segunda-feira, 27 de maio de 2013

Batalhas do Novo Mundo #05

capitulo anterior


Livro 1 - Conspiração
Arco I - Vilarejo Koonji
Cap. 05 - Lobo, Humano Lobo


Florestas Vermelhas, oitava hora do breu.
O grupo já estava caminhando a mais de uma hora. Em vários momentos eles paravam para verificar algumas pegadas e marcas em árvores. Quanto mais eles se aproximavam das Sanguinárias, mais escura a floresta se tornava. Porém em nenhum momento o grupo foi atacado por monstros.
Gwenh ia à frente guiando os companheiros, logo atrás ia o meio orc com seu machado pronto para uma luta, Vëon permanecia em silêncio durante todo o trajeto, talvez já se preparando, e por fim estava o apavorado Jacques. Antes de entrarem na floresta, Vëon entregou sua besta para o ladino, mas isso não era o suficiente para acalmar o jovem que partia em busca da morte.
No céu, a lua já estava inclinada para o lado, apenas mais três horas para o primeiro sol aparecer.
De repente eles chegaram, diante deles se erguia a segunda maior cadeia de montanhas do reinado: as Montanhas Sanguinárias. Era a primeira vez que Jacques chegava tão próximo das montanhas que tantas vezes ouviu seu pai contar histórias de terror, sobre monstros errantes e criaturas mágicas. Um lugar tão perigoso que nem mesmo a Tormenta havia conseguido chegar. E agora estava diante dele.
Não foi necessário, e Jacques até agradeceu, entrar nas Sanguinárias. À esquerda, uns dois metros acima do chão seguia uma trilha e ao fim dela estava à entrada da caverna.
Era uma caverna espaçosa, os quatro puderam entrar tranquilamente. O chão era coberto com uma espécie de palha e as paredes de pedra pura. Ao fundo havia um ninho formado com palha e cascas de árvores, ao lado estava o corpo de um alce das montanhas.
-Esse alce ainda está inteiro e com pelo, não deve ter mais que dois dias - comentou Morn- próximo à entrada e na floresta tem varias marcas de luta, e nesta parte aqui a palha esta mais amassada, eu diria que algo foi arrastado aqui.
-Então os lobos foram capturados aqui dentro e levados para a floresta. -falou Gwenh se dirigindo até a entrada- eles não devem estar muito longe daqui.
Jacques escalou mais um pouco em direção a uma pedra que se sobressaia. La de cima ele viu algo que chamou sua atenção.
-Ei, tem uma clareira com uma luz fraca a leste daqui. -avisou o ladino.
O grupo olhou para onde ele apontava, mas a neblina era densa demais.
-Você tem certeza disso? -perguntou o meio orc
-Deve ser alguma magia para que não possamos ver eles dentro da neblina, por isso não os notamos. -comentou Vëon- vamos seguir essa direção, ao menos é uma pista.
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Após caminharem por meia hora, o grupo começou a escutar sons parecidos com os de uma oração. Ao longe já era possível visualizar a clareira, fracamente iluminada por tochas com uma coloração esverdeada. Ao se aproximarem eles puderam visualizar melhor aquela estranha cena. Parecia um acampamento, havia quatro barracas menores vermelhas formando uma meia lua e uma barraca maior dourada. No centro da meia lua estava uma espécie de altar, onde havia dois filhotes de lobo amarrados, e ao redor quatro homens encapuzados com túnicas vermelhas. Ao lado, jogado em cima de uma pedra, jazia o corpo de um lobo macho adulto que exalava uma estranha fumaça roxa.
Os quatro encapuzados faziam uma espécie de cerimônia enquanto os lobos amarrados se contorciam e berravam. Para seus corpos emanava uma fumaça esverdeada que saia das tochas.
-Achamos. -sussurrou Morn
-Eles estão tentando possuir os dois filhotes da mesma forma que fizeram com a fêmea. -comentou o feiticeiro.
-Estes dois são machos, teremos problemas se eles conseguirem. -falou Gwenh.
-Mas então por que mataram o adulto? -questionou o orc.
-Talvez fosse forte demais para eles. -respondeu Vëon.
-Precisamos impedi-los. -falou o elfo, e virando para Jacques- Você consegue acertar um deles daqui?
-Acho que sim. -respondeu o ladino, preparando a besta que recebeu de Vëon.
-Ótimo, vamos disparar juntos, assim podemos derrubar dois antes que percebam. -disse Gwenh- No três...
Após a contagem ambos dispararam tiros perfeitos. Gwenh acertou a cabeça de um deles e Jacques as costas de outro. Instantaneamente um dos lobos parou de se debater e caiu morto. Essa era a chave.
Rapidamente Morn saltou de trás das árvores e investiu em direção aos sobreviventes, mas foi parado pelo outro lobo que pulou de cima do altar e o golpeou no peito. Vëon vinha atrás e não teve tempo de desviar do gigantesco corpo de Morn e acabou sendo derrubado.
-Precisamos matar os cultistas, esse é o modo mais rápido. -gritou Gwenh- Um dos dois está controlando a criatura.
Rapidamente o elfo investiu em direção aos cultistas, mas novamente o lobo impediu o caminho. Jacques decidiu tentar um ataque de longa distância com a besta, porém o lobo usou seu corpo como escudo, impedindo que os virotes atingissem o alvo.
Rapidamente Morn se atirou em direção a fera para um ataque corpo a corpo, enquanto Vëon e Gwenh seguiam em direção aos apavorados cultistas.
Um grito ecoou pela clareira quando o lobo abocanhou o ombro de Morn, deixando ele gravemente ferido. O meio orc caiu de joelhos diante do lobo, mas este o ignorou e partiu em direção aos dois que tentavam atacar os cultistas.
Mas já era tarde para um deles, Gwenh já o havia alcançado, e com um movimento rápido da espada ele dividiu a cabeça do inimigo. A criatura soltou um grito desesperado, mas não caiu, ainda faltava um cultista.
Vëon tentou acerta-lo com duas bolas de fogo, mas o lobo já os havia alcançado. Aproveitando esse momento, o cultista correu em direção à floresta, mas viu algo que o fez parar.
De dentro da floresta vinha em direção à clareira um vulto encapuzado com uma túnica dourada. Deveria ter quase três metros de altura. O cultista parecia aprovado.
-Mestre? É o senhor mesmo? Por favor, me ajude.
O homem caminhou até o cultista colocou uma das mãos na cabeça do homem e disse:
-Se acalme, eu estou aqui.
Sua voz era fria e grossa. Mais parecia o urro de um monstro do que a voz de um humano. Até mesmo Morn sentiu seu sangue congelar ao ouvir aquela voz.
-Mestre, o que aconteceu com o senhor?
-O Poder meu filho, isso é o poder.
E com um movimento rápido ele arrancou a cabeça de seu subordinado. No meio da clareira o lobo caiu imóvel, como que atingido por um tiro.
-Ah poder -disse o Mestre- puro e absoluto. O poder verdadeiro, que apenas Ele poderia proporcionar. Ainda não está completo, mas já posso senti-lo.
Ele se aproximou mais do grupo e a visão de seu corpo deixou todos apavorados. Seus olhos eram vermelhos como brasa, suas mãos eram garras afiadas e perigosas, manchadas com o sangue do cultista, e seu rosto estava adquirindo uma forma animalesca, com poderosas mandíbulas e presas de predador. Ele era um lobisomem.
Na outra ponta da clareira, o corpo morto do lobo adulto desaparecia, deixando apenas uma pequena fumaça roxa que rapidamente sumiu.

