segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Batalha do Novo Mundo #37




Livro 1 - Conspiração
Arco IV - Valkaria
Cap. 37 - Circo dos Horrores



Sardo continuava sua perseguição a Cavendish pelas ruas da cidade. Não era uma tarefa fácil, pois o demônio parecia conhecer cada canto da capital. Agora eles atravessavam por uma pequena favela.
-Você ainda consegue enxerga-lo? -perguntou o garoto.
-Ele dobrou a esquerda, tome cuidado porque pode ser uma emboscada. -respondeu a voz.
Ele não precisava de um aviso, pois sabia muito bem da força que Cavendish tinha. Mas também sabia que essa poderia ser sua última chance de descobrir a verdade.
-Você sabe que nós podemos morrer, não é? -perguntou sua cabeça.
-Sim, mas eu preciso descobrir a verdade.
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-Algum sinal elfo?
-Não. -respondeu Gwenh descendo de um dos prédios. -Eles são rápidos.
-Vëon, essa é sua cidade, você não tem nenhuma ideia de onde poderiam ter ido? -perguntou Laurëa
-Não. -respondeu o feiticeiro triste. -Não conheço os subúrbios da cidade.
-Tsc, "nobres". -resmungou o orc enquanto se dirigia a uma das pequenas casas de madeira. -Tem alguém ai?
Não houve resposta, mas todos podiam ouvir barulhos no interior da casa. O orc se virou para os companheiros, deu de ombros e logo após acertou um potente chute na porta que se quebrou. Dentro havia um casal de humanos chorando.
-Desculpem pela porta, mas eu estou com pressa. -falou Morn. -Preciso encontrar um assassino, sabem quem pode me ajudar?
O casal estava paralisado com o choque, incapazes de balbuciar qualquer coisa. Mas então um pequeno garoto saiu correndo de um quarto com um pedaço de madeira e acertou a canela do "perigoso" monstro.
-Filho da p... -gritou o orc enquanto saltitava em um pé só e seus companheiros riam.
-Deixa eu tentar. -falou Vëon se aproximando do garoto. -Qual o seu nome filho?
-Matheus. E não sou seu filho. -respondeu o garoto brabo.
-Que garoto valente. -riu o gênio se virando para o casal. -Vamos começar de novo. Eu sou Vëon, um professor na academia arcana e estes são meus companheiros em uma missão muito importante, se puderem nos ajudar eu agradeceria.
O humano se levantou calmamente, ajudou a esposa a se sentar em uma cadeira.
-Já ouvimos falar no senhor mestre Vëon, mas achávamos que fosse mais...
-Mais velho? -falou o feiticeiro se sentando em um sofá. -Vocês não são os primeiros e nem serão os últimos. Mas então, podem me ajudar?
-Então ele é famoso? -sussurrou Laurëa.
-Tsc, "nobres". -resmungou Morn, arrancando risadas dos colegas mais próximos.
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O grupo seguia velozmente por cima dos prédios. O clima era tenso no grupo desde que o humano havia contado o que sabia. Gwenh foi o primeiro a partir com Morn logo atrás dele, Vëon tinha sido o único que escutara a historia completa.
-Agora tudo faz sentido. -reclamava Morn. -Todo esse tempo fomos feitos de idiotas por aquele palhaço.
-Mais importante que isso, se Cavendish realmente está com ele, pode ter certeza que teremos problemas. -falou Gwenh. -Temos que para-lo antes que chegue ao circo.
Vëon permanecia em silêncio ao lado dos companheiros, alguma coisa não fazia sentido. De repente um estalo o trouxe de volta.
-Rápido, desviem. -gritou, a tempo de evitar uma explosão no meio do grupo.
Os aventureiros precisaram parar, diante deles estavam dois halflings, um vestido de palhaço e o outro de mágico, e sentado em um canto havia uma criatura estranha, tinha o corpo de um humano musculoso, mas tinha a cabeça e cauda de crocodilo, na mão segurava um cano de metal.
-Qual a senha? -perguntou sem tirar os olhos dos guerreiros.
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Meia hora antes.
O humano estava quieto, sua mulher havia ido para a rua levando o irritado Matheus junto. Os aventureiros não tinham duvidas de que estavam para ouvir algo perturbador.
-A mais ou menos duas semanas um circo chegou à cidade. -começou o humano sem retirar os olhos do copo. -Foi um grande alvoroço na cidade, todos queriam assistir ao incrível espetáculo, mas ele estava disponível apenas para a alta elite de Valkaria e alguns heróis renomados. Mas vocês estão enganados se pensam que é por causa de dinheiro, não, tudo isso é por causa daquele louco. -a voz dele parecia prestes a chorar. -De uns tempos pra cá, muitas crianças tem desaparecido em nosso bairro, e vários homens, principalmente pais, tem aparecido mortos pela manhã. Como nosso bairro tem a fama de violento, a milícia não deu muita bola. Mas por estes dias eu os vi na rua. -ele começou a chorar, sua voz não saia mais.
-Responda homem, quem você viu? -gritou Morn dando um soco na mesa.
