quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Prefácios do Novo Mundo - Especial Thargon.

Bom dia amigos,
Com vocês o último especial desta mini-série. (o que não quer dizer que no futuro não volte)
Segunda volta Batalhas com o inédito cap. 22.
Abraços




Especial #3 - Exército de Um Minotauro Só



-Temos que ser precisos, não existe possibilidade para o erro. - falava o general Evorah. - O primeiro pelotão vai invadir pelo lado sul liderados pelo capitão Arkabu, o segundo pelotão entrará pelo portão norte comigo, e o terceiro pelotão ira emboscar os fugitivos no portão leste, liderados pelo capitão Thargon. Alguma dúvida?
Eles não tinham nenhuma dúvida, afinal aquele era o mais incrível batalhão de todo o exército de Tauron. Já fazia duas semanas que eles estavam de tocaia próximos a Kagett, a única cidade completamente humana no reino de Tapista. Próxima demais do istmo que ligava o reino a Hersey, a cidade era o último obstáculo para o rei Aurakas ter o controle total do reino de Tapista, e também já seria um ponto estratégico para os futuros planos do rei.
A missão era simples, invadir a cidade e capturar a sacerdotisa do templo. Assim eles iriam desestabilizar a fé dos moradores, tornando eles mais "abertos" para as palavras do deus Tauron e obedientes ao governo de Aurakas.
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Terceiro pelotão, portão leste de Kagett
O ataque estava sendo um sucesso, poucos habitantes tentavam fugir pelo portão leste, sendo que a maioria se rendia ao encontrar com o pelotão do capitão Thargon. Era questão de tempo até encontrarem a sacerdotisa e a dominação ser concluída.
De repente um grupo de cinco cavalos partiu em disparada pelo portão, cada um tomando uma rota diferente. Seus cavaleiros vestiam longas túnicas brancas com capuzes tapando seus rostos.
-Eu irei atrás do primeiro que partiu para o sul, quero que mais quatro soldados sigam cada um dos cavalos. Os demais devem obedecer às ordens do sargento Copazz até o meu retorno. -gritou Thargon enquanto montava em seu cavalo. -Tragam os prisioneiros se possível.
Dito isso ele partiu em disparada na busca por seu fugitivo.
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Após vinte minutos de perseguição, Thargon conseguiu finalmente alcançar seu alvo.
Um disparo certeiro de besta foi o suficiente para derrubar o cavalo do inimigo, que mesmo assim tentou fugir correndo, mas isso era inútil e o capitão rapidamente pegou sua presa.
Ao retirar o capuz de seu prisioneiro, Thargon se surpreendeu com uma linda humana de cabelos brancos, mas não era velha, deveria ter no máximo vinte anos. O minotauro arrancou a túnica que cobria seu corpo da cabeça ao pés, foi então que ele percebeu quem ele havia capturado. A garota vestia vestes mais brancas que seu cabelo, detalhes e joias de ouro marcavam seu corpo. Aquela era a sacerdotisa de Khalmyr que eles tanto procuravam.
-Grande Tauron! Por isso ninguém havia te encontrado ainda. Eles procuram por uma velha. -exclamou o minotauro.
-Seus malditos, vocês estão destruindo nossa cidade. Nunca fizemos nada a vocês e mesmo assim nos atacaram.
-Nossa missão é apenas para lhe capturar e assim fazer com que os habitantes de Kagett aceitem o rei Aurakas como seu governante. -respondeu o minotauro. -Agora é com você: virá como minha prisioneira ou terei que levar apenas sua cabeça?
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Cidade de Kagett
O exército havia criado uma gigantesca fogueira no centro da cidade para queimar os corpos de todas as pessoas mortas no combate, número esse que Thargon acreditava ter sido alto demais. Os habitantes ainda vivos na cidade estavam presos dentro de suas casas, proibidos de sair até uma nova ordem do general Evorah.
A sacerdotisa Charah estava amarrada próxima à carruagem do general, volta e meia alguns soldados bêbados passavam por lá e cuspiam na cara dela a ofendendo com palavras vulgares. Até que Thargon se aproximou e ameaçou prender qualquer um que se aproximasse novamente dela, obviamente ninguém foi idiota de retrucar uma ordem do capitão.
O minotauro puxou um banco, pegou uma pequena adaga e cortou as cordas que prendiam os pulsos da humana, que o encarou com certa curiosidade.
-Acredito que você não possa comer tendo os pulsos amarrados. -disse ele lhe alcançando um prato de comida e uma caneca de água. -Ou acha que irei lhe dar na boca?