Continua ...
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N/R: Voltando a nossa aula da história de Arton, vou falar hoje sobre a Tormenta. Ou pelo menos o que se sabe sobre ela.

A Tormenta é um fenômeno que ninguem sabe de onde veio ou se alguem criou. Tudo começou na extinta cidade de Tamu-Ra, em um normal dia onde os monges meditavam, pesadas nuvens vermelhas cobriram o céu de repente. Aquelas nuvens tinham um aspecto sombrio e preocupante, com relampagos mudos, sem som nenhum, nem mesmo da explosão que destruia predios inteiros.

Então veio a chuva, mas não era agua, parecia mais sangue acido. Tudo em que aquelas gotas tocavam era corroido, nem mesmo o solo sobrevive as imensas crateras criadas pela chuva. Pantanos de sangue aparecem em meio a neblina rubra que toma conta do ar.

E por fim chegam os demonios, que descem das nuvens como insetos expulsos da colmeia. Não são propriamente demonios como os originais do nome (na verdade, até os verdadeiros demonios temem estas crituras). Esses seres são chamados de Lefeus.

Em menos de minutos a pacata cidade de Tamu-Ra já não existia mais em Arton. Apenas a tempestade Tormenta.

Ninguem sabe explicar, nem mesmo os grandes magos da Academia Arcana. Ninguem consegue enfrentar a Tormenta, nem mesmo o poderoso Arsenal. Poucos ousaram entrar na Tormenta, menor numero são os que voltaram. Estes pouco, nenhum com sua sanidade intacta. Eles tentaram descrever o que viram, mas foi impossivel, os relatos falavam de monstros com 90 braços e nenhuma cabeça, predios com bocas e garras, pantanos no céu e chuva saindo do chão em direção ao céu. Cada pessoa descreve a Tormenta de forma diferente (um louco certa vez falou em flores e poneis).

A unica coisa que se tem certeza na Tormenta é que ela esta crescendo, atualmente já são 7 areas em diversos pontos do Reinado (boatos falam que nem mesmo Lamnor, reinos dos Goblins escapou da Tormenta), os poucos relatos são confusos e nunca foram comprovados.

O fato é que nem os deuses arriscam enfrentar a Tormenta.

6 comentários:

  1. Muito bom Haag, eu gosto do modo que você descreve a cena, fica bem claro na cabeça..e apesar do elfo ser foda, o Vëon que é o mais descolado pra mim...hahaha

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    1. Mais dois capitulos e termina este primeiro arco Marcos.

      Eu já terminei de escrever o 2º e ele vai ter mais 6 capitulos.
      Muita coisa vai mudar, já te adianto isso. :D

      Abraço

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  2. Eu odeio eles, não podem possuir lobos. Odeio. Amo lobos.
    A descrição do Mestre ficou perfeita, consigo imaginar nitidamente ele.
    Estou com um livro de book tour que você iria gostar aqui, agora que falou em Tormenta lembrei.

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    1. É que lobos são mais "faceis" de possuir.
      São criaturas perigosas, fortes e você consegue encontra-los em florestas e montanhas. :P

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  3. Adorei o capítulo, consegui imaginar direitinho esse final, esperando ansiosa pelo próximo!!!
    Gostei também do N/R, esclareceu a minha dúvida. Você poderia descrever um pouco os personagens no próximo N/R, ajuda na imaginação de quem não conhece esse mundo, como eu.

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    1. Que bom que você esta acompanhando. :D
      Sinceramente eu estava evitando esse N/R dos personagens por pura preguiça. :P
      Mas vou tentar fazer ele hoje antes de continuar com a aula de historia.

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