quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Trechos De Um Livro... - Halo.



Tentei dar o máximo possível de informações para satisfazer a curiosidade dela e evitar outras perguntas. Não é da natureza dos anjos saber mentir. Torci para que minha história convencesse Molly. Tecnicamente, tudo aquilo era verdade.

— Legal — foi tudo o que ela disse. — Nunca viajei para o exterior, mas já fui algumas vezes à cidade grande. È bom você se preparar para uma mudança de estilo de vida em Venus Cove. Costuma se bem frio por aqui, mas as coisas andam meio esquisitas ultimamente.

— Como assim?

— Bem, morei aqui minha vida inteira; meus avós também, e eles tinham uma empresa local. E, nesse tempo todo, nunca aconteceu nada de muito ruim; uma ou outra fábrica pegou fogo, e houve alguns acidentes de barco. Mas agora... — Molly baixou o tom. — há assaltos e acidentes estranhos em todo canto. Houve uma epidemia de gripe no ano passado que matou seis crianças.

— Que horror — disse eu num fio de voz. Eu começava a ter noção do tamanho dos danos causados pelos agentes das trevas, e aquilo não soava nada bem. — Isso foi tudo o que aconteceu?

— Há mais uma coisa — disse Molly. — Mas é preciso ter cuidado ao tocar neste assunto na escola. Muitos garotos ainda estão bem traumatizados com isso.

— Não se preocupe, vou prestar atenção no que falo — assegurei-lhe.

— Bem, uns seis meses atrás, um dos garotos do último ano, Henry Taylor, subiu no telhado para pegar uma bola de basquete que tinha caído lá. Ele não estava matando aula nem nada, só queria pegar a bola. Ninguém viu como aconteceu, mas ele escorregou e caiu. Caiu bem no meio da quadra. Os amigos dele viram tudo. Como nunca conseguiram fazer a mancha de sangue desaparecer completamente, ninguém joga mais naquela quadra.

Antes que eu pudesse responder, o Sr. Velt pigarreou e nos lançou um olhar fuzilante.

— Seu senso de humor é infalível, Srta. Harrison.

Molly pareceu confusa, mas era esperta o suficiente para se abster de fazer outros comentários.

— Minha teoria é que ele está tendo uma crise de meia-idade — sussurrou-me ela.

O Sr. Velt não fez caso de nós e se ocupou de montar o projetor de slides. Gelei por dentro e tentei sufocar uma onda crescente de pânico. Nós, anjos, éramos bastante radiosos à luz do dia. No escuro era pior, mas dava para disfarçar. Contudo, na luz halógena de um projetor de teto, quem sabia o que poderia acontecer? Decidi que era melhor não arriscar. Pedi licença para ir ao banheiro e saí de fininho. Fiquei do lado de fora, esperando o Sr. Velt terminar a apresentação e acender as luzes. Dava para ouvir com perfeição o clique dos slides sendo trocados, e, pelo painel de vidro da porta da sala, eu via que demonstravam uma descrição simplificada da teoria de ligação de valência. Ainda bem que eu não teria de estudar coisas básicas assim para sempre.

— Está perdida?

A voz veio de trás de mim, sobressaltando-me. Virei e vi um garoto encostado nos armários em frente à porta. Embora parecesse mais formal com aquela camisa abotoada, a gravata com um nó bem-feito e o blazer da escola, não dava para confundir aquele rosto nem o cabelo cor de noz caído nos olhos extremamente azuis. Eu não esperara topar com ele de novo, mas o garoto do píer estava parado bem na minha frente, com o mesmo sorriso maroto.

— Estou bem, obrigada — disse eu, afastando-me o mais rápido que pude. Se me reconhecera, não estava demonstrando. Esperei que o fato de eu lhe virar as costas, com toda grosseria que há nisso, cortasse a conversa. Ele me pegara desprevenida, e algo nele me deixava sem saber para onde olhar e o que fazer com as mãos. Mas ele parecia não parecia ter pressa.

— Sabe, a maneira mais convencional de aprender é dentro da sala de aula.

Fui obrigada a me virar e então acusar a presença dele. Tentei transmitir minha relutância em conversar com um olhar frio, mas, quando meus olhos encontraram os dele, algo completamente diferente aconteceu. Tive uma reação física instantânea, sentindo um frio na barriga e a sensação de que o mundo estava fugindo dos meus pés e que eu tinha que me equilibrar para não cair com ele.

9 comentários:

  1. Não faz muito tempo que li Halo... uma amiga minha me emprestou e agora comprou Hades. Estou só esperando ela terminar de ler para me emprestar também, hehehe!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. shaushuahsauhsuahua eu tenho que comprar, parece tão bom!

      Excluir
  2. Essa capa é lindíssima!!
    Faz tempo que quero ler essa trilogia. Adorei o trecho, me atiçou ainda mais.
    Bjs

    Joyce
    entrepaginasesonhos.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  3. Halo é um dos livros que eu gostaria de ler, ele já está na minha lista de 2013 e não vejo a hora de lê-lo. Está capa é linda!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Também estou com ele na minha "listinha" shauhsua.

      Excluir
  4. Falam tão bem. A capa é tão linda. Parece um romance tão fofo. Quero!

    ResponderExcluir