segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Batalhas do Novo Mundo #24

capitulo anterior



Livro 1 - Conspiração
Arco III - A Bela e o Prisioneiro
Cap. 24 - O Demônio Cavendish




Eles seguiram pela escadaria por quase duas horas, até que finalmente puderam visualizar o famoso mercado negro de Vectora. Mas não era um simples mercado, aquilo era uma gigantesca cidade, comparável a grandes metrópoles como Valkaria e a própria Vectora.
-Por Tauron, existe uma cidade embaixo de Vectora. -exclamou Thargon. -Como que a milícia não encontrou isso ainda?
-Não encontrou ou não quis encontrar. -falou Laurëa.
-Tem razão, imagine quando dinheiro rola aqui embaixo, fora das leis de Vectora. -concordou Morn.
-Como iremos encontrar nosso alvo? -perguntou Arwen. -O lobo está completamente perdido, ele não vai conseguir rastreá-lo.
-Pra que serve esse teu lobo? Por que até agora ele foi mais inútil que esse minotauro. -falou o meio orc arrancando risadas dos companheiros.
Gwenh permanecia em silêncio, contemplando suas novas armas. Ele finalmente as tinha achado, como ela havia dito que aconteceria.
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Estalagem do Unicórnio Sem Chifre.
De repente ele acordou. Parecia que havia dormido por eras.
Por baixo das cobertas sentia que estava nu, mas não se lembrava de ter tirado suas roupas. Para ser sincero, não lembrava nem mesmo de como tinha chegado ali. Onde quer que fosse o ali.
Levantou-se da cama, olhou para o pequeno quarto, provavelmente estava em alguma estalagem barata. Caminhou lentamente até o banheiro, sua cabeça estava confusa, alguns flashes apareciam vez que outra mostrando um palhaço e alguns personagens de circo. Lavou o rosto como se a água pudesse limpar suas ideias também.
Mas ao levantar a cabeça ele teve sua maior surpresa. Diante dele estava um espelho que refletia o rosto de humano com a barba por fazer, o cabelo bem cortado com maquina e lindos olhos verdes. Duas incríveis cicatrizes se destacavam: uma no lado esquerdo da face que ia desde a ponta do olho até dentro da barba. A segunda era uma cicatriz tripla que atravessava todo seu peito, como se ele tivesse sido ferido por uma poderosa garra. Porém tudo aquilo que ele via no espelho lhe era estranho. Era como se ele olhasse por uma janela e visse outra pessoa, não um reflexo de si mesmo.
Resolveu sair e buscar por informações, vestiu a roupa que estava em cima de uma cadeira. Uma calça escura, botas pesadas, uma camiseta de malha e uma incrível jaqueta feita com o couro de um dragão verde. Todas as roupas lhe serviram perfeitamente, o que significavam ser dele.
O humano desceu as escadarias até o salão principal com bastante dificuldade, como se não conseguisse controlar seu próprio corpo. Ao chegar na sala ele encontrou a porta que levava para rua, mas no caminho havia um balcão onde um velho entregava as chaves, foi quando se deu conta que não tinha o dinheiro para pagar pela estalagem, então como faria para sair?
-Ah, vejo que já está bem melhor senhor Sardo. -falou o humano.
Sardo? Esse nome não lhe trouxe nenhuma recordação.
-Vejo que continua sem memória, que pena, estou torcendo para que a recupere logo.
-Muito obrigado. -respondeu Sardo, talvez ali ele conseguisse alguma resposta. -Desculpe, mas minha cabeça não esta bem e eu não me recordo do seu nome.
-Nem poderia, foi meu irmão que lhe atendeu ontem. -riu o velho. -Mas ele me avisou sobre você, e pediu para lhe informar que seu dinheiro foi levado para nosso cofre, assim como suas armas.
-Perfeito, vou dar uma volta e depois volto para buscar. -finalizou o humano que deu meia volta e saiu pela rua.
Parecia estar em uma espécie de cidade subterrânea, pois onde deveria estar o céu, havia um teto de pedras perfeitamente trabalhado. Vários postes com tochas iluminavam as ruas de modo que nem se notasse a ausência do sol.
As suas costas havia certo alvoroço, parecia que um circo estava lá. Ele se lembrou de seus sonhos e achou que era melhor evitar circos, então partiu na direção contraria.
Sardo seguia pelas ruas tão maravilhado com tudo que via, que não foi capaz de perceber a figura que o seguia pelas sombras.
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O grupo já estava caminhando pelas ruas do mercado a mais de duas horas e nenhuma pista. Laurëa então sugeriu que eles fossem a tavernas e hospedarias buscar informações, mas após passar em alguns locais e não obter nenhuma resposta, o grupo já demonstrava certo desânimo.
-Tem uma estalagem nesta rua. -falou Gwenh. -Acho que só falta ela e mais duas tavernas.
-O que é aquilo? -perguntou Arwen apontando para um aglomerado de pessoas.
-Parece ser um circo ou algo do tipo. -respondeu Morn de modo preocupado.
-Vai me dizer que tem medo de palhaço. -provocou Thargon, mas então ele percebeu que os companheiros estavam todos sérios.
-Quem nos contratou era dono de um circo. -lembrou Gwenh. -E nosso alvo era funcionário dele.
-Apenas coincidência. -falou Laurëa seguindo em direção à estalagem.
Eles entraram na estalagem do Unicórnio Sem Chifre, era pequena e no meio do saguão principal havia um balcão onde um senhor anotava todos os seus clientes. Gwenh se aproximou para puxar conversa:
-Yo velho, estamos procurando por um amigo desaparecido, o nome dele é Sardo. -falou o elfo mostrando uma foto do humano,
-Ah, senhor Sardo. Ele realmente está em nossa estalagem. -disse o humano. -Ele está com amnesia e parece não se lembrar nem de ter nos pago ontem.
-Sabe me dizer qual o quarto dele? -perguntou Arwen.
-Posso, mas ele não esta lá não, faz mais de uma hora que ele saiu.
-Para qual lado? -perguntou o druida. -Ele seguiu em direção ao circo?
-Não não, muito pelo contrário, ele pareceu assustado e seguiu para o outro lado.
O grupo se olhou e partiu em direção a rua. A pista era boa e eles não podiam perder.
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Depois de meia hora eles chegaram na entrada de um túnel onde havia uma placa com os dizeres "Saída Leste: Bairro Bara".
-Droga, só falta ele conseguir escapar. -reclamou Morn.
-Acho que não. -comentou Gwenh. -Ele ainda esta ai, e não está sozinho. Estou certo, não é? -gritou o elfo.
De repente eles começaram a escutar o barulho de palmas e o som de passos caminhando em sua direção. Por algum motivo as tochas do túnel estavam todas apagadas, o que impedia a visão do que acontecia lá dentro. Mas eles não precisaram esperar muito, pois de dentro do túnel surgiu um garoto humano de aproximadamente vinte anos, nas costas ele carregava um corpo amarrado. Ao chegar próximo ao grupo ele arremessou o corpo desacordado no chão, foi quando todos reconheceram o prisioneiro. Sardo estava visivelmente machucado e sem os sentidos.
-Parabéns elfo, até que você é bom como me disseram. -falou o garoto brincando com uma adaga.
-Alguém falou de mim para você? -perguntou Gwenh com certo cuidado, a aura que aquele garoto transmitia era horripilante.
-Se você me derrotar eu lhe conto. -riu o jovem enquanto lambia sua adaga, sua cara era assustadora.
Um barulho fez com que todos se assustassem, Morn havia deixado seu machado cair. A cara do orc era uma mistura de espanto e pavor.
-Vo-vo-você é ele.... Você é o...
-Ora, você me conhece? São poucas as pessoas vivas que me conhecem. -riu o humano
-Você é Sean Cavendish. -falou o orc tremulo. -O escolhido de Hynnin, conhecido pelo reinado como...
-Demônio Cavendish. -finalizou Gwenh com um sorriso maldoso no rosto.

