segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Batalhas do Novo Mundo #26




Livro 1 - Conspiração
Arco III - A Bela e o Prisioneiro
Cap. 26 - A Fuga do Rato



-Não me escutou anão? -repetiu Linnáe. -Eu mandei se afastar da entrada.
O anão permanecia em silêncio, provavelmente surpreso com a entrada da guerreira.
-E você quem seria? -perguntou de modo provocativo.
-Quem ela é ou deixa de ser não lhe diz respeito mercador. -falou Vectorius com sua voz fria. -Saia da frente e eu não fecharei sua loja.
-Mestre Vectorius em pessoa? -disse o anão dando passagem para o grupo e se virando para Gwenh. -Amizades influentes as suas elfo, ou será que a deusa está interferindo a seu favor?
Um a um os membros do grupo foram saindo do túnel, Gwenh foi o último. Ele saiu encarando o anão, mas foi Linnáe quem investiu contra ele com sua espada. O elfo precisou saltar para não ser atingido e rapidamente sacou sua espada, pronto para um combate.
-Está maluca? -gritou Morn, mas foi ignorado pela humana cujos olhos permaneciam fixos em Gwenh.
-Irei lhe dar uma chance maldito, suma daqui e nunca mais apareça na minha frente. -falou ela finalmente, provocando a surpresa de todos.
Gwenh sabia que a batalha estava perdida. Ele guardou sua espada, pegou sua mochila e voltou para o túnel. Sua missão terminava ali.
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Bairro Numen, casa de Linnáe, duas horas após.
O clima era pesado, todos permaneciam quietos tentando assimilar o que havia acontecido. Gwenh havia ido embora e Linnáe voltara para a mansão de Vectorius sem dar nenhuma explicação do que havia acontecido. Agora todos estavam reunidos na casa dela. Era uma mansão incrível, localizada no principal bairro de Vectora.
-Então, o que faremos com ele? -perguntou Thargon apontando para o prisioneiro que continuava amarrado no canto.
-Vamos seguir o plano, leva-lo para Valkaria e entrega-lo para o palhaço. -respondeu Morn. -Depois procuramos por Çaesar e entregamos o rubi. Pronto, missões cumpridas e todos felizes.
Sardo permanecia quieto desde que recobrou a consciência, por algum motivo ele havia sido feito prisioneiro e seria entregue para um tal “palhaço”. Nesse momento sua única memória voltou a cabeça, uma espécie de circo. Ele não sabia se havia ligação, mas algo lhe dizia que não era bom ficar para descobrir.
-E por que você não foge? -perguntou uma voz em sua cabeça.
Fugir realmente era sua única escolha, mas como fazer isso? Não parecia ser tão simples, havia uma halfling, um humano que parecia ser um druida, um minotauro com afiados chifres e por fim um gigantesco orc com um machado tão grande que apenas de olhar já dava medo. Não tinha como fugir.
-E por que você não pede para eles te soltarem? -perguntou novamente a voz.
Esse era um pensamento tão idiota que Sardo até riu. Claro que se ele pedisse com educação e delicadeza os seus captores iriam lhe soltar com a maior boa vontade.
-Você nem mesmo tentou. -sussurrou à vozinha.
-Ok, tentar não vai me matar. -pensou o humano, ele tomou coragem e falou. -Olha só, da pra vocês me soltarem?
Todos viraram seu rosto para o humano, incapazes de acreditarem no que haviam escutado.
-O que diabos você falou? -perguntou Thargon se aproximando do prisioneiro.
-Agora é a sua chance, seja firme. -repetiu a voz.
-E-eu quero que você me solte, agora!
Thargon ficou parado, tentando assimilar a ordem que recebera. Ele olhou para seus companheiros, deu de ombros e falou para o prisioneiro.
-Ok.
-Você esta maluco. -gritou Morn pegando seu machado.
-Rápido, mande o druida segurar o orc. -ordenou a voz na cabeça de Sardo.
-Ei druida, da um jeito no orc até eu sair. -ele se virou para Thargon. -E você protege a porta.
-Ok. -responderam quase ao mesmo tempo os dois guerreiros.
Arwen sacou seu arco e acertou duas flechas na perna do orc, enquanto Thargon foi correndo e acertou um chute no estomago do companheiro.
-Acabou minha paciência. -gritou Morn.
Ele se levantou, pegou Arwen pela cabeça e bateu-a contra a parede, nocauteando o frágil druida. Depois pegou um bastão de madeira e golpeou o minotauro, até que ele também perdesse os sentidos. Quando terminou, o prisioneiro já havia desaparecido.
-Isso foi controle da mente? -perguntou o orc impressionado.
-Acho que apenas uma "influencia externa", não acho que ele tenha noção do que fez. -respondeu Laurëa. -Se ele pudesse controlar mentes, teria usado em você que é mais forte que todos aqui.
-Tem razão. -falou o orc se sentando na poltrona. -Rato maldito, ele me paga por essa.
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Castelo de Vectorius, masmorras.
-Eu sei que você esta ai, pode aparecer. -falou a prisioneira sem tirar os olhos de seu livro.
-Fria como sempre minha cara. -respondeu o velho enquanto saia das sombras. -Não lembra que eu sempre lhe defendi? Sempre fui a favor de que voltasse?
-Você apenas queria ver o caos.
O velho abriu a grade da cela e entrou.
-Como você mesma disse quando foi condenada: essa é a minha natureza.
Pela primeira vez ela tirou os olhos do livro e encarou o irmão. Quantos anos fazia desde a última vez que se viram?
-O que você esta querendo afinal? -perguntou ela
-Apenas a sua cooperação. -respondeu ele com certa maldade no olhar. -Mais precisamente: não me atrapalhe.
-Isso significa deixar o elfo fazer o que quiser.
-Honestamente, ele me surpreendeu também. Não tinha a noção de quem se tratava. Mas acho que “ela” não vai complicar minha vida.
A garota continuou encarando os olhos maldosos do velho, por mais que não concordasse, ela estava curiosa para ouvir sua versão. Vendo a curiosidade de sua parceira, ele continuou.
-Falei com Vectorius, pedi para que me fizesse um pequeno favor. Já conversei com os outros e acredito que ninguém vai se meter também. Falta apenas você minha cara.
-Você sabe que ira responder por isso, não sabe?
-Sei, e acho que não falta muito. Mas estou preparado para isso. -seu rosto mudou e tomou ares de preocupação. -Mas você também precisa voltar para suas responsabilidades, sua cadeira esta vazia há tempos demais... como é mesmo seu nome agora? Linnáe não é? Estou curioso, por que um nome élfico?
-Não é élfico, é halfling...
-Halfling? Então ela realmente mexeu com você! Quem diria hein.
Os olhos dela transmitiam uma vontade assassina que por alguns segundos assustaram o velho. Que saudades ele estava daqueles olhos.
-Eu não irei lhe atrapalhar maldito, mas também não o ajudarei.
-Já me serve, “Linnáe”. -falou ele com um tom provocativo.
-Por favor, não venha você me falar de nome falso... “Çaesar”.

