domingo, 22 de setembro de 2013

RESENHA: A Revolta de Atlas


Na mitologia grega o titã Atlas foi condenado por Zeus a carregar o mundo nas costas, nos ombros. Mas o que aconteceria se o gigante decidisse que isso deveria chegar a um fim? E se Atlas desse de ombros pro planeta que ele carrega sozinho?

É com esta analogia que eu trago ao Fantastic Books a resenha do meu livro favorito, A Revolta de Atlas.

O Gigante ligou o foda-se!

A Revolta de Atlas (Atlas Shrugged, no original) foi publicado originalmente em 1957, nos Estados Unidos e até hoje ele é considerado o segundo livro mais influente daquele país, segundo a Congresso Nacional Norte-Americano. Por mais incrível que possa soar, a sua autora, Aynd Rand, é russa (o nome real dela é Alisa Zinov'yevna Rosenbaum!). Nascida em 1905 e tendo se mudado para os EUA aos vinte anos, onde depois se naturalizou cidadã norte-americana na década de trinta. Ela queria ser uma roteirista de cinema, no entanto, acabou se tornando a mãe de uma corrente política e filosófica conhecida como Objetivismo.

Esse livro chegou traduzido no Brasil na década de 80, com o título de "Quem é John Galt?" e hoje em dia é uma relíquia bem cara em qualquer sebo que por ventura tenha uma cópia. Felizmente, em 2010 a Editora Sextante relançou o livro como uma nova tradução e dividido em 3 volumes, que veem todos juntos em um box e totalizam 1232 páginas. 


Essa é uma história de ficção que se passa em uma época indeterminada, algo entre o presente e um futuro não muito distante (ao menos para a década de 50, quando o livro foi publicado). A sociedade a nível mundial está colapsando em suas economias e a maior parte dos países estão se transformando em repúblicas populares. Os EUA é uma das poucas nações onde a prosperidade econômica ainda está conseguindo lutar para se manter, mas tudo indica que isso não vai durar muito.

E no meio desta confusão política e econômica, os pensadores, os inovadores e os indivíduos criativos suportam o peso de um mundo decadente enquanto são explorados  por parasitas que não reconhecem o valor do trabalho e da produtividade e que se valem da corrupção, da mediocridade e da burocracia para impedir o progresso individual e da sociedade. 

O governo norte-americano, apoiado pela maioria esmagadora do povo, começa a aprovar leis para reduzir a desigualdade, baixando decretos que obrigam as empresas mais lucrativas a dividirem seus lucros com as menores, assegurando que todas tenham participação no mercado. E essa foi a gota d'água para as pessoas produtivas. Uma a uma elas começam a desaparecer sem deixar pistas, desde músicos famosos até donos de petrolíferas. Se o país já estava um caos antes, imaginem agora...

Quem é John Galt?

Essa é uma expressão utilizada pelas pessoas quando querem se referir a uma pergunta sem resposta. Isso simboliza todas as incertezas de uma sociedade que se vê abandonada por aqueles que a sustentavam e que ao mesmo tempo eram maltratados por esta mesma sociedade.

A história se foca na personagem de Dagny Taggart, uma engenheira herdeira da família Taggart de linhas ferroviárias nos Estados Unidos. Ela está a todo custo tentando manter funcionando a empresa que o seu bisavô fundou, mas não é uma tarefa fácil com a crise, os políticos, e o seu irmão incompetente no cargo de cargo de chefe da companhia. 

A medida que o enredo avança ela vê seu amigo de infância ser um bilionário playboy que só gasta dinheiro com mulheres e festas, seus amigos donos de outras empresas, e até mesmo seus melhores funcionários, começam a desaparecer, enquanto todos na sociedade a julgam como um monstro ganancioso e não enxergam que ela presta um serviço essencial para o país.

Nos três volumes desse livro ela irá investigar o que está acontecendo nestes desaparecimentos, enquanto faz o diabo a quatro pra manter a sua empresa funcionando (e com qualidade!), ao mesmo tempo que o seu irmão (que vive de favores políticos) recebe toda a glória.

Eu sublinho as frases a lápis no livro, esse realce foi feito no computador. A Dagny é foda!


Eu já disse que esse é o meu livro favorito, agora vou explicar o porquê.

Vocês já se sentiram frustrados com as outras pessoas a sua volta? Já olharam pro lado numa sala de aula e ficaram com medo dos seus colegas um dia se formarem e serem considerados profissionais capacitados? Nunca viram um professor (com doutorado) falar algo que qualquer um com acesso a wikipédia sabe que foi uma asneira? E isso pra não falar nos políticos... e na sociedade que os elege!

E ao mesmo tempo que vocês se sentem frustrados assim, são tachados de orgulhosos, narizes empinado, metidos a besta e afins, por estas pessoas? Por pessoas que mal e porcamente fazem o básico e já acham que merecem uma medalha.