-Muito prazer. -falou Cavendish com uma reverencia exagerada, sem tirar os olhos dos aventureiros. -E então... quem vai ser o primeiro a morrer?

Continua...

10 comentários:

  1. Final eletrizante como sempre! O que será que vai acontecer com esses guerreiros? Fiquei curiosa. E esse Cavendish? Muito suspeito esse homem. Aguardando mais :)
    Abraços,
    Raquel.

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    1. Sean Cavendish, humano, entre 18 e 22 anos, 1,80m de altura e 75kg, cabelos castanhos cortados até a altura da orelha. Cruéis olhos castanhos e uma boca que maior parte do tempo esta distorcida por um sorriso maldoso.
      Esse é o Demônio Cavendish, um "ladino" que trabalhava em um circo itinerante, mas que após matar quase todos os seus companheiros (e alguns expectadores) foi expulso do grupo.
      Ele vagou por anos matando pessoas a seu bel-prazer. Não importava se eram bandidos, militares, paladinos ou até mesmo reis.
      Nunca matou ninguém por ordens de outro. Não, Cavendish não trabalha para ninguém, apenas para si próprio.
      Sua fama de louco e perigoso atravessou todo o reinado e chegou aos ouvidos de Hynnin, o deus da trapaça. Hynnin abençoou Cavendish como um de seus escolhidos. Mas o que significa ser um "escolhido dos deuses"??
      O fato é que Cavendish fez seu nome, antes mesmo de Hynnin colocar os olhos no garoto. Talvez o deus da trapaça apenas queira se aproveitar da fama do jovem para aumentar seus adoradores. Quem sabe. :P
      Mas me responde agora: vc ainda acha ele suspeito??? hahahahhaha
      Abraços

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  2. Eu ia dizer que não, mas ainda é, o que leva esse homem a matar tantas pessoa?! Coisa de louco hahahaha e esse deus da trapaça é outro que não deve ser muito normal! Cada um deve ter seus motivos, ou talvez não. hahaha

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    1. Vai saber o que se passa na cabeça desses deuses. :P

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    2. Os deuses tem as suas excentricidades, isso é retratado em quase todas as obras, mas ainda assim algumas coisas chegam a impactar!

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  3. Caramba! Ótimo capítulo! Esse Cavendish movimentou bem a história. Gostei muito do suspense, aguardo os próximos capítulos.

    Parabéns!

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    1. Muito obrigado Ygo,

      Dois personagens novos entraram neste capitulo, mas acho que o Cavendish acabou ofuscando a entrada do Sardo. :P

      A trama finalmente esta deslanchando, o próximo capitulo com certeza vai colocar minhocas na cabeça dos leitores. :P

      Abraço

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    2. rsrs
      Ofuscou mesmo.
      Opa! Vou acompanhar, com certeza. Aguardo essas "minhocas". Fiquei curioso agora. O que será?
      Abraço!

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  4. Ótimo desfecho Haag, estou no aguardo para ver muito sangue no próximo capítulo e rever em breve meu querido Veon =D

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  5. Os próximos dois capitulos vão mexer com tudo o que vocês já devem ter "formulado" da história. hahahahahahhaha
    Faltam apenas mais 8 capitulos para terminar esse arco, e ainda falta muita coisa acontecer. :P

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