segunda-feira, 8 de julho de 2013

Batalhas do Novo Mundo #12

capitulo anterior


Livro 1 - Conspiração
Arco II - Mercado dos Goblins
Cap. 12 - Za'albul, o necromante


-É por esse motivo que estas armas são consideradas tão perigosas, ninguém sabe quando elas podem disparar por acidente. -falou K de forma debochada.
Gwenh estava paralisado, incapaz de assimilar o que presenciara. O humano disparou suas pistolas com a mesma calma de alguém que acabou de acordar, e não demonstrava o menor arrependimento, pelo contrario, permanecia sentado bebendo enquanto seus companheiros voltavam a rir do acontecido.
Do lado de elfo estava Thargon. O minotauro parecia estar em choque. Seus músculos começaram a crescer e seus olhos tornaram-se vermelhos como duas brasas. Ele estava entrando em estado de fúria e Gwenh sabia que isso não iria os ajudar em nada.
-Se acalme, precisamos manter a calma e bolar um plano. -falou o elfo em vão.
-Maldito, eu juro em nome de Tauron que não permitirei que você termine este dia vivo. -gritou o minotauro.
-Tauron? -perguntou o pistoleiro. -Você fala do Deus da Força? Aquele fracote sem poder algum? Por favor vaquinha, não me insulte.
Aquilo foi a gota d'agua, Thargon ergueu seu machado e partiu em direção ao humano. No mesmo instante o espadachim se colocou no caminho com sua espada apontada para a cabeça do minotauro, obrigando Thargon a parar seu ataque.
-Viu, você não tem Poder. - voltou a falar o pistoleiro enquanto bebia. - Tauron é o Deus da Força, mas força sem poder é apenas um monte de músculos inúteis. Este ladino não tinha nenhuma destas qualidades, então por que manter vivo alguém tão inútil.
O humano levantou de sua cadeira, passou por cima do cadáver de Jacques e caminho lentamente até seus companheiros.
-Todos os meus amigos são poderosos, por que eles aceitaram o Poder vindo do criador. Já vocês são fracos e colocam suas vidas nas mãos de deuses inúteis. - ele olhou para Gwenh. - Mas você sabe do que estou falando elfo, você conhece as diferenças entre uma deusa fraca e uma deusa forte. Ou estou errado?
Gwenh permanecia em silêncio, apenas ouvindo o monólogo de K.
-Vocês viéram até o Mercado Goblin atrás de um dos vinte rubis da virtude. E eu lhes pergunto: quem são vocês para colocarem suas mãos imundas em tais pedras sagradas? Que poder vocês tem para utilizar algo tão poderoso quanto os rubis? Talvez você tenha esse poder algum dia Gwenh, ou quem sabe o feiticeiro Vëon também desenvolva esse poder. Quanto aos outros - disse apontando para Thargon - eles não têm chances de sobreviverem no novo mundo, então por que não acabar com isso tudo agora?
O pistoleiro fez um sinal para seus companheiros, que no mesmo momento pararam de rir e se levantaram. O espadachim acertou um chute no minotauro que se curvou de dor. Perante o inimigo caído, o humano levantou sua espada preparando um golpe final, Gwenh fez menção de se mover, mas os demais inimigos estavam do seu lado. Não havia nada que ele pudesse fazer neste momento.
De repente uma explosão de luz invadiu toda a taverna cegando todos lá dentro. Após alguns segundos seus olhos começaram a se acostumar com a claridade, e Gwenh pôde visualizar o que havia acontecido. Thargon permanecia vivo e o espadachim havia sido arremessado para o outro lado da taverna, no meio do bar estavam Vëon e o anão Lothar.
-Parece que conseguimos chegar a tempo senhor Vëon. - falou o anão.
Ainda sentado bebendo sua cerveja estava K, ele largou a caneca e começou a aplaudir.
-Ora ora, se não é Lothar Barthofull, o antigo sumo sacerdote de Khalmyr na cidade de Doherimm. -falou com seu habitual sarcasmo, enquanto se levantava e partia em direção a saída. -Essa batalha já se tornou desnecessária, você não é um inimigo que quero ter.
-Quem é você? -perguntou o anão.
-Meu nome é K. Adranoch, um pistoleiro de Smokestone. -falou o humano com uma reverência exagerada. -Nós somos um grupo de aventureiros buscando grana fácil e boas lutas, infelizmente não posso ter nenhum dos dois continuando aqui, então vou embora, ouvi dizer que o rei esta procurando aventureiros para entrar na Tormenta. Quanto a vocês, eu acho que deveriam se preocupar mais com o ladino do que comigo.
Ele olhou para seus companheiros, e um a um o grupo foi saindo da taverna, o ultimo foi o líder. Antes de sair, K se virou para Gwenh e sussurrou:
-Não sei se você será capaz de cumprir sua missão, mas quando encontrá-la, diga que mandei um beijo.
Ela? Seria possível que ele soubesse de sua missão e por isso o atacou? Gwenh não sabia mais o que pensar. Estaria ele em perigo se continuasse ali? De repente a voz de Lothar trouxe o elfo de volta a razão.
-Ele já esta morto, mas ainda temos esperanças. A morte foi recente, e por sorte conheço um necromante que mora aqui perto. Precisamos levar o corpo para lá e talvez possamos ressuscitá-lo.
O minotauro colocou o corpo de jovem ladino nas costas e o grupo seguiu em direção ao necromante.
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O grupo seguia velozmente em direção as Colinas da Noite, na divisa entre Pondsmania e Trebuck. Lothar havia escolhido as duas carruagens mais rápidas de sua caravana para levar o grupo até a mansão do necromante. Na primeira carruagem estava o anão, Gwenh e o corpo de Jacques, na de trás estava Vëon, Thargon e um segurança de Lothar.
Enquanto na segunda carruagem todos conversavam, na primeira o clima estava terrivelmente pesado. Lothar e Gwenh mal trocavam olhares.
-Um sumo sacerdote? -falou de repente o elfo. - Isso explica muita coisa.
-Você não esta em posição de falar em "explicações" elfo. - respondeu o anão de forma ríspida.
Gwenh estranhou as palavras do mercador, desde que se conheceram ele sempre utilizou a palavra senhor junto com seu nome. Será que o anão sabia de algo?
-Senti uma hostilidade em sua voz senhor Lothar. Ou foi impressão minha? - falou Gwenh enquanto colocava a mão sutilmente no cabo de sua espada, dependendo da resposta ele precisaria sair rápido dali.
-Me responda antes, o que aquele pistoleiro lhe falou antes de sair? - perguntou o anão, também segurando o cabo de sua espada.
O clima na carruagem estava pesado, nenhum dos dois parecia interessado em ceder.
De repente a carruagem parou, pela janela apareceu à cabeça de um homem:
-Há quanto tempo amigo Lothar. -falou o estranho
-Za'albul, o que faz aqui? -espantou-se o anão
-Vim busca-los, assim chegaremos mais rápidos em minha casa e poderemos resolver esse probleminha de vocês. -respondeu o necromante apontando para o corpo de Jacques.
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Colinas da Noite, mansão de Za'albul, quinta hora do breu.
-Por favor entrem e se sintam a vontade em minha casa. -disse o necromante.
-Como você sabia que estávamos vindo? -perguntou Thargon.
-Eu não seria um necromante se não pudesse nem perceber visitantes vindo para minha casa. -respondeu o humano.
-Na verdade Za'albul é mais que um simples necromante. -falou Lothar - Durante anos eles foi o sumo-sacerdote de Tenebra. Como recompensa por seus anos de devoção, a deusa lhe presenteou com esta mansão nas Colinas da Noite.
Um sacerdote de Tenebra? Isso estava ficando cada vez mais perigoso, Gwenh precisava dar um jeito nisso urgente.
-Desculpem se sou indelicado, mas podemos interromper a conversa um momento e resolver o que viemos fazer? -falou o elfo - Senhor Za'albul, você pode ressuscitar nosso amigo?
O necromante olhou para Gwenh com certa curiosidade, isso preocupou o elfo demais.
-Poder eu posso, mas não vou. -respondeu ele para surpresa de todos. -Mas estou esperando uma visita que pode fazer isso de maneira mais rápida que eu.
No mesmo momento um dos criados entrou na sala e anunciou a chegada do visitante.
-Você! -gritou Lothar
-Não pode ser. -falou Gwenh ainda mais nervoso.

