quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Trechos De Um Livro... - His Eyes.



- Oh,  claro  que  não.  Não tem  problema.  Há quanto tempo seu filho está cego?
A mulher novamente olhou o tapete.  Ela explicou. 
Só dois meses.  Foi um acidente num salto a cavalo...   Tristan não falará com nenhum especialista.   Na realidade, nega-se a fazer qualquer coisa. Pensei que se tivesse alguém de sua idade, só para convencê-lo um pouco, seria melhor.
Gritei. Ele tem dezoito?
Escutei o som de dois garotos rindo no final do corredor.  Deu-me um nó na garganta ao pensar. Exatamente o que eles excluíram desse anúncio?
Notando minha expressão, a Sra. Edmund disse rapidamente. Não se preocupe, eu cuido da Marly e do Chris. Sua voz elevou-se ligeiramente. Devem permanecer na cozinha, queridos! depois que o riso afastou-se, ela suspirou. Amy, posso pagar-te $10 por hora.
Ver um menino recém-cego e de minha idade?   Comecei a   mover   minha cabeça. Não sei...
$20 por hora! gritou a Sra. Edmund. Por favor, é a única garota que veio.
Provavelmente era a única que não tinha se interessado pelos detalhes antes do tempo... Mas $20! Rapidamente fiz as contas: $20 por 40 horas = $800 em uma semana!
3.200 em um mês!  Uma loucura.  Esta é minha oportunidade perfeita!  Com todo esse dinheiro, poderia pagar meu dormitório em Evanston!
Com meus olhos brilhando, disse: Sim, eu aceito.
De repente, escutei pequenos pés batendo pelo corredor. A Sra. Edmund pulou e gritou. Por favor, não incomodem seu irmão! Mas já era muito tarde. No momento em  que  chegamos  ao  corredor, os  dois  meninos  tinham  se  precipitado  voando  pelas escadas e desaparecendo pela esquina.
Mamãe  conseguiu  uma  babá  para  você!  Ela teve  que  pagar  a  ela  uma tonelada para que ficasse!
Quando alcançamos o segundo piso, o menino já tinha apertado sua boca contra a rachadura de uma porta fechada e estava fazendo justamente o  que  sua mãe tinha dito para que não fizesse, claro. Tens que amar as crianças. Ele parecia que tinha nove anos, com uma nuvem de cabelo loiro.   A menina, que parecia ter aproximadamente cinco anos, ajoelhou-se junto a ele. Ela me olhou por debaixo de sua explosiva franja de cor castanho-clara e rapidamente começou a chupar o dedo.  Às vezes tenho esse efeito nas crianças.
Chris, vamos,    disse  sua  mãe  com  tom  severo.  Disse-lhe que deixasse seu irmão em paz.
Awww, mamãe! O garoto levantou a vista da porta, enrugando o rosto em uma careta.
E Marly, querida, disse a Sra. Edmund em tom suave.  por favor, tire esse dedo da   boca.  Lembra que conversamos sobre   como  as  meninas  grandes   não chupam os dedos?
Marly assentiu e lentamente tirou o dedo infrator de sua boca.
Christopher John, vá para seu quarto.  A Sra. Edmund dirigiu-se a seu filho, que estava ocupado examinando-me com seus penetrantes olhos azuis.
Chris arrastou dramaticamente seus pés e, lançando um casual: tudo bem, por cima do ombro, retirou-se ao final do corredor. Sua irmã correu atrás dele.
A Sra. Edmund sorriu e logo se voltou. Vou deixa-los sozinhos.
A quem? A mim e a porta? Sim, nos unimos muito bem. Franzi a testa e, antes que pudesse fugir, perguntei: É, onde está Tristan?
Ela riu suavemente, como se minha pergunta fosse boba. Oh, ele está ali. É um guarda  roupa.  Tem...    parou,  como  se  as  palavras  tivessem  ficado  trancadas  na garganta. Depois de um momento, concertou-as. Bom, tenho certeza que Tristan lhe dirá. Volto para assegurar-me que estás bem em um minuto.