O velho apenas sorriu e com uma reverência desapareceu da mesma forma que surgiu. A guerreira voltou a ler seu livro como se esta conversa nunca houvesse acontecido.

Continua...

6 comentários:

  1. Fiquei impressionada com o poder do Sardo, e fiquei aqui pensando para onde ele iria e o que vai fazer nos próximos capítulos. Me surpreendi também com a Linnáe e o Çaesar, como eu não leio a história desde o início tem vezes que eu fico confusa. Quando eu tiver tempo vou pegar desde o primeiro capítulo para ler porque as vezes parece que estou lendo histórias aleatórias hahaha

    Abraços, Raquel.

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    1. Em um resumão rápido sobre Linnáe e Çaesar:

      1- No primeiro arco, "Vilarejo Koonji", foi o Çaesar quem reuniu o grupo de aventureiros. Ele contratou o grupo para realizar algumas missões para ele. :D (capitulo 07)
      2- Linnáe é a garota que eles encontraram neste 3º arco, ela estava enfrentando um dragão. Logo depois ela se juntou ao grupo. :D (capitulo 18)

      Espero ter ajudado um pouquinho :P

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    2. Mais ou menos, a minha duvida realmente era com esse final sobre o nome verdadeiro deles. Ou isso ainda é um mistério?

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    3. Ahhhhh bom, isso ainda é um mistério :P

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  2. Adorei o capítulo, Flavio. O final foi como se fosse "Caverna do Dragão".
    Çaesar sumindo como o Mestre dos Magos.
    rsrs

    Valeu! Abraço!

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    1. Obrigado Ygo, eu também gostei muito desse capitulo. :D
      Acho que os mais "ligados" em tudo que aconteceu até agora, já conseguem matar a primeira charada da história. :P

      Sobre Dungeons & Dragons, ele vai ser o tema da resenha de mangás amanhã. :D
      Espero que você goste.

      Abraço

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