Bem, eu me sinto assim desde o ensino fundamental. E não estou dizendo que eu sou um exemplo de ser humano (ou de profissional), eu sei que tenho que aprender muitas coisas ainda. O problema é que eu sou ruim, mas o resto é ainda pior.

Nesse livro eu me identifiquei gigantescamente nos personagens da Dagny, do Francisco D'Anconia (o playboy milionário), do Ragnar Danneskjold (um ex aluno de filosofia que agora dedica a vida a ser um pirata e assaltar navios de pessoas que apenas vivem dos impostos das outras), do Hank Rearden (um metalúrgico que inventa um metal mais eficiente e mais barato, mas que todos têm medo de usar porque é algo 'novo'), às vezes até mesmo no personagem do James Taggart (o irmão da Dagny que tem medo de assumir riscos e ser responsável se algo der errado, mas é o primeiro a tomar a glória para si quando as atitudes da sua irmã dão certo).

Essa é uma história que me ajudou a enxergar a mim mesmo com outros olhos, ao mesmo tempo que foi bom ver no papel coisas que eu nem sabia como expressar.

Claro que não eu concordo 100% com os ideais filosóficos propostas pela autora nesta história (por exemplo, eu acho assim que os governos devem regular alguns serviços básicos dentro da sociedade, ou então que espaços naturais são importantes e não apenas o ambiente totalmente urbano), mas o conjunto da obra me surpreendeu muito quando eu o li e concluí. É genial.

Eu conheci esse livro no blog de um brasileiro que fala sobre administração e marketing, vou deixar linkado AQUI a postagem dele, aonde vocês podem ver alguns dos melhores trechos da história :)

As capas nos três volumes são iguais. O Titã que sustenta o mundo.
Dentro do box o três volumes formam a imagem do Atlas. E foi mal, na hora eu não vi que a chave tava em cima da mesa xD


A cultura norte-americana está recheada de referências a esse livro e tudo o que as ideias que estão nele representam para aquele país, seja em monumentos em prédios famosos ou seriados como os Simpsons. Se eu fosse enumerar cada um deles, essa postagem ficaria gigantesca... e eu estou fazendo o possível para não transformar isto daqui numa babação de ovo desenfreada =P

Mas vou ter que fazer uma menção rápida aos novos filmes que foram produzidos em cima do livro. Vai ser uma trilogia, o primeiro foi lançado em 2011 e o segundo em 2012. A previsão é que o último saia em 2014. Eu não curti os filmes, e nem foi tanto por eles terem sido feitos com baixo orçamento (ao contrário daqueles baseados em livros infanto-juvenis), mas sim por terem cortado tanta coisa que, para quem não leu o livro antes, não vai conseguir sentir o peso da história.

Aqui ficam os trailers, abraços!







2014

RESUMO

Autora: Ayn Rand
Editora: Sextante
Numero de páginas: 1232
Ano de lançamento: 2010
Compre: Submarino
Nota: 10/10

8 comentários:

  1. Pelo título do livro eu esperava uma história totalmente diferente e é legal ver que meu pensamento estava equivocado porque o livro parece ser bem interessante.

    Bjus.

    http://livrosleituraseafins.blogspot.com.br/

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    1. Também esperava algo completamente diferente, acho que pela nunca leria ele...

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  2. Gostei dessa expressão:
    "Quem é John Galt?"
    Eu não tinha ouvido falar ainda. Gostei do enredo. Fiquei interessado. Achei legal também o desenho formado pelos 3 livros juntos na caixa.

    Parabéns pela resenha. Muito boa!
    Abraço!

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  3. A box sempre está em promoção do submarino e mesmo assim eu nunca compro (mesma coisa que acontece com Percy Jackson [ja li])...
    Eu já li e é realmente fascinante.
    Dos livros que eu já li e que não são,de certa forma, Young Adult, os melhores são 'Admiravel Mundo Novo' , '1984' e 'Revolta de Atlas'


    Marcos Túlio - http://teorialiteral.blogspot.com.br/

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  4. Nunca havia ouvido falar desse livro, achei interessante a mitologia citada acima sempre que vejo algo que fala de deuses e titãs fico animada porque geralmente a história é boa! Não sei se leria essa obra, mas para ser um livro tão considerado ele deve ser mesmo ótimo.
    Abraços, Raquel.

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  5. Ainda não tinha ouvido falar dele, mas depois da sua resenha fiquei muito curiosa pra ler ele! Me identifico bastante com o que você disse na "avaliação" , mais um motivo para lê-lo.

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  6. LIVRO EXCELENTE, RETRATA DE FORMA LITERÁRIA AS IDEIAS DO LIBERALISMO.
    ESTÁ ENTRE MEUS 3 MELHORES LIVROS.
    SUPER RECOMENDO!

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  7. O livro é fantástico. Enxergo nesse livro o Brasil atual contaminado de garantismo, direitos adquiridos e combate à meritocracia

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