segunda-feira, 17 de junho de 2013

Batalhas do Novo Mundo #08

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Livro 1 - Conspiração
Arco II - Mercado dos Goblins
Cap. 08 - O Mercador Anão



Vilarejo de Koonji, segunda hora do breu.
O grupo havia decidido que partiria ainda durante a noite em direção ao mercado dos goblins, menos Jacques que parecia temeroso. Seguiram todos em direção à taverna para comprar alguns mantimentos e depois partiriam em sua jornada.
Porém ao chegarem à taverna encontraram novamente com Çaesar. O velho parecia os estar esperando com algumas sacolas de mantimentos:
-Tomei a liberdade de pedir ao taverneiro que separasse algumas especiarias para vocês.
-Achei que tão cedo não o veríamos novamente. -falou Morn.
-Ah, eu também. -riu o velho- Mas lembrei de que precisava ter uma conversinha com você, senhor Morn. Poderia me acompanhar ate lá fora, é meio particular.
O velho se dirigiu a saída seguido pelo meio orc. Levou apenas cinco minutos para que Çaesar voltasse para dentro da taverna, sozinho.
-Desculpa, mas vocês precisaram seguir sem a presença do senhor Morn por um tempo. -disse sorrindo
-Onde esta o orc? -perguntou Gwenh
-Foi resolver uns assuntos para mim, nada que vocês devam saber. -respondeu impaciente o velho- Acho que está tudo preparado para que vocês sigam sua missão.
-Acho que eu não vou ir -falou Jacques bastante nervoso- Nós quase fomos mortos pelos lobos, e estamos vivos em parte pela presença do Morn. Sem ele não damos nem para o começo de uma luta. Já arrisquei minha vida demais, quero aproveitar o dinheiro que ganhei do conde e ir comprar minhas pistolas em paz.
Ninguém pareceu surpreso com as palavras do ladino.
-Eu lhe entendo Jacques. -falou calmamente Vëon- Seguiremos apenas eu e Gwenh, certo senhor Çaesar?
Porém não houve uma resposta, pois o velho já não estava mais na taverna.
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A dupla já estava caminhando aproximadamente duas horas, a escuridão estava tão densa que ficava difícil até mesmo ver as florestas em volta da estrada. Porém o silêncio entre eles conseguia ser pior que o breu. Não que eles tivessem muito assunto, mas aparentemente as palavras do ladino haviam atingido ambos de forma muito forte. Vëon sabia muito bem que Jacques estava certo, ele próprio não acreditou que fosse possível vencer o lobo quando eram em quatro, imagina agora apenas em dois, eles nem teriam chances.
De repente Gwenh fez um sinal para que parassem. Vëon nem precisou perguntar o porquê, pois ao olhar para a floresta eles enxergavam uma fraca luz vinda do interior.
O elfo fez sinal para que fossem ate lá, conforme se aproximavam mais forte a luz se tornava e um leve barulho de musica começou a ser ouvido. Quando chegaram a dupla se deparou com uma cena inesperada: uma festa acontecia no meio da floresta.
Varias carroças formavam um circulo, dentro dele havia varias tochas e uma poderosa fogueira. Humanos, anões, elfos e gnomos dançavam e bebiam ao redor do fogo. Próximo a uma das carroças estava sentado um anão em uma espécie de trono, parecia o mais bêbado de todos e também o mais alegre. A sua volta tinham três homens, dois deles humanos e um elfo, mas ao julgar por suas roupas e seus portes físicos não eram meros viajantes e sim poderosos seguranças. Seria aquele anão o líder da caravana?
Gwenh fez um sinal para que se aproximassem em silêncio, mas antes que pudessem se mexer uma voz chegou grave em seus ouvidos:
-Por que estão se escondendo?
Ambos procuraram pela fonte da voz, mas aparentemente ninguém mais havia escutado a pergunta.
-Estão se escondendo por medo ou por maldade? -perguntou novamente a voz- Se for medo podem se aproximar e beber, mas se for maldade, sugiro que deem meia volta e sigam pela estrada que estavam.
Vëon fez um sinal para Gwenh. O anão parecia normal, rindo e gritando, mas seus olhos estavam completamente voltados para a dupla. O elfo então se levantou e caminho diretamente para o anão. Para surpresa de Vëon ninguém pareceu prestar atenção neles, nem mesmo os seguranças.
