segunda-feira, 20 de maio de 2013

Batalhas do Novo Mundo #04

capitulo anterior


Livro 1 - Conspiração
Arco I - Vilarejo de Koonji
Cap. 04 - Segredos


Orla das Florestas Vermelhas, quinta hora do breu.
O grupo seguia em direção à fazenda do conde Brins. Jacques estava carregando o corpo do conde Sethof, ao lado a esposa chorava enquanto Vëon tentava acalma-la. Na frente iam Gwenh e Morn, o meio orc carregava o corpo do monstro nos ombros enquanto reclamava de Vëon:
-Você não precisava ter fritado todo o corpo deste animal. Eu poderia fazer um belo casaco branco com esse pelo.
-Por favor, temos assuntos mais importantes que um casaco para resolver -respondeu o gênio- E por que, em nome de Wynna, você esta carregando essa fera?
-Essa é fácil feiticeiro, nos temos que levar o corpo como prova de que completamos o trabalho. -falou o orc.
Ao lado, Gwenh permanecia em silêncio. O elfo sabia que aquilo não estava bem resolvido, e uma rápida troca de olhares com Vëon mostrou que o gênio pensava da mesma forma.
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Mansão do conde Brins, sexta hora do breu.
Todos estavam reunidos na sala de reunião. Jacques tentava acalmar a Sra. Sethof enquanto alguns empregados tentavam cuidar do ferimento de Morn. Próximo à lareira estava o conde Brins parado, olhando para o corpo falecido do amigo.
Gwenh estava sentado na janela, olhando em direção à floresta, quando Vëon se aproximou:
-O que você encontrou dentro da floresta? -perguntou o gênio.
-Não tive muito tempo, fui para lá no momento em que vocês saíram da taverna. -respondeu o elfo sem retirar os olhos da floresta- Mas no pouco que andei antes de ouvir o barulho do ataque, encontrei algumas pegadas de botas humanas e algumas marcas de fogueiras. Também encontrei uma toca de lobos, onde deveria ter no mínimo quatro animais.
Neste momento eles foram interrompidos pela voz de Morn:
-Ei conde, lá fora esta o corpo do monstro que estava atacando seu vilarejo. Podemos começar a negociar o pagamento?
-Assim sim, vamos ver isso. -respondeu o conde de maneira atrapalhada.
-Senhor conde. -disse Gwenh enquanto saltava da janela- Tenho a impressão de que o senhor esta nos evitando desde que chegamos aqui. Assim como desconfio que o senhor saiba mais do que fala.
Um silêncio nervoso tomou conta do local. Ao longe um urro de um lobo fez todos se sobressaltarem.
-Isso confirma minha teoria, certo conde? -falou de maneira irônica o elfo.
-Eles precisam saber Marcus -falou a Sra. Sethof- Eles já estão envolvidos, e a morte do Renoar só serviu para confirmar nossos medos. Você não viu o tamanho daquela fera. Renoar tinha certeza que isso era obra deles.
-Deles? -perguntou o orc se levantando da cadeira e empurrando alguns médicos- Acho que o senhor não contou algumas coisas, e pelo visto coisas que teriam evitado a morte do Sithof.
O conde olhou novamente o corpo do amigo como se esperasse uma opinião dele. Um novo barulho veio das florestas, porém desta vez era um grito humano. Vëon se aproximou do conde e disse:
-Eles já estão agindo. Se o senhor não começar a falar, nós teremos que ir embora. Isso tem algo a ver com o fato de que apenas os fazendeiros foram atacados?
-Ok -respondeu o derrotado conde- vou lhes contar toda a historia do nosso vilarejo...
Novamente um urro vindo da floresta.
"... há muitos anos, quando Megalokk ainda governava o panteão dos deuses e as feras dominavam o mundo, nosso vilarejo era protegido por um culto que venerava os monstros do deus Megalokk. Eles defendiam que humanos e monstros podiam dividir seus poderes em busca de um poder maior. Muitos moradores foram sacrificados nos experimentos em busca desta criatura perfeita. Mas eles eram poderosos e defendiam o vilarejo contra ataques de monstros e até mesmo saqueadores.
Mas então veio o dia da justiça, e Khalmyr assumiu o controle do panteão e trouxe consigo a ordem e a justiça. Todos os monstros de Megalokk foram destruídos pelo poder dos paladinos sagrados, e seus adoradores punidos. Nós ficamos com medo que o vilarejo fosse condenado como seguidores de Megalokk, então eu e os demais fazendeiros decidimos trair o culto e entrega-los para o julgamento de Khalmyr. Chamamos os paladinos e alegamos que tínhamos sido obrigados a compactuar com o culto durante os anos. Então eles foram caçados e destruídos.
Quando os ataques começaram, pensávamos que se tratava apenas de um lobo ou algum troll que desceu das Sanguinárias. Porém os ataques ficaram apenas centralizados nos fazendeiros, e conforme aconteciam maior ficava o monstro que nos atacava, e então a carta de vocês chegou.
Até a última noite nós apenas desconfiávamos principalmente Renoar. Ele já havia entrado na floresta em busca de pistas, e disse ter encontrado vestígios de humanos dentro da floresta. Quando soubemos que a fera havia tentado invadir a casa de Renoar, apenas aumentou nossa certeza.
Após terminar, o conde se ajoelhou ao lado do amigo morto e começou a chorar, se desculpando e sendo consolado pela viúva.
Jacques foi o primeiro a falar:
-Isso pode ser maior do que eu aguento.
-Todos nós jovem ladino -falou Morn- Um culto de adoração a monstros. A julgar pelo tamanho daquele lobo, eles estão bem próximos de conseguir seu objetivo.
-Você falou em uma toca de quatro lobos -disse Vëon para Gwenh- Se considerarmos que todos estão vivos, eles ainda têm três espécimes para tentar.
-Você consegue encontrar essa toca novamente? - perguntou Morn
-Consigo, ela fica na entrada das Sanguinárias -respondeu Gwenh- saindo daqui não levaremos nem uma hora.
-Ótimo, então iremos acabar com isso - respondeu Vëon, e virando-se para Jacques- Eu entenderei se não quiser ir, saiba que ninguém ira o recriminar.
-Eu irei -respondeu o ladino- Espero que Hynnin me role bons dados.
-Assim que se fala jovem humano -falou Morn com uma risada- Iremos todos, e antes que o primeiro sol apareça, traremos a cabeça de todos eles.
E assim o grupo seguiu em direção as florestas vermelhas. O conde não conseguia acreditar que um grupo tão confiante poderia ter vindo para ajudá-los, isso deveria ser obra de Khalmyr. Eles seriam vitoriosos.
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Florestas Vermelhas, quinta hora do breu.
Aparentemente a fêmea havia sido derrotada. Mas tudo bem, como o líder disse, ela era apenas um fracasso. Normalmente fêmeas são. Mas ainda tinha os dois filhotes e um adulto, todos eles machos. Por algum motivo o líder mandou usar apenas os filhotes. E matou o adulto, deixando o corpo para apodrecer em cima de uma pedra.
Mas o mestre é sábio, ele conversa com Megalokk pai de todo o mal, ele sabe o que esta fazendo, vai ser o fim deste vilarejo.

