segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Batalhas do Novo Mundo #23




Livro 1 - Conspiração
Arco III - A Bela e o Prisioneiro
Cap. 23 - Adeus




O anão levou o grupo de aventureiros até o balcão da loja, na parte de trás havia um pequeno alçapão. Ao levantar a tampa o grupo encontrou uma escada de pedra iluminada por tochas.
-Já tinha ouvido os boatos sobre os túneis secretos de Vectora, mas não pensei que fossem reais. -comentou Thargon
-Todo boato nasce de algo que realmente existe. -respondeu Gwenh
-É, mas esses boatos que eu escutei não são do tipo que você vai confirmar se são reais. -falou preocupado o minotauro
-Pode ter certeza que eles são todos verídicos. -falou o anão com uma risada. -Se quiserem descer é por vontade própria, eu não me responsabilizo.
Todos no grupo se olharam e assentiram com a cabeça. Morn foi o primeiro a entrar, seguido por Laurëa e Thargon, Arwen seguiu logo atrás com seu lobo, deixando Gwenh por ultimo. Quando foi entrar o anão tocou em suas costas, o elfo se virou e encarou os olhos frios do mercador.
-Você me deve 10 PO pelas laminas. -disse o anão.
O elfo deu um suspiro e entregou as moedas, depois deu as costas e mergulhou para dentro do túnel.
-Hehe, melhor cobrar agora, por que talvez não de tempo mais tarde. -riu o anão enquanto trancava a porta da loja.
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Geleiras de Bah, Montanhas Uivantes.
Marcus estava correndo, incapaz de acreditar no que presenciara. Django havia disparado sua pistola diretamente na cabeça do garoto, em todos esses anos ele nunca havia visto o chefe errar um tiro. Na verdade ele tinha duvidas se o tiro tinha ou não acertado o alvo.
O fato era que o garoto não caiu, pelo contrário, ele alcançou Django e com um soco jogou o homem longe. O chefe ainda tentou levantar, mas o monstro pulou em cima e lhe arrancou os braços com as mãos que mais pareciam cascas de uma árvore.
Aquele garoto realmente era perigoso, Marcus tentava entender como os deuses permitiram que um monstro daqueles pudesse existir, sorte que ele já estava longe daquele pesadelo.
Enquanto isso na clareira o jovem Sarcano também buscava respostas sobre o que estava acontecendo consigo. Aquela voz em sua cabeça havia lhe dito exatamente o que fazer e por algum motivo ele obedeceu. Sua visão também estava mudada, ele ainda era capaz de enxergar o humano que corria desesperado pela floresta.
Mas a principal mudança estava em seu braço. Aquelas estranhas cascas agora estavam cobrindo todo o lado direito de seu corpo. Sua mão, que mais parecia à garra de um monstro, ainda estava manchada com o sangue do humano que ele acabara de esquartejar. Por que isso estava acontecendo com ele?
Sarcano pegou um machadinho que estava na cintura do homem morto. Ele tentou raspar aquelas cascas em seu braço, mas por mais forte que esfregasse ele não era capaz de arrancá-las. Desesperado, o garoto começou a golpear seu pulso com o machado até que conseguiu cortar sua mão. Se não era possível arrancar as cascas, ele iria arrancar o braço inteiro.
Ele ergueu o machado pronto para golpear o resto do braço, mas antes que terminasse o golpe uma mão lhe conteve.
-Ficou louco seu idiota. -falou a voz de Elvellon
Sarcano se virou para encarar o irmão, mas a visão que teve não lhe animou. Seu irmão estava gravemente ferido no peito e mal conseguia se manter de pé, mas seu rosto mantinha aquele sorriso de irmão mais velho pronto para ensinar uma lição.
-Mano, você não está bem. Não se esforce. -falou o caçula.
-Deixa de ser besta, tu sabe que eu sou forte. -respondeu Elvellon, mas Sarcano sabia que era mentira, seu irmão nunca falava a verdade quando se machucava. -Agora me responde, o que diabos você ta fazendo? Sabia que não da pra colocar essa mão de volta?
-Eu estou virando um monstro mano, eu matei uma pessoa.
-Não seu besta, você apenas nos protegeu, muito obrigado meu irmãozinho. -o mais velho deu uma tossida, e Sarcano pode ver sangue na mão que o irmão escondia. -Pegue meu casaco e o use para esconder essas cascas, eu vou tentar parar o sangramento do pulso com uma magia que aprendi na Academia.
Ele fez umas orações que demoraram mais que o normal, provavelmente por causa do ferimento. O pulso de Sarcano parou de sangrar e uma camada de pele tapou os músculos expostos. Mas Elvellon parecia ainda mais fraco.
-Mano, use a magia em você também.
-Não preciso, é só eu dormir por uma hora e estarei novo em folha. -mentiu o mais velho. -Agora me escute bem, vá para a Academia Arcana em Valkaria, quando chegar procure por um ex-colega meu, o nome dele é Vëon, ele vai te ajudar a entender essa sua doença.
-Mas e você?
-Eu vou descansar um pouco e depois te alcanço. -Sarcano sabia que o irmão não iria atrás dele. -Me escute bem, não deixe que ninguém descubra suas manchas, se conseguir um óculos para esconder seus olhos é melhor ainda. Parta direto para Valkaria, não pare em nenhum lugar. Me promete que vai me obedecer.
-Eu prometo. E você promete que vai me seguir?
-Claro que vou seu idiota, quando que eu te deixei sozinho? -sorriu o mais velho. -Agora vai antes que apareçam mais pessoas.
Sarcano partiu, mas não foi muito longe, ele sabia que seu irmão nunca cumpria as promessas e também era um péssimo mentiroso. A verdade era que Elvellon não queria que ele o visse morrer, mas Sarcano não iria deixar o corpo do irmão ali, ele iria enterra-lo como merecia. Afinal, ele também não era bom em cumprir promessas.
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Academia Arcana
-Algum problema professor Vëon? -perguntou um dos alunos.
O gênio estava no meio de uma explicação sobre a anatomia das quimeras para alguns alunos de necromancia. Mas de repente um forte sentimento de tristeza e dor o acertou. O que seria aquilo?
-Bom pessoal, como estava falando antes sobre as quimeras...
No ultimo andar, mais precisamente na sala do diretor, Talude e a deusa Wynna tomavam seu chá enquanto conversavam.
-E então Talude, como ele esta?
-Ele não tem mais curiosidade sobre o caso da traição de Valkaria, e depois que você lhe falou que seus amigos estavam vindo para a capital, ele decidiu que iria aguarda-los voltando as suas atividades normais.
-Isso e ótimo, ele é jovem demais para se preocupar com problemas tão sérios.
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Fortaleza de Fross, Reino de Callistia
-Galiel, prepare todos, amanhã partiremos para Valkaria.
-E o treino de Gojins? -perguntou o espadachim.
K permanecia sentado com sua caneca de cerveja. Ele havia passado o dia inteiro quieto, como se estivesse esperando alguma resposta.
-Não temos tempo, nosso sexto guerreiro esta pronto.
-Você tem falado nele muito, eu o conheço?
O pistoleiro olhou para seu fiel escudeiro, ele devia muito a Galiel, mesmo que o humano nunca o tivesse cobrado nada.
-Sinceramente nem eu o conheço, mas sinto como se sempre o tivesse conhecido. -finalizou o pistoleiro.