Na frente deles estava aquele que reuniu todos, o velho Çaesar.

Continua...
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N/R: Buenas galera, chegamos novamente na finaleira de um arco. Quarta-feira já teremos o fim do Mercado dos Goblins.

Não percam o próximo capitulo, pois quem tem acompanhado a história (e lido dos N/R principalmente) pode acabar desvendando um dos principais mistérios da trama. :P

Também teremos mudanças importantes em nosso grupo de aventureiros, sem contar o surgimento de uma figura bem misteriosa.

Tudo isso para antecipar o maior (e até mesmo principal) arco de BdNM.

Para finalizar, não deixem de ler o 2º capitulo do especial "Prefacio do Novo Mundo" lá no blog Contos de RPG, esse capitulo conta a história do meio-orc Morn antes de se juntar ao grupo.

Ainda essa semana sai o ultimo capitulo desse especial e vai contar o passado do minotauro Thargon. É surpreendente, não percam.

Abraços
Haag

13 comentários:

  1. Jacques não morre nunca. ¬¬' Eu não gosto dele.
    O que Gwenh está escondendo? Eu quero saber logo. u.u

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    1. Tadinho do Jacques. hahahahaha

      O proximo capitulo vai fechar esse arco de maneira inacreditavel. :P

      Leu os especiais??

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    2. Acabei de ler o do Morn que você sabe é meu queridinho!

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    3. Essa semana sai o ultimo, vai ser o surpreendente passado do Thargon.

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    4. Adorei esse capítulo. Ficou excelente!!! Ficaram vários mistérios no ar... Vou tentar descobrir.

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  2. Curti bastante...principalmente pela frase "Por favor vaquinha, não me insulte.", que eu ri.
    e esse "Çaesar-Mestre-dos-Magos" aparecendo denovo...

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    1. Vou contar um segredo.
      Esse capitulo era pra ser junto com o próximo.
      Entretanto esse "monologo" do K. ficou grande demais e eu precisei dividir os capitulos. :P

      O capitulo de amanhã vai "balançar" a história.
      Quem tem acompanhado desde o começo vai conseguir enxergar ao menos a ponta do iceberg. :P

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    2. Eu também achei o Çaesar a cara do Mestre dos Magos.
      rsrsrs

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  3. Gostei da cena da carruagem que o clima ficou tenso, eu senti mesmo tudo aquilo tenso, imaginei até o que teria acontecido se eles pegassem a espada! kkkk

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    1. Cada ação necessita de uma reação. A reação com a espada dependeria do rumo da conversa entre Gwenh e o anão.
      Ficou bem tenso o clima. Gostei bastante!

      Parabéns!

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  4. Tô curiosa para ler mais sobre a história.
    Vou ficar esperando ansiosa e vou ler também a do blog RPG :D

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    1. Hoje sai o último capítulo deste arco. :D
      Aguarde mais algumas horinhas. :P

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    2. Vou correndo ler o capítulo 13.
      Abraço!

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