sábado, 31 de agosto de 2013

Resenha: Duna

Guerra, conspirações, feudalismo, messianismo, ecologia, filosofia, religião, psicologia. Confuso? Escrevendo assim parece, mas o mestre Frank Herbert inovou, inserindo todos esses elementos em uma história de ficção científica, criando assim um clássico, ao lado de O Senhor dos Anéis.


Capa da publicação da editora Aleph, de 2010.

Publicado pela primeira vez em 1965, Duna ganhou os prêmios Hugo e Nebula, no mesmo ano em que foi lançado.
Prêmios mais do que justos, tendo em vista a quantidade de temas abordados e a fluência do texto, que não deixa, em momento algum, de prender a atenção do leitor.
Já virou um filme, pelas mãos do malucaço David Linch e duas minisséries de televisão realizadas pelo Sci Fi Channel.
 
Esse é o tema musical principal do filme. Sente o clima:
 
 

O sucesso do livro, foi tão grande, que rendeu cinco continuações.
 
A História
 
O livro se passa num futuro, em que a história do Planeta Terra já foi esquecida. Um futuro em que uma aliança entre o imperador, casas feudais e uma série de castas, se equilibra em uma substância chamada melange, substância essa que só existe em um planeta, o planeta Arrakis, conhecido também como Duna.
É nesse mundo, que o jovem Paul deve seguir os passos de seu pai, o duque de uma das grande casas feudais, quando esse recebe a missão de substituir a família rival na administração do planeta Arrakis e se torna responsável pela extração do melange, a substância mais valiosa do universo.
A partir daí, o jovem Paul entra em uma jornada, não só para honrar o seu pai, mas para entender o confronto aonde ele está inserido e o seu lugar no universo.
 
O que eu acho do livro
 
Sou a pior pessoa do mundo para avaliar esse livro. Nem o filho do autor gosta tanto quanto eu, já tive várias versões, de diferentes editoras, ao longo dos anos, desde a minha infância e costumo reler todos os anos. Beira a obsessão.
Comecei pelo caminho inverso. Primeiro vi o filme e pirei. Depois li o livro e pirei mais ainda.
Essa pequeníssima sinopse que eu fiz, chega ser uma ofensa a um livro tão bem escrito e tão instigante. Parece ser complexo e acho que nas mãos de outro escritor teria ficado bem complicado, mas nas mãos do velho Frank, o texto flui como água.
Um fato interessante da história, é que nesse universo, computadores são proibidos, toda tecnologia é biológica ou analógica. Isso permitiu um desenvolvimento fantástico dos personagens, que não são poucos, mas são todos essências na trama.
O livro é recheado de citações de livros escritos por personagens do próprio livro, o que confere uma dimensão maior à obra. Sente o drama:
 
Litania contra o Medo
"Eu não temerei. O medo é o assassino da mente. Medo é a morte pequena que traz a obliteração. Enfrentarei meu medo. Não permitirei que ele passe sobre mim ou através de mim. E, quando ele se for, voltarei minha visão interna para olhar sua trilha.Por onde o medo passou nada restou. Apenas eu permaneço."
 

Informações Finais

Título: Duna
Título original: Dune

Autor: Frank Herbert
Tradução: Maria do Carmo Zanini
Editora: Aleph
Páginas: 544
Ano: 2010

Espero que tenham gostado, até a próxima!

11 comentários:

  1. Sinto-me envergonhada por conhecer apenas agora um clássico tão conhecido e super recomendado assim.
    Eu adoro ficção científica futurista, então é um livro que me chamou a atenção. Espero conseguir lê-lo algum dia. Acho que vou começar pelas adaptações.
    Ótima resenha.

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    1. Obrigado Cássia. É uma boa maneira de começar, mas eu me arrependi depois. O livro é muito superior a todas elas. As outras cinco sequencias, nada mais são do que a continuidade da história. É como se o livro tivesse ficado muito grande e o autor dividiu em seis partes. Você não vai se arrepender de ler os seis.

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    2. Adoro quando um livro me prende dessa forma.
      As adaptações nunca vão superar os livros, fato!
      Mas algumas até que se vale a pena assistir.
      Estou tão atribulada por agora que creio que só terei tempo pra começar a ler algo de verdade (digo isso porque todo livro que começo a ler estou levando um mês pra terminar) apenas ano que vem.

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    3. Esse é um livro para ler sem pressa Cássia! Tenho certeza que você vai adorar. Adoraria ler o seu comentário, depois que você ler.

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    4. Vou ver se encontro em e-book e faço um audio book dele.
      Além de terminar a história mais rápido apenas ouvindo-a, posso fazer isso enquanto cuido da faxina da casa e cozinho.

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  2. Nunca tinha ouvido falar desse livro e muito menos do filme... Não sei se é porque não li mais sobre o livro, mas a estoria em si não me chamou a atenção...Agora o espaço da estoria, o modo futurista e as castas são coisas que me deixou com um certo interesse.

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    1. Uma história de ficção científica, que se passa num futuro bem distante do nosso, mas que não têm computadores com inteligência artificial. As pessoas são o foco da trama. Cada casta têm uma função e um objetivo. A história é muito boa Marcos. Sabe aqueles filmes, que você só consegue entender a trama toda, nos últimos minutos ( o Sexto Sentido, por exemplo )? Pois esse livro é assim, com a vantagem de não deixar "pontas soltas". Se tiver a oportunidade de ler, não perca.

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    2. Então, pela primeira linha do seu post, dá pra perceber que o livro foi feito com cuidado, já que abrange diversos 'temas' dá a entender que ele não foi escrito de qualquer jeito...eu gosto de ficção científica e livros futuristas, mas o mercado já ta saturado desse estilo que saem de qualquer jeito, com a intenção só de comercio mesmo, mas Duna parece que foi muito bem trabalhado para ser escrito...E eu gosto disso de somente no final descobrir toda a trama (sou fã de Dan Brown por isso, embora ele venha desse de 'comercio rapido', mas os livros dele tem base e bastante estudo).
      Nunca tinha ouvido falar do livro e como agora só estou comprando livros em promoções (cadê você dinheiro querido), acho difícil um livro tão antigo e bem premiado estar em promoção

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  3. Acredito que já tenha visto algo sobre o filme, mas nunca cheguei a assistir senão me lembraria na hora. Achei tudo muito confuso, confesso, e ao mesmo tempo fascinante. Livros com versões do futuro me deixam curiosa por serem sempre muito criativos. Ótima dica, e eu entendi o lance da obsessão, tem um livro que também leio todo ano.
    Abraços,
    Raquel.

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    1. Ficou um pouco confuso Raquel, porque eu sou um péssimo resenhista ( existe essa palavra? ). O futuro que o Frank Herbert imaginou é bem diferente do que os escritores de ficção científica costumam imaginar, acho que parte do fascínio é esse, é no futuro, mas remete muito ao nosso passado. Por exemplo, as batalhas são basicamente corpo a corpo, com facas.

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    2. Não ficou confuso porque a resenha está ruim Luiz, é que histórias assim geralmente soam confusas se forem apenas contadas, é mais fácil entender quando se lê ela toda. É igual com as distopias. Mas eu me interessei pela obra por conta de sua resenha, apesar de ler poucas ficções científicas.

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