quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Batalhas do Novo Mundo #21




Livro 1 - Conspiração
Arco III - A Bela e o Prisioneiro
Cap. 21 - Para Vectora




-Espera ai, você está nos contratando para matar uma pessoa? -perguntou Morn
-Desculpe senhor, mas não somos assassinos. -falou Gwenh
-Não meus amigos, se for possível eu quero ele vivo. Pode ser machucado, mas vivo. -respondeu o palhaço.
Todos se olharam, aquilo estava cheirando a encrenca da pesada.
-Quem é ele? -perguntou uma voz as costas de todos, era Laurëa que vinha descendo as escadas.
-Finalmente se juntou a nós pequena clériga incompetente, não é capaz de nem mesmo re...
Ele não conseguiu terminar sua frase, pois o anão Cal colocou a mão em seu ombro e falou com uma voz ameaçadora que fez com que todos gelassem:
-A próxima vez eu lhe expulso daqui trapaceiro.
-Ooook taverneiro, vou falar apenas do que me diz respeito. -sua voz demonstrava um pouco de medo, mas logo ele se virou para o grupo. -E ele ainda se diz "neutro" e "justo", mas sempre preferiu a traidora. Ook, deixa isso para lá, vamos sentar ali naquela mesa para conversarmos longe de metidos.
Morn não sabia se deveria se preocupar ou rir daquela situação. Thargon e Arwen pareciam confusos, já Laurëa e Gwenh permaneciam sérios com aquela estranha conversa.
-Chega de papo palhaço. O que você quer de nós? -falou o elfo secamente.
-Gostei de você, não tem respeito algum. -riu o hafling. -Bom, como eu disse antes, preciso que vocês capturem um homem, o nome dele é Sardo. Durante alguns anos ele era um de meus seguranças, mas ai matou um de nossos companheiros de circo e fugiu. Quero que pague pelo que fez.
-Não podemos simplesmente sair caçando um homem, precisamos ir até Valkaria encontrar "outro cliente". -falou Thargon.
-Eu lhes entendo minotauro, mas garanto que isso não vai atrapalha-los. Tenho a informação de que ele está em Vectora, a cidade voadora.
-Poderíamos usar Vectora como transporte até Valkaria. -falou Morn. -Aproveitamos as duas missões. O que vocês acham?
-Eu acho muita coincidência. -sussurrou Gwenh.
-Nada no mundo é coincidência elfo. Eu sabia que a... -o halfling parou, pensou um pouco -Acho que ela falou para vocês que se chamava Linnáe né. Pois bem, eu tinha certeza que ela iria propor que vocês usassem Vectora, e por esse motivo dei a missão para vocês.
Os amigos se olharam, como que esperando que algum recusasse. Como ninguém se manifestou, Laurëa tomou a iniciativa:
-Nós aceitamos então. Quanto iremos ganhar?
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Geleiras de Ba, Montanhas Uivantes
Elvellon acordou com os gritos de seu irmão no outro quarto. Ele olhou pela janela e viu que ainda havia fogo nas tochas, essa noite a crise de Sarcano havia começado mais cedo que o normal. O jovem se vestiu e foi ajudar sua mãe a tentar acalmar o caçula.
Os gritos desta vez eram mais fortes, e aparentemente seu irmão estava em pé arremessando coisas contra a parede. Ia ser difícil acalma-lo. Na verdade, nas últimas noites as coisas só pioravam. Por mais que seu corpo mostrasse o contrario, Sarcano estava cada dia mais forte. Na noite anterior Elvellon quase não conseguiu segurar o irmão mais novo. Hoje seria mais uma noite complicada.
Sua mãe estava encostada na parede do corredor, aparentava medo de entrar no quarto, mas ele entendia, na última vez ela se machucou tentando acalmar o filho.
-Fica aqui mãe, deixa que eu o acalmo.
-Toma cuidado meu filho, ele parece estar possuído hoje.
-Não fale besteiras mãe, ele apenas está doente.
O jovem respirou fundo e entrou no quarto do irmão. Sarcano estava em pé, parecia mais alto que o normal e seus olhos estavam vermelhos como brasa.
-Se acalme Sarcano, eu estou aqui.
