segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Batalhas do Novo Mundo #20



Livro 1 - Conspiração
Arco III - A Bela e o Prisioneiro
Cap. 20 - A Proposta do Palhaço



Taverna do anão, décima segunda hora do breu.
A noite já estava terminando e o grupo permanecia na taverna bebendo, menos Laurëa que havia subido para um dos quartos da taverna. Eles contaram para Linnáe sobre sua missão e mostraram o Rubi da Virtude que já haviam conseguido. A guerreira, e até mesmo o anão, pareciam muito interessados quando o grupo falou sobre o velho Çaesar.
Gwenh continuava na outra mesa com a linda mulher e os outros elfos.
-Parecem estar se divertindo bastante daquele lado. -comentou Morn quando um dos elfos derrubou uma caneca ao dar uma gargalhada.
-Não sei o que ela esta fazendo aqui, mas coisa boa não deve ser. -falou Linnáe sozinha.
-Como assim guerreira? -perguntou Thargon
-Nada, deixe para lá. -finalizou a humana se levantando e caminhando até o balcão onde estava o taverneiro.
-Mulheres. -comentou Thargon arrancando gargalhadas do orc.
No balcão, o anão permanecia sentado em seu banquinho fumando um pequeno cachimbo enquanto contemplava um tabuleiro de xadrez.
-Khalmyr tem o tabuleiro, mas quem move as peças é Nimb. -falou Linnáe se aproximando. -É esse o ditado, não é Cal?
O anão permaneceu quieto, apenas se deu o trabalho de erguer seus olhos para a linda garota que estava a sua frente. Quanto tempo fazia desde a última vez que contemplara aqueles olhos decididos e fortes.
-O que ela esta fazendo aqui? Ainda mais acompanhada de elfos? -falou a jovem apontando para a mesa onde estava Gwenh. -Você sabe que a fama dela com essa raça não é nada boa.
-Sou neutro. -falou o anão voltando o olhar para o tabuleiro.
-Eu sei, foi por isso que vim para cá. -seu sorriso era reconfortante. -Obrigada por tudo que você fez nestes anos.
O anão permanecia sério com seu cachimbo, não havia necessidades para aquelas palavras, ele apenas fez o que havia prometido.
-Tem confusão se aproximando. -falou de repente.
-Eu percebi. Acho que irei me deitar em um dos quartos. -falou Linnáe olhando para a porta.
-Pegue o terceiro. -finalizou o anão se levantando da cadeira.
Na mesa do fundo a risada havia parado, a dama negra estava de pé se despedindo de Gwenh com um beijo na testa, enquanto os outros elfos olhavam para a saída de modo preocupado.
Morn olho para seus companheiros. Thargon estava cantando bêbado e Arwen tentava dar cerveja para seu lobo. Nenhum deles parecia ter notado a tensão que havia tomado conta da taverna. Algo estava vindo.
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Geleiras de Bah, Montanhas Uivantes.
Desde que aquela estranha tempestade vermelha chegou nas Uivantes, o dia e a noite se tornaram estranhos. Não que isso fosse anormal ali, os dois sóis não tinham tanta intensidade e o breu tinha quatro horas a mais que no resto do Reinado. Só que agora isso estava piorando, agora existia dois momentos de breu durante o dia. Os monstros também pareciam ter sido afetados pela tempestade, pois já não temiam mais os vilarejos humanos nem durante os horários de luz. Vários animais já haviam desaparecido da vila nos últimos meses.
Os irmãos Elvellon e Sarcano já estavam caçando à tarde inteira e não haviam obtido nenhum resultado até o momento, esse era outro sintoma da tempestade rubra.
-Você acha que os deuses estão bravos conosco por idolatrarmos a Rainha Beluhga? -perguntou Sarcano.
O mais velho encarou os olhos cansados do caçula. Elvellon sabia que algo não estava certo com seu irmão. Sua mãe e os demais aldeões diziam que ele estava doente por causa do frio das Uivantes, mas na verdade ninguém queria admitir que essa "doença" começou logo após a vinda da tempestade.
Ele olhou para o céu, o breu já havia tomado conta de tudo. Era melhor retornar para a aldeia antes que algum animal perigoso aparecesse.
-Vamos voltar. Já está escuro demais e eu não enxergo nada.
-Você está velho meu irmão, seus olhos nem funcionam mais. -brincou o mais novo. -Eu consigo enxergar como se o primeiro sol estivesse no céu.
-Tá bom olho biônico, me ajuda a levar esses peixes aqui.
O caçula deu uma gargalhada que animou seu irmão. Era bom ver Sarcano rindo, já que nos últimos dias sua doença havia piorado e ele mal conseguia dormir sem se debater em agonia. No outro dia ele parecia não se lembrar de nada, algo que Elvellon agradecia aos deuses, pois assim seu irmão poderia aproveitar seus dias. Ele se aproximou do irmão e o abraçou.
Mal sabia ele que esta seria a última vez que abraçaria seu querido irmão.
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Taverna do anão.
Uma musica invadiu a taverna vinda do centro da cidade, luzes multicoloridas atravessavam as janelas iluminando tudo como se o sol já houvesse nascido.
O lobo de Arwen começou a rosnar de modo assustador, como se estivesse acuado por um monstro. Linnáe se aproximou e colocou sua mão na cabeça do animal que subitamente se acalmou.
De repente a porta foi escancarada com força, por ela entraram malabaristas montados em monociclos e brincando com bolas e tochas. Uma confusão e baderna tomou conta de toda a taverna.
-Chega! -gritou o taverneiro assustando a todos com um soco no balcão. -Desça deste lustre e mande essa tropa embora da minha taverna.
Todos olharam para cima no mesmo instante, sentado no lustre central estava um halfling vestido como um bobo da corte, todo de verde e vermelho. Ele ria de toda a situação, mas um novo soco do anão em cima do balcão fez com que ele se calasse. O estranho balançou a mão e todos saíram da taverna com a mesma velocidade que entraram, restando apenas um gnomo de cartola e um humano negro com uma tatuagem no rosto. O halfling então saltou em direção ao balcão, deu uma pirueta e pousou deitado encarando o taverneiro.
-Você deveria ser neutro, anão.
-Eu sou neutro, Trapaceiro. -respondeu Cal enquanto pitava seu cachimbo. -Mas você sabe que eu gosto de ordem.
O halfling era mais alto que o normal para sua espécie. Ele se sentou no balcão, dando as costas para o anão e encarando os demais.
-Você está movimentado "Carl". Há quanto tempo não nos reunimos entre tantos aqui? -havia certa malicia em seu sorriso ao notar a presença de Linnáe - Principalmente você "maninha".
-Continua inconveniente. -falou uma voz ao fundo da taverna, era a dama negra. -Estou de saída Cal, obrigado por me receber.
-Esta andando com elfos minha senhora? -novamente havia malicia naquele sorriso, porém a linda garota o ignorou e se retirou.
-Vou subir Cal, boa noite. -finalizou Linnáe.
-Ah, minhas garotas vão me deixar, então vou ter que negociar com estes senhores aqui.
Gwenh e Morn trocaram olhares preocupados, isso estava estranho. E iria sobrar para eles.
-Chega de conversa palhaço, o que você quer? -perguntou sério o orc.
-Eu preciso que vocês tragam uma pessoa para mim. -sua expressão mudou completamente, ele parecia assustador. -Pode ser vivo ou morto.
Continua...
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N/R: Chegamos ao capitulo 20 já.

