quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Trechos de Livros... - Soul Love.


- Jenna, você precisa passar em minha barraca – disse Aurora. – Em todas as  outras só tem frango.
- OK! – respondi.
- Você precisa comer um doughnuts especiais em oito segundos – e pegou um grande doughnut polvilhado com açúcar.
- Fácil – falei, porque estava faminta.
- Sem lamber os lábios – disse Aurora. – Se você conseguir, ganha um libra.
- Já ganhei... – falei, mas sem muita convicção. Por sorte, a barraca de Aurora ficava num canto bem tranqüilo. Não havia ninguém por perto.
Quando comecei a comer o maior e mais açucarado doughnut de toda a minha vida, apareceu um grupo de escoteiros e todos, inclusive Aurora, começaram a gritar.
- Vai, Jenna! Vai, Jenna!
Eu estava totalmente concentrada em ganhar o prêmio. O açúcar começou a grudar em meus lábios. A gritaria aumentou. Aurora adicionou um cronômetro.
Meus lábios começaram a coçar e formigar. Eu estava desesperada pra lambelos, mas me contive. Podia sentir os movimentos involuntários da minha língua querendo lamber. Sem querer, mordi a língua. Eu já estava me considerando vitoriosa quando vi quatro olhos grudados em mim. Dois eram de Cleo. Sua expressão misturava triunfo e zombaria. Ao lado dela, rindo, estava o Garoto Sarado.
Faltando apenas três segundos, lambi os lábios e saí dali o mais depressa que pude. Por que eu sempre fazia papel de boba? Fui me esconder atrás de uma marquise e comecei a limpar os lábios. Senti gosto de sangue na boca e lembrei-me de que tinha mordido a língua. Resolvi ficar ali mais uns minutos, para depois procurar Sarah e dizer que iria embora.
- Beba isso. Vai tirar o gosto forte de açúcar.
Ele de novo! O Garoto Sarado me oferecia água num copo de papel.
Provavelmente estava ali para rir de mim.
- Obrigada – respondi friamente e tomei um gole.
Ele se sentou a meu lado.
- Você foi demais! Meu melhor tempo foram trinta segundos, e Cleo é um fiasco.
- Só consegue ficar uns cinco segundos sem lamber os lábios – e sorriu.
Estava tão perto que eu podia sentir seu braço ao lado do meu, mesmo sem contato. Ele cheirava terra e limão. Senti-me dominada por sua presença e não consegui dizer nada.
Ele ficou ali comigo. Havia nele uma delicadeza com a qual eu não sabia lidar. Ele não era igual a nenhum dos garotos que eu conhecia. Se fosse Jackson, estaria rindo. Depois, tentaria me superar na competição dos doughnuts. Ou fingiria não ter entendido as regras do jogo e armaria alguma confusão. Tanto ele quanto Mia fariam o possível para se tornar o centro das atenções. E eu teria rido junto com eles e me juntado a confusão, disfarçando meu constrangimento em meio ao barulho.
Esse garoto era diferente.
Eu ainda sentia o gosto do sangue em minha língua.
- Estou sangrando – falei.
Ele se retraiu, assustado.
- Sangue me apavora – disse, afastando-se rapidamente.
Levantei para ir embora.
- Desculpem, eu não quis ser rude – ele gaguejou.
- Preciso ir – respondi, saindo.
- Posso lhe mostrar mais coisas por aqui depois que todo mundo for embora.
Mas eu continuei andando, enquanto meu cérebro berrava:
“Tonta! Tonta! Tonta!”

3 comentários:

  1. Estou doido pra ler esse também! Adoro romances.

    ResponderExcluir
  2. Que bonitinho, tbm quero ler.
    “Tonta! Tonta! Tonta!”

    hehehe, adorei isso

    ResponderExcluir