Por que isso não era tão reconfortante?
Eu observei enquanto ela fugia e logo me virei para a porta. Meti um punhado de cabelo  atrás  da  orelha,  um  dos  meus  hábitos  nervosos,  e  coloquei  minha  mão  na maçaneta da porta. Apertei os dedos, tentei dar a volta. Não aconteceu nada. Minha mente  lentamente  chegou  à  causa  óbvia:  tinha  fechado  a  porta.  Tinha  fechado  a porta! Esperava-se que eu virasse babá de um garoto de dezoito anos de idade, cego e rico e ele tinha se fechado em um armário! Honestamente.
Lembrei-me  de  uma  vez  que  tive  que  convencer  uma  menina,  que  eu  estava sentada  debaixo  de  sua  cama,  para  dar-lhe  um  banho.  Levara  uma  hora  e  uma bolacha Oreo. Isso não era uma  lembrança tão reconfortante, mas fiz exatamente o que tinha feito com ela, bom, menos a bolacha. Sentei-me no chão e comecei a falar.
Acho que tem ouvido falar de mim. Sou Amy Turner. Escuta, por que não sai para que possamos nos conhecer corretamente?
Fiz   uma   pausa,   mas   não   houve   som,   nem   sequer   um   sussurro,   do   interior.
Aparentemente meu poder de persuasão não tinha melhorado milagrosamente.
Virei-me, de modo que minhas costas estavam contra a porta e, com um baque seco, descansei minha cabeça. Continuei. Se quiser, posso só me sentar aqui.
De repente, algo golpeou a porta suficientemente forte para fazer o som bang! E deu-me um enorme susto. Depois que meu coração voltara a meu peito, gritei: Ei, a decisão é sua! Sua mãe vai pagar-me de qualquer forma!
Para trás!
O grito soou tão perto que pulei outra vez.
Afastei-me  da  porta  justamente  a  tempo,  enquanto  se  abria  em  um  golpe.  A figura  de  um  garoto  adolescente  colocou-se  em  minha  frente.  Cabelo  loiro  areia escovado sobre os óculos de sol de designer. Com uma das mãos agarrou o marco da porta e, com a outra, ele estendeu a mão incertamente ao ar. Antes que  eu pudesse fazer alguma coisa, ele deu um passo à frente e tropeçou em meus amados tênis.
Para    meu    ouvido,    sua    queda    no    tapete    fora    ensurdecedora.    Mas, surpreendentemente,  ninguém  veio  correndo.  Ele  permaneceu  imóvel.  Passou  por minha  mente  que  eu  o  tinha  matado.  Matar  uma  pessoa  cega;  é  uma  passagem rápida para o inferno. Deslizei-me para frente e disse sem fôlego. Tristan, desculpa!
Meu cérebro registrou devagar que devia ter prejudicado seu orgulho porque ele respirava regularmente. Ele não falou, mas sua mão estava estendida e apalpou o piso.
Vendo que seus óculos tinham caído por perto, peguei-os e coloquei-os em suas mãos.
Arrancou-os de mim e, levantando-se, virou a cabeça enquanto os colocava de novo.
Ele grunhiu. Afaste-se de mim!
Fiz uma tentativa frustrada de pegar sua mão e ofereci. Deixe que te ajude a ir para seu quarto.
Sentindo meu movimento, afastou-se de mim e zombou. Ao menos sabe onde é meu quarto?
Fiquei  pasma,  enquanto  ele  caminhava  lentamente  pelo  corredor.  Apoiou  sua mão com força contra a parede e parou no canto, segurando na quina. Então ele se foi.  Um  momento  depois,  escutei  uma  porta  fechar-se  com  um  golpe.  Continuei  ali parada   quieta,   sentindo-me   completamente   humilhada.   De   novo,   por   que   tinha pegado esse trabalho?

3 comentários:

  1. Mais um livro que eu não conhecia, mas q tu me fez sentir vontade de ler

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  2. Amei a capa, amei o nome do livro e amei o trecho.

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