A humana deu uma risada e começou a comer.
-Você é diferente dos outros, não vejo maldade em seus olhos.
-Não é sobre ser bom ou mau, minha missão é apenas para capturar você. Ninguém me ordenou a lhe maltratar ou deixá-la sem comida, então não vejo o porquê de fazer isso.
-Como eu disse antes, você é diferente dos outros. Não merece o destino que lhe aguarda.
-O que você esta insinuando sacerdotisa? -perguntou o minotauro curioso.
-Seu destino lhe reserva uma grande decepção caro capitão. Uma dor muito forte que ninguém será capaz de curar. Entretanto também lhe reserva feitos épicos ao lado de inacreditáveis companheiros, mas sem o apoio que você tanto aguarda.
O minotauro não gostou do que ouviu, virou de costas e aguardou até a sacerdotisa comer. Para ele a conversa havia acabado.
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Thargon acordou com os gritos de socorro vindos da parte de trás da caravana. Justamente onde estava a prisioneira. O capitão pegou seu machado e partiu.
Ao chegar lá, o minotauro se deparou com um grupo de soldados que violentavam a frágil humana. Junto deles estava o capitão Arkabu.
-Por Tauron, o que vocês estão fazendo Arkabu? -gritou o minotauro enfurecido.
-Estamos apenas nos aproveitando um pouco de nossa missão. -riu o outro capitão.
-Isso não faz parte de nossa missão seu verme.
-Esta defendendo uma humana Thargon? Esta traindo suas ordens?
-Minha ordem era apenas de captura-la, nada mais que isso.
Alguns soldados tentavam escapar dali e outros buscavam pelo general Evorah, já que todos sabiam que os dois capitães nunca foram do tipo "melhores amigos", e que uma luta entre ambos poderia ser um problema.
-Sabe Thargon, para mim já chega dessas suas besteiras - falou Arkabu pegando seu machado.
-Chega disso os dois. -gritou o general. -Qual o motivo desta gritaria toda?
-Arkabu estava incitando os soldados a abusarem de nossa prisioneira. -respondeu Thargon.
-Apenas isso? Dois capitães discutindo diante dos subordinados apenas por causa da prisioneira? -perguntou o comandante. -Se esse é o problema, deixe que eu mesmo resolvo.
Dito isso ele pegou uma das lanças que os soldados seguravam e a arremessou contra a humana que nem mesmo conseguiu esquivar, sendo atingida no peito e caindo morta no chão.
-O senhor esta louco, essa não era a nossa missão. -gritou Thargon enquanto perdia controle sobre seu corpo, mas acabou atingido por um chute no estômago, caindo de joelhos.
-Está maluco? Quem diabos você pensa que é? -gritou Evorah - Por respeito a tudo que você já fez por nosso exército eu irei permitir que continue vivo. Mas desapareça da minha frente seu traidor, a partir de hoje você é considerado um desertor e será caçado como um. Sugiro que abandone Tapista para sempre.
-Um dia vocês pagarão por isso. -falou Thargon enquanto se levantava - Tauron que tenha pena de suas almas.
O agora ex-capitão deu as costas a sua vida e partiu em direção ao exílio.
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Em algum ponto do reino de Fortuna, um mês após.
Thargon caminhava pelas florestas sem rumo certo. Precisara agir como um mercenário e arranjar trabalhos pequenos para viver. Mas em seu interior o que acontecera em Kagett não havia sido esquecido. De repente um velho apareceu na sua frente com um sorriso maldoso no rosto.
-Estive a sua procura capitão Thargon.
-Não atendo mais por esse título. -disse o minotauro dando as costas para o humano.
-Eu sei, e por isso estou aqui. -falou o velho - Fiquei admirado com sua atitude em Kagett, e então quero lhe contratar. Preciso de homens fortes e leais para uma missão.
-Continue.
-Preciso que encontre mais três aventureiros no Mercado dos Goblins em Pondsmânia. La vocês vão buscar uma pedra que preciso muito. Seus nomes são Jacques, Gwenh e Vëon.
O minotauro pensou um pouco, lembrou-se das palavras ditas pela sacerdotisa em sua conversa e decidiu então aceitar a missão.
-Ok, eu aceito sua missão. Mas me responda, qual o seu nome?
O velho deu uma risada, pensou um pouco e respondeu.
-Meu nome é muito simples... -ele fez uma pausa até finalizar - Eu me chamo Çaesar.
Dito isso o velho se despediu e desapareceu. Deixando o minotauro sozinho com seus pensamentos. Estava na hora de começar uma nova vida, deixando Tapista enterrado no passado.
E que Tauron guiasse seus passos.

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