Continua...
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N/R: Bom galera, vou trazer uma aula de historia basica para os que não conhecem o cenario de Tormenta e nem o mundo de Arton. Hoje começamos com os 20 deuses do panteão.

Vocês vão ver muito os personagens falarem neles, pois em Arton os deuses são muito presentes na vida das pessoas (o que nem sempre é bom). Atualmente os 20 deuses são:

Khalmyr (deus da justiça e pai dos anões), Nimb (deus do caos), Alihanna (deusa da natureza), Oceano (deus dos mares), Lena (deusa da vida), Glórienn (deusa dos elfos), Keenn (deus da guerra), Megalokk (deus dos monstros), Tenebra (deusa das trevas), Valkaria (deusa da ambição e mão dos humanos), Lin-Wu (deus da honra), Tanna-Toh (deusa do conhecimento), Sszaass (deus da traição), Marah (deusa da paz), Thyatis (deus da ressurreição), Winnna (deusa da magia), Tauron (deus da força e pai dos minotauros), Azgher (deus sol), Ragnar (deus da morte e pai dos goblinóides) e Hynnin (deus da trapaça).

Mas qualquer pessoa pode ascender ao posto de deus maior de Arton. Para isso precisa ter seguidores suficientes e que uma das 20 cadeiras divinas esteja vaga. Prova disso são os casos de Hynnin e Ragnar, que não eram deuses maiores na criação do mundo.

Ambos entraram no lugar de Tillian (deus da invenção e pai dos gnomos) e do "Terceiro", aquele que não existe registro nenhum, que foram expulsos após tentar usurpar o poder de Khalmyr (mas isso é para outra aula).

Também tem os casos dos deuses afastados, que deixam de fazer parte dos 20 maiores, mas não são substituidos, podendo voltar anos após, como aconteceu com Sszaass e Valkaria (também para a proxima aula).

Espero que tenham entendido um pouco de como funciona o panteão de Arton. :D

Abraços.
Haag

6 comentários:

  1. Além de uma boa estória ainda teremos aula dos deuses de Arton...
    A verdadeira explicação está começando a aparecer, e a estória está se desenrolando muito bem...ainda tenho um pouco de raiva de Jacques, mas ele está tentando ser bom e está até se arriscando,mesmo sabendo ser fraco... Acho que gosto mais de Veon, não sei se você já descreveu ele, não lembro... mas ele tem barba branca? se não,deveria ter,porque todos fodas tem barba branca

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    1. Nos proximos N/R irei descrever um pouco os personagens então. :D

      Mas já te adianto que não. Ele tem aproximadamente 70 a 80 anos, o que para um quareen é novo (a raça vive até 200 e 300 anos), ele seria para os quareens o que um adulto entre 25 e 30 anos é para um humano. :D

      Que bom que você esta gostando de ler. Eu tambem estou adorando escrever esta serie para voces.

      Abraço

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  2. Ah eu gosto do mundo de Tormenta já joguei bastante nesse cenário

    bjos

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    1. Que bom que você gosta Taty. :D

      Espero que continue lendo a historia :D

      Bjos

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  3. Muito bom esse capítulo, esclareceu uma parte do mistério.
    Adorei a aula de história hahaha...

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  4. Morn perdeu pontos comigo por querer fazer um casaco. u.u
    Eu não lembro se já te falei isso antes, mas quando criança eu ganhei a fita (sou velha) das guerreiras mágicas e em um episódio tem uma pedra que atrai todos os monstros e eu acabei lembrando disso, embora só o em comum seja os monstros.
    Eu não gosto de matem lobos. u.u
    Eles podiam ser criaturas horrendas que não se parecessem com lobos neh? -q
    Assim eu me pego um pouco torcendo para eles. shauhsau.

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