quinta-feira, 13 de junho de 2013

Trechos De Um Livro... - A Lista Negra.


– Concentre-se apenas em estar no momento –, disse ele. – Não interprete as coisas. Veja o que está realmente acontecendo, certo? Quando chegar em casa hoje à tarde, ligue-me. Vou dizer para a Stephanie passar você para mim mesmo que eu esteja atendendo, certo?

– Certo.

– E se você precisar durante o dia...

– Já sei, posso ligar.

– E lembre-se do que falamos. Se você só conseguir ficar a metade do tempo, ainda é uma grande vitória, certo?

– Mamãe está voltando a trabalhar. Período integral.

– Isso é porque ela confia em você. Mas ela voltará para casa se você precisar dela. Embora eu ache que você não vai precisar. E você sabe que estou sempre certo. – Havia um sorriso em sua voz.

Eu ri, fungando. Enxuguei os olhos novamente.

– Certo. Seja o que for. Preciso ir.

– Você vai se dar bem.

– Espero que sim.

– Sei que vai. E lembre-se daquilo que conversamos: você pode se transferir depois deste semestre se as coisas não derem certo. O que é isso? Setenta e cinco dias, mais ou menos?

– Oitenta e três – respondi.

– Viu? Mamão com açúcar. Você entendeu. Ligue-me mais tarde.

– Vou ligar.

Desliguei e peguei minha mochila. Comecei a sair pela porta, mas parei.

Alguma coisa estava faltando. Abri a primeira gaveta da penteadeira e remexi lá dentro até encontrar, enfiada sob o revestimento da gaveta, onde minha mãe não podia alcançar. Tirei-a de lá e observei-a pela milionésima vez.

Era uma foto minha e de Nick no Lago Azul, no último dia de aula do segundo ano. Ele estava segurando uma cerveja e eu ria tanto que se podia ver minhas amídalas na foto. Estávamos sentados numa rocha gigante à beira do lago. Acho que foi o Mason que tirou a foto. Eu não me lembrava o que tinha sido tão engraçado, apesar de ficar várias noites acordada martelando isso na cabeça.

Parecíamos tão felizes. E estávamos. Não importa o que diziam os e-mails, as notas de suicídio e a Lista Negra. Éramos felizes. Toquei o rosto sorridente de Nick na fotografia com o dedo. Ainda podia ouvir sua voz alta e clara. Ainda o ouvia perguntar-me daquele seu jeito, ao mesmo tempo audaz e bravo, romântico e tímido:

– Val – chamou ele, esticando-se para descer da pedra e inclinando-se para alcançar sua garrafa de cerveja. Pegou uma pedra chata com a mão livre, deu alguns passos em direção ao lago e lançou a pedra na sua superfície. Ela pulou uma, duas, três vezes antes de afundar. Stacey riu de algum lugar perto do bosque. Duce riu logo depois dela. Estava começando a anoitecer e um sapo começou a coaxar à minha esquerda. 

– Você já pensou em deixar tudo para trás?

Puxei minhas pernas, roçando os calcanhares na rocha, e abracei os joelhos. Pensei na briga de papai e mamãe na noite anterior. Na voz de minha mãe erguendo-se pela sala e através da escada, as palavras incom- preensíveis, mas o tom venenoso. Pensei em papai saindo de casa, perto da meia-noite, a porta fechando sem fazer barulho atrás dele.

– Você quer dizer, tipo, fugir?

Nick ficou em silêncio durante um bom tempo. Pegou outra pedra e a jogou na superfície do lago. Ela quicou duas vezes e afundou.

– Claro – disse ele. – Ou, sabe, tipo, acelerar o carro até o abismo e não olhar para trás.

Fiquei olhando o sol se pôr e pensei naquilo.

– É – respondi. – Todo mundo quer fazer isso. Totalmente Thelma e Louise.

Ele se virou para mim e sorriu. Então, tomou o resto da sua cerveja e jogou a garrafa no chão.

– Nunca assisti a esse filme – disse. – Lembra quando lemos Romeu e Julieta no primeiro ano?

– Lembro.

Ele se inclinou sobre mim.

– Acha que poderíamos fazer como eles?

Franzi o nariz.

– Sei lá. Acho que sim. Com certeza.

Ele se virou novamente e ficou olhando para o lago.

– É, a gente poderia mesmo fazer isso. Pensamos do mesmo jeito.

Levantei-me e esfreguei a parte posterior das coxas, marcadas por eu estar sentada na rocha.

– Você está me chamando para sair?

Ele se virou, inclinou-se na minha direção e me agarrou pela cintura.

Ergueu-me até meus pés saírem do chão e, não pude evitar, dei um grito que saiu como uma gargalhada. Ele me beijou e senti meu corpo tão eletrificado junto ao dele que os dedos dos pés formigaram. Parecia que eu tinha ficado esperando por toda a eternidade ele fazer isso.


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5 comentários:

  1. Nossa eu nunca tive interesse em ler esse livro, mas eu A-D-O-R-E- esse trecho. Tão ... sem palavras para descrever! Vou colocá-lo na minha lista agora mesmo, fiquei muito curiosa para saber o que estava acontecendo com a personagem e para conhecer esse Nick tão romântico. *-*

    Abraços,
    Raquel.

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  2. O.OOO nossa que incrível quero ler esse livro urgentemente !!

    http://euvivolendo.blogspot.com.br/ ( comenta lá :D )

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  3. \o/ É um dos meus desejados, depois desse trecho irei adiantar minha compra de livros do mês e comprar ele logo :)

    Beijos,
    Jhey
    www.passaporteliterario.com

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  4. Ainda não li nada dessa autora. Mas só pelo título já fiquei interessado. Parece ser misterioso, bem o estilo que eu gosto.
    Obrigado por postar aqui esse trecho.

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  5. Eu ainda não li esse livro e nada da autora, mas eu não a conhecia né, mas parece que seu livro é bom e eu me interessei por ele.

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