quarta-feira, 27 de março de 2013

Seleção de contos: Editora Biruta.


Estou de volta para atiçar a criatividade de vocês com mais uma seleção de contos, mas antes de dar maiores informações eu gostaria de lembrá-los que estamos com vagas abertas para a equipe do Blog, maiores informações no post que a Carol  escreveu aqui.

Dando andamento ao assunto do post de hoje...
A seleção é uma parceria da Editora Biruta com a revista Ciência Hoje das Crianças. A ideia é bem simples, o início do texto já foi criado, mas ele precisa de uma boa continuação que ficará por conta dos participantes desta seleção.

A continuação deve ter entre 2000 e 2500 caracteres, com espaços e deve ser enviado até o dia 21 de abril para o e-mail blog@blogbirutagaivota.com.br, valendo apenas um texto por pessoa. Não esqueçam de colocar no assunto e-mail a frase “Autor da Vez – Cesar Cardoso”.


Os vencedores, além de ganharem o livro Você não vai abrir? do Cesar Cardoso, e uma assinatura digital da CHC, terão seus textos publicados na CHC Online e no blogue Biruta Gaivota. 

Comecem dando uma olhada no início, espero que alguém se anime por aqui para criar o final.


DO TAMANHO DO MARACANÃ

Nem era meu aniversário, mas o pai trouxe uns panos todos coloridos e disse pra mãe fazer uma camisa, um calção e uma bandeira pra mim. Tinha verde, amarelo, azul e branco, e eu perguntei se não podia ser tudo azul. O pai berrou pra eu largar de ser besta, azul era a cor da Argentina, que era o inimigo. Eu não sabia e até perguntei pro pai por que a Argentina era o inimigo, mas o pai não ouviu. Ele não gosta muito de ouvir, prefere é falar. E falou: te prepara porque você vai na final, na final. Lá no Maracanã.

No Maracanã!

A mãe foi logo pra máquina de costura e depois me chamou pra experimentar a roupa nova com aquelas cores todas. Eu perguntei pra ela como é que a gente se prepara para ir na final, mas a mãe só disse que o Maracanã era enorme e que eu não podia largar a mão do pai de jeito nenhum.
E passou o tempo todo repetindo: de jeito nenhum, de jeito nenhum.

A mana veio me espiar e ficou falando que aquilo era roupa de palhaço e que eu era palhaço. Eu expliquei que não era nada disso e eu até quis a roupa toda azul mas é que azul é a cor do inimigo, que é a Argentina. Ela disse que a Argentina não era inimigo coisa nenhuma e que eu só pensava isso porque era palhaço. E repetiu: “palhaço, palhaço!”. Eu comecei a brigar com ela, mas aí o pai chegou, perguntou logo se a gente queria dormir quente e mandou nós dois pra cama.
Foi uma dificuldade pra eu dormir. Só ficava tentando adivinhar qual seria o tamanho do Maracanã, onde o pai ia me levar. O pai já me levou no cinema, na lanchonete e na praia, mas nunca nesse Maracanã, que era enorme. Antes de ir pra cama, eu me escondi atrás da porta do quarto do pai e ouvi a mãe perguntando pra ele se não era perigoso porque era final. E repetia “final, final”. Eu ainda pensei – será que o Maracanã ia acabar? O pai falou que não tinha perigo nenhum, mas a mãe achou que eu podia me perder.

E se eu me perdesse, será que o dono do Maracanã me trazia de volta?



2 comentários:

  1. Isso me lembrou de passa meu conto do caderno pro pc, só esqueci onde está o papel. rsrs...

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  2. Ah se eu escreve-se... Queria ter esse dom, mas as ideias só ficam na minha cabeça mesmo.

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