ele mestre? -perguntou o carcereiro erguendo o corpo pelo pescoço.
-Jogue-o de volta na cela. -a voz do palhaço estava visivelmente desapontada.
O monstro carregou o corpo de Sardo até uma cela no final do corredor, mas antes que pudesse colocar o humano dentro, duas explosões o acertaram nas costas. Ele se virou para ver quem o atacava, mas nem teve tempo de entender nada que acontecia. Com um golpe liso e perfeito Gwenh decepou a cabeça de elefante, algo que arrancou um leve sorriso de Cavendish.
-Como ousam? -gritou o palhaço. -Onde está aquele inútil do Dile?
-Deve estar falando deste verme. -falou Morn enquanto jogava no chão o corpo morto de um carcereiro. -Ele apareceu no meu caminho enquanto eu estava de mau humor.
-Por favor mestre, me permita. -falou Cavendish.
-Claro que sim, eu quero a cabeça de cada um deles. -ele se virou para os outros. -Vocês também Packard e Hawlett, mostrem para eles a minha fúria.
Os três saltaram diretamente para o primeiro andar, como quem desce de um pequeno degrau.
-Agora vocês vão morrer. -falou o velho. -E tudo isso pra que? Qual o motivo de morrerem por alguém assim?
-Por que ele é nosso companheiro. -falou Thargon.
Aquelas palavras acertaram o garoto humano. Eles eram seus companheiros, estavam ali para salva-lo. Quantas vezes eles já haviam feito isso? Novamente os flashes invadiram sua cabeça. Primeiro foram as duas lutas contra Cavendish, a batalha das caveiras, o deserto. As imagens simplesmente saltavam aos montes. As pistolas, o necromante, os lobos, o velho de cartola, o palhaço. E por fim, seus companheiros.
-Parem! -sua voz saiu forte e decidida.
Aquela era a primeira vez que Cavendish e os outros eram atingidos pelo poder do humano. Aquilo era inacreditável, finalmente ele entendia o porquê do mestre ser tão aficionado no garoto.
-Oh, finalmente lembrou-se pequeno Sardo? -perguntou o palhaço se levantando.
-Está errado maldito. -não havia mais temor na voz do garoto. -Meu nome não é Sardo.
Continua...
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N/R: Buenas amigos,
Aviso rápido, eu sei que vocês estão esperando pela pergunta 08, mas tivemos um problema.
Eu entrei de férias sexta, e deixei o arquivo no PC da firma. :/

Ou seja, as perguntas voltam assim que terminar minhas férias, dia 06/01. Ai postarei duas perguntas ao mesmo tempo. :D

Feliz natal para vocês. o/

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