Quando se aproximaram, rapidamente duas cadeiras foram colocadas próximas ao anão, que abriu um sorriso e falou:
-Por favor amigos, sentem e bebam comigo.
-Como você pode estar tão confiante de que não somos inimigos? -perguntou Gwenh
-Vocês se aproximaram, isso prova que confiaram em mim, logo o mínimo que posso fazer é retribuir. -respondeu o anão servindo duas canecas de hidromel. -Eu me chamo Lothar, Lothar Barthofull, um anão mercador da grande cidade de Dorehimm.
Um anão de Dorehimm? Vëon sabia que anões eram meio pirados, mas os naturais de Dorehimm não tinham o costume de se misturarem com outras raças de maneira tão extrovertida. Um rápido olhar para Gwenh demonstrou que o elfo partilhava do mesmo pensamento.
-Então senhor Lothar, o que seria esse seu grupo? -perguntou o elfo.
-Ah, esta e a Caravana Mercadora. -gritou o anão, e em resposta todos levantaram seus canecos e gritaram "viva"- Essa caravana foi criada para que as pessoas possam viajar de modo seguro através do reinado. Ninguém aqui precisa pagar alguma coisa, e todos tem o direito de entrar e sair à hora que quiserem do bando.
-Já ouvi falar de vocês, mas nunca imaginei que o líder fosse um mercador de Dorehimm. -comentou Vëon.
-Muitas coisas aconteceram nos últimos anos. -o comportamento do anão mudou radicalmente e algumas pessoas até pararam de dançar- A justiça já não tem mais o mesmo poder que tinha nos tempos antigos, e até mesmo Dorehimm, lar dos primeiros anões filhos diretos do deus da justiça Khalmyr, esta começando a mudar.
O anão se calou, ficou olhando para seu caneco como se ali estivessem todas as respostas. Até mesmo os mercadores interromperam sua festa e olhavam para o triste líder.
-Aparentemente essa historia é triste para o senhor, me desculpe por tocar no assunto Lothar. -falou Vëon.
-Deixe para lá feiticeiro, não falemos mais nisso. -ele se levantou e anunciou os demais mercadores. -Se preparem meus amigos, depois de três dias finalmente voltaremos à estrada, amanhã cedo partiremos em direção ao Mercado dos Goblins.
Todos gritaram "viva" novamente e a festa recomeçou. Lothar sentou em sua cadeira, bebeu um gole de cerveja e falou para a dupla de aventureiros:
-Vocês irão conosco. Os levarei ate o Mercado dos Goblins e lá vocês poderão resolver seu problemas de modo mais rápido. Só não comentem com ninguém sobre o que procuram.
O anão se levantou e partiu em direção a uma das carroças. Os aventureiros ficaram em silêncio por um momento.
-Não me lembro de ter dito que era um feiticeiro. -comentou Vëon
-E muito mesmo de ter falado que iriamos para o Mercado dos Goblins. -finalizou Gwenh bebendo sua cerveja.
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Estrada para o Mercado dos Goblins, nona hora do breu.
-Corre Kabrock, corre que ele ta logo atrás de nós. -gritava desesperado o globin
-Precisamos chegar logo no Mercado, lá dentro estaremos seguros. -respondeu Kabrock
-Sim, precisamos chegar lá antes que ele nos pegue. Você viu o que ele fez com o primo Kaligrob? -perguntou o nervoso Gojins
-Eu vi. Nem sabia que existia vaca daquele tamanho e que soubesse usar um machado.
-Seu idiota, aquilo não era uma vaca, aquilo era um...
Mas Gojins não conseguiu terminar, na frente deles estava aquele demônio que destruiu o primo Kaligrob. Aquele corpo gigantesco, músculos definidos e chifres mais afiados que o perigoso machado em suas mãos, e para terminar aqueles olhos vermelhos que mais pareciam brasas.
Um rápido movimento do machado arrancou a cabeça de Kabrock. Gojins não teve muito tempo para pensar, ele precisava chegar ao mercado o quanto antes e reunir um poderoso grupo para acabar com esse monstro.
Rapidamente o pequeno goblin se atirou para dentro da floresta. De lá ele conseguiu ver o monstro revirar o corpo morto de Kabrock. Pobre primo, nem teve tempo para reconhecer o atacante, aquilo não era uma vaca ou um homem, aquilo era um forte e perigoso minotauro.