E podemos dizer que a "coluna" da história começa a se formar.

Lembrando a todos que quem não pegou a história e ainda esta um pouco confuso, no cap 19 eu coloquei o link de todos os capitulos anteriores. É só conferir lá.

Apenas uma ressalva: quem leu o especial "Prefácio do Novo Mundo" sobre o passado de Vëon, deve conhecer alguns destes personagens novos. :P

Abraços.
Haag

7 comentários:

  1. Ahhhh desse jeito eu nunca consigo acompanhar a história. u.u
    Imprimi os capítulos do primeiro e segundo arco pra ler no serviço, mas estou meio sem tempo...
    Só não termine a história antes de eu acompanhar, se não perde toda a graça. u.u
    Pelo que eu li posso dizer que adorei sua narrativa. Não posso falar muito da história, pois os personagens ainda estão muito prematuros na minha mente.

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    1. Nem se preocupe Cássia.

      O livro 1 tem um total de 60 capitulos.
      Então vou demorar ainda para terminar ele.

      Ainda vai ter mais dois livros. Então só em 2014 o final de BdNM. :P

      Que bom que você esta gostando.

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    2. Ahhhh sim. É, com certeza não vai acabar antes de eu acompanhar.
      Mas quando tiver lido todos os capítulos vou acabar ficando mega curiosa, isso sim.
      Irei ler, e até semana que vem tenho terminado, creio eu.

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  2. Ainda não sei como Haag tem tanta coisa pra contar ainda...já aconteceu coisa pra caramba e ainda tem muito mais.

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    1. Cara, não chegamos nem na metade do primeiro livro ainda. :P

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  3. Minha parte preferida:
    "-Vamos voltar. Já está escuro demais e eu não enxergo nada.
    -Você está velho meu irmão, seus olhos nem funcionam mais. -brincou o mais novo. -Eu consigo enxergar como se o primeiro sol estivesse no céu."
    Eu gosto muito de diálogos que satirizam a fragilidade do outro, mas de um jeito amigável. :) Gostei. Só fiquei me perguntando... "...o primeiro sol"? (rs) Como não li sua história, não entendi, mas já achei interessante o universo criado. <3

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    1. Existem 2 sóis (ainda não descobri o plural de sol, se estiver errado desculpe :P).
      La no comecinho eu expliquei isso. Mas em resumo seria assim:

      O breu tem a duração de 12 horas e em seu auge (entre a 5ª e 9ª hora) a escuridão é tão forte que nem as estrelas é possivel ver. Logo depois tem o primeiro sol, o Sol Azul, que dura 6 horas, o céu sai do preto do breu e vai mudando para o azul do sol até terminar em verde. Ai começa o segundo sol, o Sol Laranja, que tambem dura 6 horas e vai do verde do primeiro sol até o preto do breu.

      Quando os dois sóis estão no céu, é chamada de "hora esmeralda", pois o céu fica de um verde igual ao da pedra. Quando o primeiro sol e a lua se encontram é a "hora lapis-lazuli" pois o céu fica azul com as estrelas ainda aparecendo. E por fim quando a lua e o segundo sol se encontram é a "hora de sangue" com o céu em seu tom vermelho escuro.

      Acho que seria essa a explicação. :D

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