-Eram cinco monstros. Todos tinham corpos de humanos, mas cada um tinha a cabeça de um diferente animal. -ele soluçou mais uma vez e escondeu o rosto nas mãos. -Eles estavam carregando as crianças para umas espécies de jaulas com rodas. Eu não fiz nada, fiquei apavorado.
-E como você sabe que são do circo? -perguntou Thargon. -Podem ser apenas monstros errantes que entraram na cidade.
-Não, eu tenho certeza, por que ele estava lá. -sua voz transmitia um pavor. -Ele estava sentado sobre um terraço rindo, as suas costas estavam seus fieis escudeiros. Primeiro aquele velho com uma cartola maior que seu corpo e um nariz que mais parece um mosquito, o segundo é um dos poucos sobreviventes da extinta aldeia dos homens negros e por fim o demônio em forma de gente, um garoto poucos anos mais velho que meu filho, mas que me apavora apenas de olhar seus olhos.
-Cavendish. -sussurrou Gwenh.
-Mas você disse que eles são apenas guarda costas? -perguntou Arwen.
-Sim, o pior deles é o líder. O Mestre do Picadeiro e dono do circo... -o humano engoliu em seco enquanto pegava um folheto do circo com uma foto. -Nyym, o Trapaceiro.
-Aquele palhaço. -grunhiu Morn enquanto corria porta a fora.
-Isso não faz sentido. -falou Vëon para si mesmo.
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Sardo continuava na cola de Cavendish, mas aquilo estava estranho, pois em nenhum momento o inimigo tentou ataca-lo ou simplesmente despista-lo. Parecia que o demônio estava se deixando perseguir.
-Esse lugar me é familiar. -comentou a voz em sua cabeça.
-Eu estava pensando a mesma coisa. -respondeu Sardo.
De repente uma visão paralisou o garoto. A sua frente se erguia uma gigantesca tenda, ela era vermelha e preta, com varias luzes piscando e musica alta. Bem na frente, por uma passagem, Sardo conseguiu ver o corpo de Cavendish passar.
-É uma armadilha. -advertiu a voz.
Mas ele sabia, e mesmo assim entrou. Dentro era completamente diferente, havia paredes de pedras, varias tochas iluminavam o local. Algumas jaulas tinham animais e pessoas presas por pesadas coleiras. Um flash de memoria atravessou a cabeça de Sardo, era ele preso pelas mesmas coleiras, sendo alimentado por uma tigela.
A porta a sua frente se abriu, por ela passou um halfling que parecia ser alto demais para sua raça, vestia uma roupa de bobo da corte verde com vermelho. As suas costas estava Cavendish, acompanhado por um humano negro de dois metros de altura e uma tatuagem no rosto, e por um idoso narigudo que mais parecia um inseto de tão baixo. Por fim duas criaturas fechavam o estranho grupo, pareciam ser humanos, mas suas cabeças eram de animais. Imediatamente Sardo se lembrou do cabeça de tigre que o seguiu mais cedo.
-Então finalmente voltou seu verme. Achou que podia fugir de mim?
-Quem é você? -perguntou Sardo.
-Ah é verdade, você perdeu a memoria. -riu o palhaço. -Nem deve lembrar porque mandei captura-lo.
-Disseram que foi porque matei alguém.
-Mais ou menos. -riu o palhaço enquanto mordia uma maçã. -Você realmente matou alguém, mas digamos que foi legitima defesa.
Novamente um flash veio à cabeça de Sardo, ele estava fugindo de um monstro com corpo de homem e cabeça de tubarão. Logo depois outro flash mostrava ele estrangulando o inimigo enquanto ao fundo a voz do palhaço gritava para que alguém o prende-se.
-Eu era um prisioneiro de vocês. -falou Sardo olhando para as jaulas. -Esses monstros são os carcereiros.
-Exatamente, e pelo que Cavendish me falou mais cedo, você matou outro de nossos amados carcereiros. -ele fez um sinal e o monstro com cabeça de elefante se aproximou. -Acho que Fot terá que lhe dar uma lição. Lembra-se dele? É graças a ele essa sua linda cicatriz no rosto.

Dito isso, o palhaço deu meia volta e partiu pela mesma porta que entrara, deixando Sardo sozinho com o perigoso monstro.
Continua...
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N/R: Buenas pessoal, 
Cap. 37 no ar e começou aquela que eu carinhosamente apelidei de "trilogia fodastica". Esses três próximos capítulos vão revelar a verdade por trás do passado e da amnésia de Sardo. Posso garantir que vocês vão se surpreender com o resultado final.

Mudando de assunto, chegamos na nossa 7ª pergunta da promoção que vai dar um livro "A Batalha do Apocalipse".

Lá vai: "No terceiro arco temos o surgimento da bela Linnáe. Na primeira vez que a guerreira apareceu, ela estava negociando um serviço. Qual o valor que ela pediu para realizar o trabalho??"

Para quem pegou a promoção agora, vocês tem até o dia 26/01/2014 para enviar todas as respostas (ou as que souber) para o email: batalhasdonovomundo@gmail.com

Até semana que vem o/

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