Galiel já convivia com seu mestre a tempo suficiente para saber que não conseguiria novas respostas hoje.

11 comentários:

  1. Nossa, mais uma vez Flávio, excelente! Fiquei aqui curiosa para saber o que vai acontecer a seguir. E quantos personagens nessa sua trama, quantos lugares e personalidades. Fiquei com dó de Sarcano, torcendo para que ele consiga chegar a Valkaria e que o irmão dele também.
    Ahhh o PO é o dinheiro?
    Abraços,
    Raquel.

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    1. Obrigado Raquel,

      Tenho que admitir que este é um dos meus capitulos favoritos. Enquanto eu escrevia ele, eu ficava com um sentimento de tristeza estranho. O nome iria ser outro, mas depois que escrevi eu pensei melhor e achei que "Adeus" era melhor. :P

      Sobre os personagens, ainda tem mais por vir. hahahahahah
      Sem contar os que estão de fora, como o ladino Jacques e o feiticeiro Vëon.

      E por fim o PO. Como você entrou entrou agora não pegou essa parte. O nome é Peças de Ouro, no começo eu até usava o nome, mas como o pessoal normalmente fala em PO, eu acabei aderindo. :P

      Alem das Peças de Ouro (PO), ainda tem as Peças de prata (PP) e Peças de bronze (PB). Também se usa jóias ou itens nas negociações. O dinheiro em si não existe. :D

      Abraços :D

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    2. Tive essa mesma dúvida uma vez. Voltei alguns capítulos e já me orientei.
      rsrs

      Achei muito interessante.

      PO - É para ler "pó" ou seria "pê-ó"?

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    3. Normalmente nos jogos de mesa, nós falamos "Pê-ó", "Pê-bê" e "Pê-pê". :D
      Como eu disse, apenas uma preguiça de ficar usando a palavra completa, assim como o nome de nosso elfo que eu abreviei em todos os capitulos. Eu utilizo apenas o nome "completo" quando é algo mais sério ou formal. :D

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    4. Tudo esclarecido, Flavio. Obrigado!
      O importante é que o leitor consiga compreender o enredo.
      Solte a imaginação, abreviando ou não.

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    5. Concordo! Já sabe quando eu não entender alguma coisa vou ter que perguntar hahaha
      Obrigada ;)

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  2. Confesso que eu fiquei nervoso com os sentimentos de Sarcano sobre o que tem acontecido com ele... e como é bom ver o nome do meu querido Vëon :)

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    1. Realmente os sentimentos de Sarcano estão bem confusos, o que para um jovem de 16 anos pode ser um grande problema. :/

      Seu querido Vëon vai voltar em breve, e posso te adiantar uma coisa: mudado. :D

      Aguarde :P

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  3. Fiquei imaginando a parte do pulso de Sarcano sangrando. Pensei em uma cena bem mágica, com algumas palavras para curar o ferimento.

    Parabéns pela escrita. Você tem talento.

    Abraço!!!

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    1. Eu imaginei a cena mais ou menos assim:
      Primeiro as veias foram fechando e parando o sangramento, logo depois foi a vez dos musculos se fecharem e por fim a pele se uniu naquele espaço "vazio" onde deveria estar os ligamentos da mão.
      Como o Elvellon falou, era impossivel recolocar a mão de volta. Então Sarcano esta sem a mão esquerda. :/

      Obrigado por acompanhar :D

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    2. Nossa! Foi além do que eu estava imaginando. Bela descrição. Vou continuar acompanhando, sim. Pode deixar.

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