quinta-feira, 16 de maio de 2013

Trechos De Um Livro... - Memórias de Um Amigo Imaginário.


– Muito bem – digo eu. – Então você já sabe. Você é um amigo imaginário. Alexis e outros amigos imaginários são as únicas pessoas que podem ver você.

– É isso que você é também?

– É o que eu sou.

Jo-Jo se inclina para ficar mais perto de mim.

– Isso significa que não somos reais?

– Não – respondo. – Apenas significa que somos reais de um jeito diferente. É um tipo de realidade que os adultos não entendem, então simplesmente assumem que somos imaginários.

– Como é que você pode atravessar cercas e eu não?

– Nós podemos fazer o que os nossos amigos humanos imaginaram que pudéssemos fazer. O meu amigo imaginou que eu pareço real e que posso atravessar portas. Alexis imaginou que a sua pele é amarela e que você não pode atravessar portas.

– Ah...

Ele proferiu um tipo de ah que quer dizer: “Você acabou de me dar uma grande explicação”.

– Você realmente usa o banheiro? – pergunto.

– Não. Falo isso para Alexis quando quero sair por aí.

– Pena que não pensei nisso – disse eu.

– Algum amigo imaginário usa o banheiro?

Eu dou risada.

– Nenhum que eu tenha conhecido.

– Ah.

– Agora acho que é melhor você voltar para perto da Alexis – digo isso pensando que Max também deve estar se perguntando onde estou.

– Ah, está bem. Verei você de novo?

– Muito provavelmente não. Onde você mora?

– Não sei – diz Jo-Jo. – Numa casa verde.

– Você tem que tentar descobrir o endereço para poder voltar, no caso de se perder. Especialmente se não pode atravessar portas.

– Como assim? O que você quer dizer? – pergunta apreensivo.

E é bom que fique bem preocupado mesmo.

– Você tem que ter cuidado para não ser deixado para trás. Certifique-se de entrar no carro assim que abrem a porta. Senão eles podem ir embora sem você.

– Mas Alexis não faria isso.

– Alexis é uma garotinha – eu explico. – Não é ela quem manda. Os chefes são os pais dela, e eles não acham que você é real. Por isso, você tem que se cuidar, entendeu?

– Entendi – responde Jo-Jo, e a sua voz parece de uma criança menor ainda. – Queria muito poder ver você de novo.

– Max e eu costumamos vir muito neste restaurante. Quem sabe outro dia nos encontramos aqui de novo.

– Tem razão – ele fala quase como se fosse um desejo.

Fico em pé. Estou pronto para voltar e me sentar junto do Max. Mas Jo-Jo ainda está sentado no recipiente que parece um balde.

– Budo – ele pergunta. – Onde estão os meus pais?

– Hã?

– Os meus pais – repete ele. – Alexis tem pais, mas eu não tenho. Ela diz que os pais dela são os meus pais também, mas eles não podem me ver nem me ouvir. Onde estão os meus pais? Aqueles que podem me ver?

– Nós não temos pais – digo a ele. Gostaria de dar uma resposta melhor, mas não tenho nada melhor a dizer. Ele fica triste quando falo isso, e eu entendo, porque isso também me deixa triste.

– É por essa razão que você tem que se cuidar – volto a dizer.

– Entendi – diz ele, mas mesmo assim não fica em pé. Ele continua sentado no tal balde, olhando para os pés.

– Agora temos que ir. Tudo bem?

– Está bem – ele finalmente se levanta. – Vou sentir a sua falta, Budo.

– Eu também.

Max começa a gritar exatamente às 21h28. Sei disso porque estou olhando para o relógio, esperando dar 21h30, que é a hora que os pais do Max mudam para o canal onde passa o meu programa semanal favorito.

7 comentários:

  1. Parece ser um livro legal, porém mais infantil.
    a estória de um amigo imaginário tentando descobrir o que ela é, o em qual parte do mundo ela realmente vive parece ser uma coisa interessante.

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    1. Segredo: eu amo livros infantil também. hsuashaushua. Tanto que eu tenho uma caixinha com os classicos contos de fadas que ninguém me tira.

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  2. Que legal o trecho eu já vi o livro em outros lugares e parece ser bom, tenho vontade de ler ele

    bjos

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    1. Eu acho que vai ser fofo, então também tenho vontade de ler Taty.

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  3. Eu estou namorando esse livro já, doida para comprá-lo. Isso só porque envolve um amigo imaginário e acho tão fofo isso. Eu até já li um livro do James Patterson que envolvia um amigo imaginário, e achei o livro uma verdadeira delícia de ler.
    Depois de ler esse trecho, fiquei com gostinho de quero mais *-*
    Haha :)

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  4. Agora fiquei curiosa e quero lê-lo!!
    Esse livro parece ser muito gostoso de ler.
    Adoro a inocência dos livros infantis, ainda mais esse que fala sobre amigos imaginários.

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