quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Trechos De Um Livro... - A Hora das Bruxas.



O rosto de Deborah passou da fria suspeita para um súbito desdém, enquanto ela olhava de mim para Roemer. Ela saltou da cadeira. Foi se afastando de encontro aos livros, com o olhar malévolo fixo em mim e em Roemer.

- Ah, bruxos! - gritou. - Por que não me disseram? Vocês todos são bruxos! São uma Ordem de Satã. - E soluçava enquanto as lágrimas se derramavam pelo seu rosto. - É verdade, é verdade, é verdade!

Ela se envolveu com os braços para cobrir os seios e cuspia sobre nós em meio a sua fúria.  Nada que disséssemos a acalmava.
 
 - Somos todos amaldiçoados! E vocês se escondem aqui nesta cidade de bruxas onde não podem ser queimados! - gritava. - Bruxos muito espertos na casa do demônio!

 - Não, menina, não temos nada a ver com o demônio! Procuramos entender o que outros condenam.

 - Deborah - exclamei - esqueça as mentiras que lhe disseram. Não há ninguém na cidade de Amsterdã que a queimaria! Pense na sua mãe. O que ela dizia do que fazia, antes que a torturassem e a fizessem repetir o que queriam?

 Ah, mas essas foram as palavras erradas! Eu não tinha como saber, Stefan. Eu não sabia. Só com o impacto na sua expressão, quando ela cobriu os ouvidos com as mãos, foi que percebi meu erro. Sua mãe havia acreditado ser do mal. E então da boca trêmula de Deborah vieram outras acusações.

    - Perversos, vocês são? Bruxos, vocês são? Vocês conseguem parar relógios? Bem, vou lhes mostrar o que o demônio pode fazer nas mãos desta bruxa!

    Ela foi até o centro da sala e olhou para cima e para o alto pela janela, aparentemente para o céu azul.

    - Venha agora, meu Lasher. Mostre a esses pobres bruxos o poder de uma grande bruxa e do seu demônio. Quebre todos os relógios de uma vez!

    E imediatamente uma enorme sombra escura apareceu na janela, como se o espírito invocado por ela se houvesse adensado para ficar menor e mais forte dentro da sala.

    Espatifou-se o vidro fino dos mostradores, abriram-se seus finos estojos de madeira colada, deixando sair as próprias molas. Os relógios que estavam no consolo da lareira e na escrivaninha caíram ao chão, e o alto relógio de pé desmoronou com estrondo.

    Roemer ficou alarmado pois raramente ele havia visto um espírito tão poderoso e nós todos como que o sentíamos em nosso meio, roçando nos nossos trajes, enquanto passava por nós e lançava seus tentáculos invisíveis para obedecer as ordens da bruxa.

    - Que vão para o inferno com suas bruxarias! Eu não vou ser sua bruxa! - gritou Deborah e, enquanto os livros começavam a cair ao nosso redor, ela mais uma vez fugiu. A porta se fechou ruidosamente atrás dela, e nós não conseguimos abri-la, por mais que tentássemos.

No entanto, o espírito não estava mais ali. Não havia mais o que temer da criatura. E após um longo silêncio, a porta pôde ser aberta e nós saímos a esmo, perplexos ao descobrir que Deborah já há muito havia deixado a casa.

10 comentários:

  1. Anne Rice. Mais uma imortal. Eu a admiro, mas não conheço suas obras, que geralmente são envoltas por criaturas sobrenaturais, como o trecho desse livro, da série Bruxas Mayfair. Um clássico.
    É estranho ler apenas o trecho de um livro e tentar decifrar os personagens, o que eles são ou até mesmo a cena retratada. Mas adorei a experiência. E fiquei curiosa quanto ao livro, embora seja meio difícil eu lê-lo.

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    1. Eu ainda não li nenhum livro dela o que me é uma vergonha. O legal dessa coluna é que achando trechos para ela eu consigo passar pelo menos que vocês ao ler.

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    2. Pois é. É interessante. Faz você ficar curiosa e querer saber mais da história.
      Tenho muita vontade de ler os livros dela e os da Meg Cabot, mas já tenho tanto para ler e outros tantos para comprar u.u

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    3. A série A Mediadora e 1800 da Meg são ótimaaaas!

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    4. Estou louca pra comprar A mediadora. Quase fiz o pedido pelo submarino semana passada, mas como Harry Potter estava em uma super oferta, preferi os da J.K.
      Agora só esperar um mês pelo meu pagamento pra poder comprar outra série.

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  2. Nossa! Que loucura, nunca cheguei a ler algo da Anne, mas parece que ela escreve bem, pena que não faz meu gênero, mas quem sabe um dia...

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    1. A única coisa que me desanima em começar é que dizem que ela descreve muito, mas de resto só ouço elogios.

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  3. Waaaaa, sou uma hipócrita. Adoro vampiros, mas nunca li nada da Anne Rive. >.<
    Adorei esse trecho. Revela a fúria da não aceitação da bruxaria. O preconceito que cega e condena a sabedoria. Ela parece ser o tipo de autora que marca com sua narrativa. Ainda lerei... *promessa*

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  4. Quando cheguei ao final do volume um fiquei indignada, hehehehe. Ela corta a narrativa assim, no meio da coisa e lá fui eu, me descabelando atrás do volume 2 :-)
    Bj, Aris.

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  5. Bruxas, demônios...não curto esse gênero :/
    Pelos coments a autora é bem famosa,
    mas, eu não a conhecia :/
    ...ou pelo menos não lembro de ter lido sobre ela :P

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