O garoto encarou o irmão mais velho, sua cara era cruel e transmitia maldade, mas Elvellon não sentiu medo, aquele ali era seu irmão mais novo, o mesmo que rira com ele horas atrás enquanto caçavam. Ele tentou se aproximar do irmão, mas um soco o arremessou contra a parece. Parecia que havia se chocado contra uma árvore.
Um grito o trouxe de volta a realidade. Sua mãe havia entrado no quarto.
-Por Khalmyr, o que é você? -ela gritava. -O que você fez com meu filho seu monstro? Você não é meu Sarcano. Você é um mons...
Elvellon se levantou rapidamente e deu um tapa no rosto de sua mãe que deixou ela em silêncio.
-Cale a boca. Esse é o Sarcano. Seu filho e meu irmão. Nunca mais ouse falar isso novamente.
-Você está louco. Aquilo é um monstro, ele matou seu irmão e ocupou o corpo dele. Não consegue ver.
Um movimento na rua demonstrava que alguns vizinhos estavam vindo em socorro, provavelmente motivados pela palavra monstro.
Ele não teve tempo para pensar, se atirou contra o irmão arremessando-o contra a frágil parede de madeira que se quebrou. Ele tinha que tirar Sarcano dali o quanto antes.
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Taverna do anão, segunda hora do primeiro sol.
-Vocês tem certeza que querem fazer isso mesmo? -Linnáe ainda não havia aceitado que o grupo tinha fechado um acordo com o palhaço.
-Temos sim, é uma chance de juntar um dinheiro. -respondeu Morn.
-Ok, desisto de convencer vocês. -ela parecia abatida. -Laurëa, aqui esta o mapa e a chave de minha casa em Vectora.
-Você não ficará conosco? -perguntou Arwen.
A guerreira olhou para seu amigo anão.
-Digamos que não sou bem vinda na cidade. -sua voz parecia triste. -Cal, o teleporte esta pronto?
-Sim, mas tem certeza que quer mesmo ir para lá? -a humana assentiu com a cabeça. -Ok, boa sorte.
Dito isso, os seis despareceram.
-De volta a masmorra minha querida. -falou o anão enquanto saia da taverna e se dirigia a um dos aldeões. -Por favor, vá ao plano de Nimb para mim e peça que ele venha aqui, preciso conversar com meu irmão.
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Geleiras de Ba, segunda hora do primeiro sol.
Os aldeões continuavam perseguindo os irmãos, Elvellon consiga escutar seus gritos logo atrás deles. Sarcano já havia se acalmado, mas seu olhos continuavam vermelhos. Pela primeira vez ele conseguiu visualizar o corpo do irmão. Várias "cascas" haviam aparecido no braço direito e no tronco do irmão. O mais velho tirou sua jaqueta e colocou no caçula, ao menos poderia esconder aquilo. Mas o que diabos estava acontecendo com seu irmão?
-Eu consigo vê-los, eles estão armados. Eu fiz algo errado meu irmão?
-Não Sarcano, os únicos que erraram conosco foram os deuses. Eles é que tem que sentir vergonha.
Neste momento um grupo de três homens se aproximou dos irmãos. Elvellon pegou um pedaço de madeira e caminhou em direção ao grupo.
-Nos deixem em paz por favor. Iremos sair daqui e nunca mais nos verão.
-Cale a boca moleque. Queremos e o monstro, podemos vendê-lo para algum colecionador ou para servir de cobaia na Academia Arcana.
Ouvir aquelas palavras foram o suficiente para deixar o garoto em estado de fúria descontrolada. Ele ergueu o pedaço de pau e partiu em direção aos adversários. Mas ele não teve nem chance, e o disparo de um virote acertou Elvellon no peito, fazendo o jovem humano tombar no chão.
Do outro lado da clareira Sarcano assistia àquilo incapacitado. De repente uma voz surgiu em sua cabeça lhe trazendo uma ideia definitiva:
-Eles merecem morrer pelo que fizeram com Elvellon. Vamos matar eles.
Isso, a voz estava certa. Eles tinham que morrer.
Continua...

2 comentários:

  1. Sou a única com medo desse anão? kkkkk. Poxa, com essa voz e atitude, com certeza seria beeeem obediente e ficaria caladinha. ^^'

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    1. Hehe, esse anão tem segredos.
      Mas não conta pra ninguém. :P

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