Continua...
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N/R: Bom dia pessoal, começou o novo arco \o/ E como vocês podem ver lá em cima, já esta disponivel para download o pdf do primeiro arco completo. Totalmente gratuito. Uma chance para quem perdeu algum capitulo ou quer poder ler tudo de uma vez sem ficar procurando pelo blog. :D

Hoje vou lhes contar a história de um dos maiores simbolos de Arton: a estatua de Valkaria.

A estatua fica no centro da cidade de mesmo nome. Na verdade a cidade (e todo o Reinado) foi erguida aos pés da estatua da deusa da ambição e mãe dos humanos, pois os antigos acreditavam que aquele era um presente da deusa para os refugiados de Arton Sul (em outra aula conto isso).

O que ninguem sabia era que na verdade aquela estatua era a própria deusa aprisionada.

Anos antes, Valkaria e mais dois deuses, Tillian (pai dos Gnomos e deus da invenção) e o Terceiro, se rebelaram contra seus irmãos deuses e tentaram usurpar a liderança de Khalmyr. Porem foram facilmente derrotados e cada um sofreu uma punição.

Tillian perdeu seus poderes e sua imortalidade, sendo condenado a vagar pelo mundo como um reles mortal (hoje ele é visto como um mendigo louco que chora todo dia aos pés da estatua). O Terceiro foi condenado ao esquecimento, tudo que dizia respeito a esse deus foi esquecido a ponto de nem seu nome ser lembrado mais.

Mas a pior sentença foi a de Valkaria. A deusa foi condenada a prisão em forma de estatua até que um grupo de herois conseguissem vencer os desafios dos 20 deuses e por fim liberta-la da prisão. Mas quais as chances de reles mortais insignificantes conseguirem vencer 20 masmorras criadas pelos deuses??

Mas Valkaria acredita em seus filhos. Afinal, foi ela que os criou e lhes deu o maior presente de todos: a ambição para superar os deuses.

Enquanto o dia da libertação não chega, Valkaria continua em sua prisão aguardando pacientemente por seus herois.

Por que estamos em Arton, o lugar onde até os deuses precisam ser salvos de vez em quando.

Vou me despedir deixando vocês com uma imagem da estatua da deusa. Essa foi a primeira imagem que conheci de Arton, e me marcou demais.

Abraços. 


6 comentários:

  1. Quero saber o que Morn vai aprontar.
    Jacques covarde, mas algo me diz que ele volta depois.
    Gostei do Lothar.
    Cada vez a história está mais misteriosa.

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    1. Como eu já havia falado antes, o Vilarejo Koonji foi na verdade apenas uma aventura para reunir o grupo.

      Claro que a história principal já começou la, mas de modo sutil.

      Agora que realmente pega fogo. Até o final do Mercado dos Goblins misterios vão ser revelados e novos vão brotar.
      Intrigas e conspirações, mortes e vidas vão se misturar em um ritmo alucinante.

      Agora da pra dizer: começou Batalhas do Novo Mundo.

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  2. Gostei do começo do novo arco... mas já senti falta de Morn haha, pelo visto nesse arco que o bixo vai pegar...

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    1. Exatamente.

      Morn vai demorar um pouco até voltar, mas vou confessar algo:
      Estive lendo tudo que já escrevi até agora (já tenho escrito até o 25) e ele realmente faz a diferença. hahahahahaha

      Mas mesmo assim acho que vocês vão gostar deste arco.
      E vão se surpreender com o final dele. :D

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  3. rsrsrsrsrsrsrs
    Ri demais.

    Imaginei uma vaca gigante usando um machado.
    kkkkkkkkkk

    Gostei do capítulo.
    Parabéns!!!
    Abraço.

    http://ymaia.blogspot.com.br/

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  4. Cada dia me surpreendendo mais com os capítulos, continue assim, pois acho que não conseguirei mais ficar sem ler seus capítulos.

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